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Brasil com “S”: Embrapa descobre fungo na Amazônia capaz de controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos

    Novidade ocorre enquanto a estatal tenta reverter “desmonte” no governo anterior por meio de projetos de longo prazo, com a inclusão no PAC e orçamento 2026 – ENTENDA

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    A Amazônia
    A Amazônia / Foto de Felipe Rosa/Embrapa + detalhe com imagens das pesquisas com ‘T. agriamazonicum’ / divulgação Embrapa

    RESUMO
     
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO
     


    Brasília (DF) · 10 de fevereiro de 2026

    A descoberta de um fungo amazônico pela Embrapa representa um avanço significativo na biotecnologia agrícola e na busca por soluções sustentáveis contra doenças em cultivos e infecções resistentes.

    Batizado de Trichoderma agriamazonicum, o microrganismo foi identificado em 2023 a partir de amostras coletadas na casca de uma espécie madeireira nativa da Amazônia, por pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental, unidade localizada em Manaus (AM).

    O fungo destaca-se pela multifuncionalidade: atua no controle biológico de patógenos, inibindo nove diferentes espécies de agentes causadores de doenças em diversas culturas agrícolas; estimula o crescimento vegetal; e produz compostos naturais inéditos, ainda não descritos na literatura científica.

    Esses metabólitos exibem potente ação antimicrobiana, com eficácia superior a antibióticos comerciais em testes preliminares, abrindo perspectivas para aplicações na medicina humana, inclusive contra superbactérias.

    A nova espécie pertence ao gênero Trichoderma, amplamente reconhecido por suas propriedades benéficas em agroecossistemas.

    Os estudos iniciais ocorreram durante a tese de doutorado de Thiago Fernandes Sousa, defendida em 2025 no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sob orientação de Gilvan Ferreira da Silva, pesquisador da Embrapa.

    Segundo Thiago Fernandes Sousa, “o isolado foi extensivamente caracterizado durante a tese, e os dados morfológicos e filogenéticos sustentaram a proposição como nova espécie fúngica”.

    A notícia ganhou destaque nesta terça-feira (10/fev), com a publicação oficial no site da Embrapa, revelando o potencial contra pragas agrícolas e novas infecções. O fungo tem dupla funcionalidade na defesa de plantas e promoção de crescimento, além da produção de compostos biotecnológicos promissores.

    Essa conquista reforça o compromisso do Brasil com a pesquisa em biodiversidade, destacando o valor da Amazônia como berço de soluções inovadoras para desafios globais em sustentabilidade agrícola e saúde.

    A Embrapa continua investindo em bioprospecção, evidenciando que o conhecimento científico aplicado pode reduzir dependência de insumos químicos e posicionar o país como líder em bioinsumos.

    A Embrapa sob gestão federal passada

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sofreu durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022). O governo anterior foi marcado por ações que críticos, sindicatos e funcionários classificaram como uma política de desmonte, aparelhação ruralista e privatização disfarçada da estatal.

    A gestão anterior propôs cortes drásticos no orçamento da estatal e entre 2019 e 2020 houve propostas de redução que chegavam a 45% nas verbas de pesquisa e inovação, o que gerou alertas de inviabilização de atividades de pesquisa.

    Sob o comando da ministra Tereza Cristina, o governo trocou a presidência da Embrapa em 2019, visando aproximar a empresa do agronegócio exportador e reduzir o foco em áreas de pesquisa pública de longo prazo. A estratégia foi descrita como uma “privatização disfarçada“, incluindo planos de demissão voluntária, que contou com a adesão de cerca de 1,3 mil funcionários, além de terceirização de atividades-meio, venda de imóveis e fechamento de centros de pesquisa.

    Críticos apontaram que o governo tentou transformar a Embrapa em uma empresa focada quase exclusivamente na venda de tecnologias para o agronegócio, gerando preocupação sobre a perda de sua função social e de pesquisa básica. 

    Tereza Cristina chegou a garantir que privatizar a Embrapa não estava nos planos do governo e a empresa continuou funcionando, mas sob forte restrição financeira e reestruturação interna ao longo de 2020 a 2022. 

    A Embrapa sob Lula

    Sob o governo Lula, a Embrapa vive um cenário ambivalente. Em 2024, ela registrou um déficit orçamentário de aproximadamente R$ 200 milhões. A falta de verbas para custeio impactou projetos de pesquisa, levando a empresa a buscar parcerias com o setor privado para financiar estudos.

    Por este motivo, o governo Lula incluiu a estatal no Novo PAC, prevendo investimentos de cerca de R$ 1 bilhão até 2026. Esses recursos são destinados especificamente à modernização de laboratórios e construção de novas sedes, como as unidades em Maranhão.

    Em dezembro de 2025, o Congresso aprovou o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) 2026, que eleva o orçamento total da estatal para R$ 4,84 bilhões. O orçamento específico para pesquisas teve um aumento de 26,7% em relação à proposta original.

    Silvia Massruhá foi nomeada a primeira mulher a presidir a empresa. Lula tem enfatizado em discursos que a Embrapa é “patrimônio nacional” e pretende utilizá-la como vitrine tecnológica em viagens internacionais para abrir novos mercados.

    Recentemente, a estatal retomou sua presença na África, buscando ampliar a cooperação agrícola internacional e exportar tecnologias tropicais brasileiras. 

    Em geral, o governo Lula tenta reverter o que chama de “desmonte” anterior por meio de projetos de longo prazo, como o PAC e orçamento 2026, mas a estatal ainda luta para equilibrar as contas no curto prazo devido ao acúmulo de restrições financeiras dos anos anteriores. 

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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