Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

“Hecatombe: Tsunami irá varrer o Brasil’, diz Nicolelis ao defender lockdown nacional como única saída

    Enquanto Bolsonaro sugeriu que poderia decretar estado de sítio para conter o desejo de governadores aplicarem a medida de restrição mais ampla contra o avanço da covid em seus Estados, o médico faz uma previsão catastrófica para o caso de sua não implementação imediata, o que pode levar o Brasil a alcançar a marca de 500 mil mortos na metade deste ano

    O termo hecatombe (destruição em grande escala) foi usado pelo médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade Duke (EUA) Miguel Nicolelis para descrever a situação do Brasil em meio à pandemia da Covid-19. Pare ele, se não forem implementadas medidas restritivas imediatamente, o Brasil deve alcançar a marca de 500 mil mortes em julho.

    Além do colapso sanitário, já ocorre um colapso funerário. O professor diz, em entrevista ao jornal O Globo, que essa explosão de mortes de forma sincronizada em todo o Brasil, com 3 mil óbitos diários vistos neste mês de março, é decorrente das eleições municipais, em novembro, das festas natalinas e do carnaval. Assim, as previsões, alardeadas previamente a tempo de se evitar a tragédia, se concretizaram e “hoje é difícil prever qual vai ser a taxa de óbitos daqui a duas, três semanas. A gente não consegue ver limite ou pico”.

    Ontem, a notícia de que o presidente da República teria ameaçado decretar um estado de sítio – como forma de conter as medidas de governadores e prefeitos do país com relação às restrições para prevenção do avanço da pandemia, abalou o país a ponto de o presidente do STF, Luiz Fux, fazer contato telefônico com Bolsonaro em busca de esclarecimentos, mas sua atitude foi puramente a de exibir sua toga, em um recado claro de que haveriam ações da Corte.

    Neste sentido, Nicolelis afirmou que “o prefeito e o governador têm que criar coragem e fechar a capital e a Grande SP, impedindo o fluxo nas rodovias. Não dá para continuar empurrando com a barriga. Ou faz agora, ou as pessoas vão morrer na rua. São Paulo já colapsou há dias. Quando cruza 90% de ocupação, já foi. Só na logística para achar o leito e transferir, as pessoas vão morrer. O Brasil inteiro colapsou”.

    Leia os principais trechos da entrevista:

    “(…) quem deveria criar nossa estratégia de defesa renunciou ao papel de defender a sociedade da maior tragédia humanitária da nossa história”.

    “É duro dizer isso, mas vai piorar muito se não fizermos nada. E tem que ser a nível nacional, com medidas sincronizadas. Não adianta fechar um estado e deixar o resto aberto porque o vírus está em todo lugar, se espalha pelas rodovias, pelos aeroportos. Vamos chegar a 300 mil óbitos com uma rapidez impressionante. Podemos chegar a 500 mil na metade do ano, no meio do inverno”.

    “Mesmo com a vacinação, sem lockdown, dificilmente será possível reverter essa situação. Teríamos que vacinar 3 milhões de pessoas por dia por 60 dias, começando imediatamente. É altamente improvável. Enquanto isso, se tivermos 2 mil mortes por dia por 120 dias, teremos mais 240 mil mortes. É uma estimativa grosseira, só para ilustrar que chegaríamos a 500 mil mortes em meados de julho”.

    “Esse documento vai rodar o mundo [referindo-se à afirmação de Bolsonaro ao STF de que só ele pode definir lockdown] e vai servir como prova definitiva de que as intenções da Presidência não são voltadas ao bem maior da sociedade. E, quando um mandatário renuncia à sua obrigação máxima de proteger e salvar seus cidadãos, outros poderes da República têm que intervir. O presidente botou no papel o que o mundo inteiro já sabia, que ele quer fazer o oposto do necessário para evitar um genocídio no Brasil”.

    “[O colapso funerário] já começou. Vi um município de Pernambuco onde corpos estavam se acumulando num terreno baldio. Já temos registros de filas enormes em cartórios para registrar os óbitos, dificuldades de manejo de corpos nos hospitais, a Associação Brasileira de Funerárias recomendando que não deem férias aos funcionários, faltam urnas. Os sinais são claros. Não sei como alguém ainda não vê o tsunami que vai varrer o Brasil. Não vai mais ser só crise sanitária, começam a ter distúrbios sociais”.

    “O Brasil precisa de ajuda [mobilização nacional sugerida pelo entrevistador]. Pedimos aos países amigos com excedente de vacinas, mas o que os governos desses países falam publicamente e reservadamente é que não tem um interlocutor. Não somos um país pária, somos um país radioativo. O Brasil não é um problema só dos brasileiros, é um problema do mundo. Se não controlarmos a pandemia, nossas fronteiras são porosas, as variantes daqui vão escapar, e o mundo sabe disso”.

    🗣️💬

    Discover more from

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading