Revelações sobre negociações suspeitas da instituição financeira com o BRB colocam o governador em xeque
Brasília (DF) · 04 de fevereiro de 2026
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), ascendeu ao status de investigado formal no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em meio às apurações do controverso caso Banco Master.
A investigação, que se debruça sobre supostas irregularidades em transações bilionárias envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, ganha contornos de um escândalo de proporções monumentais, com indícios de fraudes e prejuízos que podem ultrapassar R$ 12 bilhões ao erário público.
O cerne da controvérsia reside na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, uma operação que, segundo depoimentos colhidos pela Polícia Federal (PF), contava com o conhecimento e a participação ativa de Ibaneis Rocha.
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, prestou depoimento à PF afirmando ter dialogado “algumas vezes” com o governador sobre a venda da instituição financeira, reconhecendo-o como “controlador indireto” do BRB. Essa declaração eleva o escrutínio sobre o papel do mandatário nas negociações.
Complementando essa narrativa, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, confirmou em oitiva ao Supremo Tribunal Federal (STF) que informou pessoalmente Ibaneis Rocha sobre a operação de R$ 12,2 bilhões.
“O governador sabia. Eu comuniquei a ele sobre a operação, mas a decisão foi minha como presidente do BRB”, relatou Costa, conforme registro nos autos do STF, conforme destacou o UOL Notícias.
Apesar disso, Ibaneis Rocha nega veementemente qualquer irregularidade, minimizando encontros com Vorcaro e declarando-se “totalmente limpo”.
A escalada jurídica ganhou ímpeto em segunda-feira (26/jan), quando partidos de oposição – incluindo PT, Rede, PDT, PCdoB e PV – protocolaram uma notícia-crime no STJ solicitando a apuração de crimes de responsabilidade e improbidade administrativa contra o governador.
A ação, que defende o afastamento cautelar de Ibaneis Rocha para evitar obstruções, questiona se o entusiasmo do governador com as tratativas resultou de “incompetência e excesso de confiança” ou de atos enquadrados em crimes contra o sistema financeiro.
Paralelamente, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), dois pedidos de impeachment foram apresentados, atribuindo ao governador crimes como violação à probidade administrativa e prejuízo ao patrimônio público.
Esses movimentos, protocolados em 23 de janeiro e reforçados em segunda-feira (26/jan), baseiam-se em alertas internos ignorados e na manutenção de exposições financeiras arriscadas, mesmo após denúncias públicas.
O contexto histórico remonta a 2023, quando Ibaneis Rocha declarou o BRB uma “ferramenta estratégica”, evoluindo para compras de ativos do Banco Master em 2024, apesar de alertas.
Em novembro de 2025, a PF prendeu Vorcaro, e o Banco Central liquidou o Banco Master, expondo títulos sem lastro e um rombo bilionário herdado pelo BRB.
O relator no STF, ministro Dias Toffoli, retirou o sigilo de acareações em quinta-feira (29/jan), revelando contradições entre Vorcaro e Costa, mas convergindo na menção ao governador, conforme o Brasil de Fato.
Esse imbróglio não apenas ameaça a estabilidade política do Distrito Federal, mas também reacende debates sobre governança em instituições financeiras públicas, com o fantasma da privatização do BRB pairando.
Analistas apontam que o caso pode redefinir padrões de accountability em negociações estatais, impactando o cenário eleitoral futuro.
Nesta quinta-feira (01/fev), o Correio Braziliense confirmou a formalização da investigação no STJ, com Ibaneis Rocha citado em depoimentos. Detalhes adicionais sobre possíveis desdobramentos serão acompanhados em breve.

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