“Confronto direto com a sociedade” causaria “mais mortes” no “Golpe de 2022”, que seria “mais letal ” do que aquele que deu origem à ditadura militar, dizem especialistas, segundo colunista da Folha – SAIBA MAIS
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Brasília, 31 de março de 2025 (Aniversário de 61 anos do Golpe Militar)
Em julgamento televisionado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino comparou as tentativas de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) à ditadura militar iniciada em 1964. Dino destacou que “golpe de Estado mata, não importa se é no dia ou anos depois“, refutando o mito de que o golpe de 1964 foi pacífico, escreve Gustavo Zeitel na Folha de S. Paulo, deste domingo (30/mar), véspera de aniversário do Golpe de 1964.
Nesta data em que se relembra os 21 anos da ditadura militar, o colunista do jornalão escreve que “o golpe de Bolsonaro teria mais resistência e vítimas que o de 1964“, segundo especialistas ouvidos por ele, que completa: “Acadêmicos projetam que ruptura democrática causaria manifestações, isolamento internacional e crise econômica“.
Zeitel inicia o texto lembrando da fala do ministro, que veio durante a decisão de tornar Bolsonaro réu por acusações de planejar um golpe, com base em investigações da Polícia Federal (PF). Na sequência, o colunista escreve o seguinte, de modo resumido:
Operação Punhal Verde e Amarelo: O Plano para Assassinar Autoridades
A PF revelou que a Operação Punhal Verde e Amarelo, planejada após as eleições de 2022, visava assassinar o Presidente Lula (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Elaborada pelo general Mario Fernandes no Palácio do Planalto, a operação contava com o uso de armas e envenenamento, executado por militares das Forças Especiais do Exército, os “kids pretos“.
O plano foi discutido pelo então ministro da Defesa, general Braga Netto, que nega envolvimento, em reunião com militares dias antes da data marcada, 16 de dezembro de 2022. A ação foi abortada porque uma sessão do STF terminou mais cedo.
Consequências de um Golpe em 2022: Mais Mortes e Crise
Especialistas avaliam que, se consumado, o golpe de 2022 teria consequências mais graves que o de 1964. João Roberto Martins Filho, professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), em São Paulo, afirma que haveria “confronto direto com a sociedade e mais mortes“, devido à resistência de movimentos sociais, articulados pela internet, e à escolta das autoridades.
Leonardo Avritzer, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), prevê que o STF e o Congresso seriam alvos, com medidas similares ao Ato Institucional nº 1 (AI-1) de 1964, que cassou opositores. Carlos Poggio, doutor pela USP (Universidade de São Paulo), destaca que o Brasil enfrentaria isolamento internacional, com suspensão do Mercosul, perda de investidores e sanções, agravando a crise econômica.
Diferenças entre 1964 e 2022: Contexto e Resistência
Diferentemente de 1964, quando os EUA apoiaram o golpe com um empréstimo de US$ 500 milhões (equivalente a R$ 2,5 bilhões hoje), em 2022 não havia apoio internacional para uma ruptura democrática.
O alto comando do Exército também não endossava amplamente o golpe, e os militares de 1964 eram mais experientes em intervenções políticas.
Apesar do mito de um golpe “pacífico” em 1964, o historiador Rodrigo Patto, da UFMG, lembra que houve violência desde o primeiro dia, com protestos, prisões e assassinatos de opositores, como os estudantes Jonas Albuquerque e Ivan Aguiar, em Pernambuco.
Outras Tramas e o Artigo 142: Riscos à Democracia
Além da Operação Punhal Verde e Amarelo, a PF identificou outras tramas antidemocráticas no governo Bolsonaro, como as operações Luneta, Pacificação Nacional e a 142, que se baseava em uma interpretação distorcida do Artigo 142 da Constituição para justificar intervenção militar — tese já rejeitada pelo STF e pelo Congresso.
Apesar dos riscos, Patto acredita que um novo regime teria dificuldade para se estabilizar, devido à falta de apoio do empresariado e à forte resistência popular.
Brasil Escapou por Pouco de um Golpe, Avaliam Especialistas
Por fim, os acadêmicos concordam que o Brasil esteve perto de uma ruptura democrática em 2022, mas as diferenças de contexto e a mobilização social dificultariam a consolidação de um governo autoritário. A análise reforça a importância de proteger as instituições democráticas para evitar cenários de violência, crise e isolamento internacional.










