Presidente Lula (PT) perdeu vantagem em um segundo turno da eleição deste ano, aponta o Datafolha. O estadista foi ultrapassado numericamente pela primeira vez por Flávio Bolsonaro (PL), que atingiu 46% ante 45% do líder do Brasil / Foto: Adriano Machado/Reuters (recorte)
Brasília (DF) · 11 de abril de 2026
A nova pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado (11/abr) pelo jornal Folha de S.Paulo, revela empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenário de segundo turno para as eleições de 2026.
Enquanto Lula registra 45% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro aparece com 46%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno estimulado, o petista lidera com 39% contra 35% do senador.
Aliados no governo federal interpretam o resultado como momentâneo e atribuem parte do desgaste à alta dos combustíveis, influenciada por tensões internacionais, e ao elevado endividamento das famílias brasileiras, que atinge recordes segundo a Confederação Nacional do Comércio.
A estratégia passa por medidas concretas para conter esses impactos e impulsionar a renda, com expectativa de resultados no curto e médio prazo. Entre as ações em estudo estão a ampliação de subsídios ao diesel e ao gás de cozinha, além da liberação de recursos do FGTS para auxiliar trabalhadores endividados, segundo a Folha de S. Paulo.
Miguel do Rosário, jornalista e editor do blog O Cafezinho oferece outra leitura dos números. Para ele, “existem duas maneiras de interpretar a nova pesquisa Datafolha divulgada hoje. A primeira é se impressionar com a direita. A segunda é se impressionar com a esquerda”.
O colunista ressalta a resiliência de um setor da sociedade mobilizado em defesa de princípios de justiça social, igualdade, soberania e direitos democráticos, mesmo diante de intensa propaganda conservadora. Segundo a análise, cerca de 70 milhões de brasileiros sustentam essa base: famílias de baixa renda, mulheres com vantagem expressiva, a classe média progressista das grandes cidades e os mais velhos, que guardam memória de períodos anteriores.
Na espontânea, Lula atinge 26%, equivalente a cerca de 40 milhões de eleitores; no primeiro turno, chega a 39%, e no segundo, a 45%. “É com esses 70 milhões — e com a máquina na mão — que se ganha o jogo”, afirma Miguel do Rosário.
O texto no Brasil 247 defende que o governo evite a “armadilha politiqueira” de cobrar gratidão por obras passadas e foque em um projeto de transformação nacional. Sugere iniciativas como um grande plano de mobilidade sobre trilhos e a universalização da energia solar com armazenamento em baterias, incluindo importação de tecnologia da China com imposto zero e capacitação de estudantes.
“Lula não gosta de trem, e esse é o erro que pode custar a eleição. O povo passa quatro horas por dia espremido em ônibus. O dia em que a esquerda defender o trem e a ferrovia nacional, ela quebra o preconceito de quem acha que o PT só olha para o passado”, escreve o jornalista.
Essas ideias dialogam com a percepção de que o voto representa, sobretudo, uma aposta no futuro e na construção de horizontes de desenvolvimento soberano e inclusivo.
O governo federal busca, assim, traduzir respostas econômicas imediatas em fortalecimento dessa base, priorizando alívio no cotidiano das famílias e visão de longo prazo para o país.
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