Ministro do Supremo cita passagem bíblica e o governador de MG para questionar hipocrisia de gestores que dependem de decisões judiciais mas direcionam ataques à instituição
Brasília (DF) · 06 de março de 2026
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu duras críticas a governadores que recorrem à Corte em busca de medidas liminares para resolver impasses fiscais e, posteriormente, dirigem ataques à própria instituição.
A declaração ocorreu durante sessão plenária realizada na quarta-feira (4/mar), no contexto de julgamento sobre a perda de eficácia de leis estaduais que instituíram adicional de ICMS sobre serviços de telecomunicações e energia para fundos de combate à pobreza.
Gilmar Mendes destacou a contradição observada em alguns gestores estaduais.
Ele apontou que esses administradores frequentemente buscam no STF soluções para problemas não resolvidos na esfera política, como adesão a regimes de recuperação fiscal e suspensões temporárias de pagamentos de dívidas com a União, mas adotam postura crítica em relação ao tribunal quando conveniente.
O principal exemplo citado pelo ministro foi o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Segundo Gilmar Mendes, o estado mineiro tem sobrevivido financeiramente graças a liminares concedidas pelo STF, inclusive em disputas relacionadas à dívida pública herdada de gestões anteriores.
“É chocante ver um governador como o governador de Minas Gerais, que os seus bem-feitos ou malfeitos, levou o Estado a uma debacle econômica, mas está sobrevivendo graças a liminares dadas por este tribunal atacar o tribunal”, afirmou o decano, conforme relatos de veículos como O Globo.
Para enfatizar a gravidade do que considera incoerência, Gilmar Mendes recorreu a uma passagem bíblica, adaptando as palavras atribuídas a Jesus na crucificação: “Pai, eles não sabem o que fazem”.
Ele acrescentou que a frase se aplica porque “de fato, é chocante”, e defendeu uma reflexão coletiva entre os ministros sobre a concessão dessas liminares, visando equilíbrio federativo e justa medida nas decisões.
O ministro também classificou parte das críticas como expressão de “excesso de hipocrisia” e chamou atenção para “farisaicos” e “fariseus” que adotam posturas contraditórias. Ele enfatizou que a sobriedade do tribunal não equivale a covardia, e que confrontos podem ser necessários para chamar as coisas pelo nome, rejeitando ameaças ou ataques injustos à Corte.
A fala gerou repercussão imediata, com veículos como Estado de Minas e O Tempo, destacando o tom irônico e a referência bíblica.
Críticos ao ministro, em publicações nas redes, interpretaram a declaração como velada ameaça, especialmente por vincular benefícios judiciais à ausência de críticas políticas.
Até o momento, não há registro de resposta direta de Romeu Zema à declaração específica de Gilmar Mendes.
O episódio reforça as tensões recorrentes entre o Poder Judiciário e chefes do Executivo estadual em temas de finanças públicas e equilíbrio federativo.

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