Táticas alarmistas do setor financeiro para o pleito presidencial de outubro são questionadas
São Paulo (SP) · 03 de fevereiro de 2026
Em um pregão efervescente nesta terça-feira (03/fev), o Ibovespa escalou para inéditos 187.300 pontos, marcando um novo ápice histórico e consolidando o otimismo dos investidores perante a ata divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.
Simultaneamente, o dólar comercial retraiu para R$ 5,21, refletindo um influxo robusto de capitais estrangeiros e uma desvalorização acumulada superior a 5% no ano.
Essa dinâmica surge em meio a expectativas de um ciclo de flexibilização monetária, com o Copom reiterando que a magnitude e a extensão dos cortes na taxa Selic – mantida em 15% ao ano na reunião de 28 de janeiro – dependerão da evolução dos indicadores econômicos, sem fixar ritmos pré-determinados.
A ata, publicada nesta manhã, enfatiza uma postura vigilante, mas otimista, ao afirmar que “a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,35/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra”, conforme o documento oficial do Banco Central.
Analistas interpretam isso como uma porta aberta para reduções iniciais de 0,25 a 0,50 pontos percentuais já em março, alinhando-se a projeções de que a Selic encerre 2026 em torno de 12,25%, conforme o Boletim Focus.
Essa perspectiva impulsionou ações de pesos-pesados como Vale, que subiu 2,44%, e Itaú Unibanco, com avanço de 2,25%, contribuindo para o volume financeiro de R$ 33,41 bilhões na sessão anterior.
O vigor do mercado contrasta com narrativas alarmistas do passado, ecoando o post de Ricardo Noblat no X (antigo Twitter), onde o jornalista pontuou: “Vai ser difícil a Faria Lima repetir o terrorismo de 2022 (Venezuela, dólar R$ 7) na próxima eleição. Mas tentará, com toda certeza”.
Aqui, Faria Lima refere-se ao epicentro financeiro de São Paulo, tradicionalmente crítico a políticas expansionistas.
Durante as eleições presidenciais de 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputava contra Jair Bolsonaro, setores da oposição – incluindo influentes da Faria Lima – promoveram narrativas alarmistas para desqualificar a candidatura de Lula.
Eles argumentavam que uma vitória do petista levaria o Brasil a uma crise semelhante à da Venezuela sob o regime de Nicolás Maduro, com hiperinflação, colapso econômico e desvalorização extrema da moeda.
Chegaram a prever que o dólar poderia chegar a R$ 7 ou mais, evocando cenários de instabilidade fiscal e fuga de capitais.
A foi criticada como “terrorismo econômico” por apoiadores de Lula, pois visava influenciar o voto por meio do medo, em vez de debates substantivos. Mas o que se viu desde a posse de Lula até o momento selo
Agora, o fluxo estrangeiro para a B3 já supera os influxos de janeiro inteiro, fomentando um rali que elevou o Ibovespa em 12,56% no acumulado do ano.
O ministro Fernando Haddad confirmou a indicação de Guilherme Mello para a diretoria do BC, reforçando a estabilidade institucional.
No cenário global, o bom humor é corroborado pela estabilidade do Federal Reserve nos Estados Unidos, que manteve juros entre 3,50% e 3,75% em 28 de janeiro, sem surpresas que abalassem emergentes.
O real, ganhando 4,6% ante o dólar em 2026 – o segundo melhor desempenho entre moedas de mercados em desenvolvimento, atrás apenas do peso chileno –, beneficia-se dessa conjuntura, como destacado pela Bloomberg Línea.
Economistas como Leonardo Costa, do ASA Investments, apostam em cortes iniciais de 0,25 pontos, enquanto a ata é consistente com cenários de reduções mais agressivas, dependendo de dados como a produção industrial de dezembro, divulgada hoje pelo IBGE.
Essa efervescência no mercado financeiro delineia um panorama desafiador para estratégias pessimistas na corrida eleitoral de 2026, onde o equilíbrio fiscal e a soberania monetária emergem como pilares.
O Ibovespa não apenas renova máximas intradiárias – tocando 187.259 pontos nesta terça-feira, mas sinaliza resiliência ante volatilidades políticas, com o volume de negociações apontando para uma atratividade renovada da economia brasileira.

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