Centrão vê no “escolhido” do preso e inelegível um fator para rachar candidaturas, enquanto o Presidente Lula se fortalece com a crise; herdeiro do condenado diz que só larga pré-candidatura se Jair estiver nas urnas
Brasília, 08 de dezembro 2025
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto está fragmentando ainda mais o campo conservador, forçando alianças improváveis e abrindo espaço para negociações no Centrão – bloco parlamentar que historicamente dita o ritmo do Congresso Nacional.
Segundo o senador fluminense, ele foi o “escolhido” pelo presidiário Jair Bolsonaro para sucedê-lo no tabuleiro eleitoral para 2026, mas, segundo o blog de Gerson Camarotti no g1, isso causou uma movimentação que impulsiona os herdeiros do condenado por tentativa de golpe de estado a ocupar o centro do palco, enquanto o Centrão resiste a apoiar o primogênito do clã.
Uma declaração exclusiva de Flávio Bolsonaro foi proferida em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record TV, ontem, onde o senador foi questionado pelo jornalista sobre o “preço” que ele havia anunciado antes para desistir da corrida presidencial.
“O meu preço é justiça. E não é só a Justiça comigo, é Justiça com quase 60 milhões de brasileiros que foram sequestrados, estão dentro de um cativeiro nesse momento, junto com o presidente Jair Messias Bolsonaro“, disparou Flávio, vinculando sua permanência na disputa à libertação do ex-presidente inelegível e sob restrições judiciais impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A narrativa, contudo, é a mesma: a de vitimização que permeia o bolsonarismo desde as eleições de 2022, quando Jair Bolsonaro alegou fraude nas urnas sem provas concretas.
Na sexta-feira (5/dez), Flávio anunciou publicamente que fora escolhido pelo pai como herdeiro político para 2026, em um movimento que gerou fissuras na família Bolsonaro e no Partido Liberal (PL).
Segundo a avaliação, o endosso do presidiário teria a função de parrar a “missão” ao filho mais velho, evitando assim um racha com o irmão Eduardo Bolsonaro, que sonha com uma candidatura própria.
Mas Flávio Bolsonaro patina contra o favorito e atual mandatário do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O herdeiro do condenado teve o pior desempenho entre nomes da direita – um sinal de que sua entrada pode pulverizar votos conservadores em vez de uni-los.
A vinculação à “justiça” alegada por Flávio ecoa demandas por anistia a apoiadores condenados nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando invasores do Congresso Nacional, STF e Palácio do Planalto foram enquadrados em crimes contra o Estado Democrático de Direito.
O senador insiste em não tratar sua candidatura como teste, prevendo “parar no dia da vitória“, enquanto o mercado financeiro vê na fragmentação da direita uma janela para reformas econômicas sob o atual governo.
O histórico familiar dos Bolsonaro é marcado por ambições políticas entrelaçadas com o rastro do pai, especialmente quando ele assumiu a Presidência em 2019.
Encerrados os mandatos iniciais de Flávio Bolsonaro, investigações como o caso das “rachadinhas” – suposto esquema de desvio de salários de assessores na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) – mancharam sua imagem, mas não o frearam.
Sua trajetória reflete o nepotismo velado no clã: enquanto Jair comandava o Executivo de 2019 a 2022, o primogênito e o Zero Três, que vive hoje nos EUA, ocupavam pastas chave, como Relações Exteriores e o Senado. Críticas de ex-aliados acusam a candidatura de ser uma “herança dinástica” que ignora bases mais radicais, preferindo um Flávio visto como moderado.
A jogada de Flávio pode ser o estopim para uma direita multipolar, mas o “preço da justiça” pode ser pago nas ruas ou nos tribunais, e não somente nas urnas como única opção – um dilema que o Centrão, atento, já começa a precificar.

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