O deputado foi um dos 29 contrários aos 415 que aprovaram mais um benefício que projeta Lula para a reeleição
Brasília (DF) · 03 de fevereiro de 2026
O Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória que institui o Programa Gás do Povo, ampliando significativamente o acesso ao gás de cozinha para famílias vulneráveis.
A proposta, iniciativa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi ratificada pela Câmara dos Deputados na segunda-feira (2/fev) com 415 votos favoráveis e apenas 29 contrários (veja abaixo), e pelo Senado Federal nesta terça-feira (3/fev), em votação simbólica, seguindo agora para sanção presidencial.
A MP 1.313/2025 transforma e expande o antigo Auxílio Gás dos Brasileiros (criado em 2021), que repassava valor em dinheiro a cada dois meses para cerca de 5 milhões de famílias.
O novo modelo prevê recarga gratuita do botijão de 13 kg em revendas credenciadas, alcançando até 15 milhões de famílias — o equivalente a aproximadamente 50 milhões de pessoas — inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 810,50 em 2026), priorizando beneficiárias do Bolsa Família.
A quantidade anual de botijões varia conforme o tamanho da família: quatro recargas para lares com duas ou três pessoas e seis recargas para famílias com quatro ou mais membros, segundo o regulamento do programa.
A implementação ocorre de forma gradual: iniciou-se em novembro de 2025 em dez capitais, expandiu-se para todas as capitais em 26 de janeiro de 2026 e deve atingir plena operacionalidade em março, cobrindo os 5.571 municípios brasileiros.
O acesso ocorre via aplicativo Meu Social, Caixa Tem, emissão de QR code pela Caixa Econômica Federal ou cartão do Bolsa Família.
O programa busca mitigar riscos à saúde associados ao uso de lenha ou materiais improvisados para cozimento, além de proteger as famílias da volatilidade de preços do GLP, já que o governo negocia diretamente com distribuidoras e arca com eventuais oscilações.
O impacto orçamentário estimado para 2026 é de cerca de R$ 5 bilhões a R$ 5,1 bilhões, considerado viável dentro do orçamento federal.
A aprovação gerou polêmica. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos 29 parlamentares que votaram contra na Câmara.
Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (3/fev), ele afirmou: “Óbvio que votei contra o projeto Gás do Povo do Lula porque sou a favor do Gás dos Brasileiros, um programa que já existe e que o Lula só quer complicar”.
O parlamentar argumentou que o modelo anterior dava maior autonomia às famílias, pois o valor caía diretamente na conta, e criticou a obrigatoriedade de retirada em pontos credenciados, alegando risco de encarecimento e finalidade eleitoral.
Ele questionou ainda: “Se a pobreza caiu como o Lula disse, por que 50 milhões de brasileiros ainda dependem de gás gratuito para cozinhar?”.
No entanto, as declarações contêm uma mistura de elementos factuais corretos, distorções significativas e desinformação clara, especialmente na forma como apresenta o programa e compara com o anterior.
Com base em fontes oficiais do governo, como Gov.br, Ministério do Desenvolvimento Social, Caixa Econômica Federal, ANP (Agência Nacional do Petróleo) e reportagens, a afirmação de Nikolas Ferreira “um programa que já existe e que o Lula quer complicar” contém desinformação na essência.
O “Gás dos Brasileiros” (Auxílio Gás) realmente existia desde 2021, pago em dinheiro a cada 2 meses (cerca de 50% do valor médio do botijão) para 5 a 6 milhões de famílias. Mas o “Gás do Povo” de Lula, lançado em 2025 via MP 1.313/2025 e aprovado na Câmara em fevereiro/2026, substitui e amplia esse programa. Ou seja o estadista quase triplica o benefício.
Argumentar que o programa já existia e que Lula complica é mais uma fake news, pois o “Gás do Povo” eleva em muito a extensão do programa de anteriores 5 a 6 milhões de famílias para 15 a 15,5 milhões de famílias – aproximadamente 50 milhões de pessoas.
Além disso, o programa de Lula agora tem gratuidade total na recarga do botijão, com 100% do valor médio, permanência maior como política de Estado, e não temporária, além de orçamento previsto de R$ 5,1 bilhões em 2026.
Ou seja, Lula não “complica o que já existe“, mas o estadista amplia drasticamente o alcance e o valor do benefício, mudando o formato de entrega.
Nikolas Ferreira diz que, “antes, o auxílio caía direto na conta da mãe de família. Ela decidia onde comprar“, Correto: no Auxílio Gás anterior, o valor era depositado em dinheiro (via Caixa Econômica Federal), e a família comprava livremente onde quisesse (qualquer revenda ou distribuidora).
Mas o bolsonarista faz uma distorção grave misturada a desinformação ao afirmar que, “agora, o Lula quer te obrigar a buscar o seu gás em revendas credenciadas pelo governo, sem prazo claro de quanto tempo você terá esse benefício, sem autonomia, sem liberdade“.
