Ministério da Justiça confirma formalização; especialista alerta para risco de detenção provisória via Interpol
O Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição de Alexandre Ramagem aos EUA, condenado a 16 anos por tentativa de golpe. Fugitivo desde setembro de 2025 via Guiana, o ex-deputado está em Miami. O STF, via Alexandre de Moraes, autorizou o processo. EUA analisam, mas crime político pode complicar. Fontes indicam possível Interpol.
Brasília (DF) · 28 de janeiro de 2026
O governo brasileiro avançou decisivamente no esforço para repatriar Alexandre Ramagem, condenado por tentativa de golpe de Estado.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (28/jan) que o pedido de extradição do ex-deputado federal pelo PL-RJ e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi formalmente apresentado aos Estados Unidos.
A solicitação, entregue pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado norte-americano em 30 de dezembro, reflete a determinação das autoridades em cumprir a sentença imposta pela Corte Suprema.
Ramagem, aliado próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi sentenciado a 16 anos, um mês e 15 dias de reclusão em regime inicial fechado por integrar a cúpula da trama golpista que visava subverter o resultado das eleições de 2022.
A condenação ocorreu em setembro de 2025, momento em que o ex-parlamentar evadiu-se do território nacional, desrespeitando ordem judicial que o impedia de deixar o país.
De acordo com investigações da Polícia Federal (PF), a fuga ocorreu por rota clandestina via fronteira com a Guiana, de onde seguiu para Miami, nos EUA, utilizando passaporte diplomático não apreendido previamente.
O relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, autorizou o processo extradicional em 15 de dezembro de 2025, citando o trânsito em julgado da ação penal e a evasão do distrito da culpa.
No ofício enviado à Corte, o Ministério da Justiça detalhou que a documentação, incluindo relatórios sobre as investigações e a sentença, foi transmitida por via diplomática, conforme o Tratado de Extradição entre Brasil e Estados Unidos.
Especialistas destacam um ponto sensível: os EUA podem interpretar o crime como político, o que complicaria a aprovação, avalia o g1, dado que tratados internacionais frequentemente excluem extradições por delitos dessa natureza.
Ramagem apresentou atestado médico à Câmara dos Deputados durante o julgamento, justificando ausência, mas prosseguiu com a fuga.
O ex-deputado integra a lista de foragidos, com possibilidade de inclusão na difusão vermelha da Interpol, o que facilitaria sua localização e detenção provisória.
O Ministério reiterou: “O pedido foi encaminhado acompanhado da documentação formalizadora, nos termos da Lei nº 13.445/2017.”
Enquanto o Departamento de Justiça dos EUA avalia o requerimento – sem prazo definido – fatores como relações bilaterais e o contexto político global influenciarão a decisão.
A evasão de Ramagem expõe vulnerabilidades no controle de fronteiras e passaportes especiais, gerando debates sobre reformas institucionais.

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