Análise revela inversão sem precedentes no fluxo migratório norte-americano, com perda líquida de 150 mil pessoas e sinais de aceleração em 2026
Washington, D.C. (US) · 26 de fevereiro de 2026
Em um marco demográfico que não se repetia desde os anos mais sombrios da Grande Depressão, os Estados Unidos experimentaram, em 2025, um saldo migratório negativo: mais residentes deixaram o país do que novos imigrantes chegaram.
A constatação, baseada em cálculos da Brookings Institution e em extensa análise de dados internacionais, foi detalhada na quarta-feira (25/fev) pela reportagem de Drew Hinshaw e Joe Parkinson no The Wall Street Journal.
“No seu 250º ano, a América, terra da imigração, está se tornando um país de emigração?”, questiona o texto, destacando que “mais pessoas se mudaram para fora do que para dentro”.
O fluxo de saída superou o de entrada em aproximadamente 150 mil pessoas, conforme estimativas da Brookings Institution.
A tendência, segundo as projeções, deve se intensificar em 2026.O The Wall Street Journal reuniu evidências de mais de 50 países — permissões de residência, compras de imóveis por estrangeiros, matrículas em universidades e outros indicadores — para mapear o fenômeno.
Apenas em 15 nações com dados parciais ou completos de 2025, pelo menos 180 mil americanos se estabeleceram, número que tende a crescer quando os relatórios finais forem divulgados.
A entrada total de imigrantes caiu para entre 2,6 milhões e 2,7 milhões, ante pico de quase 6 milhões em 2023.
Paralelamente, o Departamento de Segurança Interna registrou 675 mil deportações e 2,2 milhões de “autodeportações” em 2025, contribuindo para o saldo negativo.
A Brookings Institution, em atualização de janeiro, estima que a migração líquida ficou entre –295 mil e –10 mil no ano passado — a primeira vez em pelo menos meio século com resultado negativo.
Wendy Edelberg, Stan Veuger e Tara Watson, da Brookings Institution, observam que a contração decorre da forte redução nas entradas via programas humanitários, refugiados e fronteira sul, aliada ao aumento das remoções e saídas voluntárias.
“Estimamos que a migração líquida foi entre –10 mil e –295 mil em 2025, a primeira vez em pelo menos meio século que foi negativa”, afirmam.
O êxodo de cidadãos americanos — batizado informalmente de “Donald Dash” por alguns observadores — ganha contornos visíveis em destinos como Lisboa (onde americanos compram apartamentos em ritmo frenético), Dublin (um em cada 15 residentes do bairro Grand Canal Dock nasceu nos EUA), Cidade do México (crescente demanda por lares de idosos acessíveis) e Bali, Colômbia e Tailândia (onde protestos contra gentrificação já surgiram).
Especialistas citados pelo The Wall Street Journal apontam causas multifacetadas: salários americanos que compram qualidade de vida superior no exterior, fuga de custos elevados de moradia e saúde, busca por segurança (inclusive contra tiroteios escolares) e o trabalho remoto que permite “estender o dólar”.
“Antes, quem saía eram os super-aventureiros e altamente qualificados. Agora são pessoas comuns, como eu”, relata Jen Barnett, fundadora da agência de relocação Expatsi.
A Brookings Institution projeta que o padrão restritivo se mantenha ou se agrave em 2026, com migração líquida entre –925 mil e +185 mil, dependendo do cenário.
O impacto econômico já se faz sentir: menor crescimento da força de trabalho, consumo e PIB.

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