Ao afirmar corretamente sobre a obrigação de “revendas credenciadas“, Nikolas Ferreira não explica a ideia é evitar fraudes. Isso porque o novo modelo exige retirada (recarga) direta em revendas credenciadas pela Caixa/ANP (com identidade visual do programa, validação por cartão Bolsa Família, CPF + código no app, ou cartão Caixa). Pode ser com entrega domiciliar em alguns casos, mas o padrão é retirada na revenda.
Ao afirmar que não há “prazo claro“, Nikolas Ferreira desinforma, pois o programa tem cronograma oficial: começou em novembro/2025 em 10 capitais, expandiu para todas capitais em janeiro/2026 e atinge 100% dos municípios até março/2026. É permanente e infinito, sem “prazo de validade“, diferente do anterior, que era temporário.
Nikolas Ferreira expressa uma opinião ideológica válida, uma crítica liberal ao controle estatal, ao afirmaro afirmar que o beneficiário não tem “autonomia/liberdade“, mas essa visão é apresentada como fato absoluto e não é: muitos beneficiários podem ver vantagem na gratuidade total e na entrega organizada, diferente do que o parlamentar quer impor como verdadeiro.
Quando Nikolas Ferreira diz que, “no final, deixará seu gás mais caro e com a finalidade de manter as pessoas presas pra ter o voto dela nas eleições“, o deputado peca novamente ao especular e desinformar, pois não há evidência oficial ou econômica que sustente isso. Porque o programa garante gratuidade total (100% do valor médio do botijão), maior que os 50% anteriores.
E o custo para o beneficiário é zero na recarga credenciada. Críticas de encarecimento viriam de logística ou repasse, mas fontes governamentais e reportagens não indicam aumento real para o usuário final, como Nikolas Ferreira tenta inserir como verdade, mas não é isso.
O deputado diz que a finalidade de Lula é eleitoral/clientelista – uma acusação política comum da oposição, haja vista que o programa é visto como “bandeira eleitoral de Lula para 2026” por vários veículos da imprensa. Tem base em timing (ampliação em ano pré-eleitoral), mas não é fato comprovado; é interpretação.
Outra: ao finalizar com o questionamento “se a pobreza caiu como o Lula diz, por que 50 milhões de brasileiros ainda dependem de gás “gratuito” pra cozinhar?“, o deputado tenta criar dúvida, mas basta a consulta de alguns indicadores para observar que, de fato, a pobreza extrema caiu em alguns indicadores, mas a vulnerabilidade ao custo do gás permanece alta para milhões. E por isso o programa é válido.
A grosso modo, as afirmações de Nikolas Ferreira impressionam na superficialidade, na fachada, como sempre, e atinge os que não veem o que ocorre por dentro. O modelo anterior dava dinheiro direto, com mais liberdade de compra; e o novo exige revendas credenciadas, com menos liberdade de escolha. Mas apresentar como “complicação” de algo que já existe ignora a ampliação massiva: de 5 a 6 milhões para 15 milhões de famílias; de 50% para 100% de cobertura e da condição de temporário para permanente, o que vai beneficiar 50 milhões de pessoas.
Enfim, no todo, o texto é coerente dentro de uma visão ideológica liberal por ser oposição ao governo e prioriza liberdade individual, desconfiando de controle estatal, mas contém desinformação relevante ao omitir a ampliação do benefício e exagerar aspectos negativos sem base factual, como encarecimento ou ausência de cronograma. É mais um posicionamento político forte do que uma descrição neutra e precisa do programa.
Por sorte, a ampla maioria no Congresso — incluindo apoio de setores da oposição — reflete consenso em torno da necessidade de fortalecer políticas de proteção social.
Veja a lista contra o Gás do Povo:
- Adriana Ventura (Novo-SP)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Bibo Nunes (PL-RS)
- Carlos Jordy (PL-RJ)
- Chris Tonietto (PL-RJ)
- Daniel Freitas (PL-SC)
- Delegado Bilynskyj (PL-SP)
- Eros Biondini (PL-MG)
- Geovânia de Sá (PSDB-SC)
- Gilson Marques (Novo-SC)
- Guilherme Derrite (PP-SP)
- Julia Zanatta (PL-SC)
- Junio Amaral (PL-MG)
- Kim Kataguiri (União-SP)
- Luiz Lima (Novo-RJ)
- Luiz P. O. Bragança (PL-SP)
- Marcel van Hattem (Novo-RS)
- Marcos Pollon (PL-MS)
- Mario Frias (PL-SP)
- Mauricio Marcon (PL-RS)
- Nikolas Ferreira (PL-MG)
- Nicoletti (União-RR)
- Ricardo Guidi (PL-SC)
- Ricardo Salles (Novo-SP)
- Rodolfo Nogueira (PL-MS)
- Sanderson (PL-RS)
- Sargento Gonçalves (PL-RN)
- Tião Medeiros (PP-PR)
- Zé Trovão (PL-SC)
Houve ainda duas abstenções: Ismael (PSD-SC) e Lincoln Portela (PL-MG).

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Este é outro descerebrado a atormentar, não bastasse a familia acéfala bolsonaro!! Saudades da guilhotina!!