Durante sessão nesta quinta-feira (4/set), na CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (União-AL) “entrou em pane com a resposta e começou a gritar“, conforme relatou e mostrou o ativista político Vinicios Betiol
Brasília, 04 de setembro de 2025
Uma audiência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelou, nesta quinta-feira (4/set), uma bomba no caso das fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas.
A diretora de auditoria de previdência e benefícios da Controladoria-Geral da União (CGU), Eliane Viegas Mota (FOTO), confirmou que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro foi formalmente avisado em 2021 sobre irregularidades nos descontos indevidos em benefícios previdenciários.
A informação, publicada pelo cientista geopolítico e ativista progressista em sua conta no X, Vinicios Betiol, desencadeou uma reação explosiva do relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) (FOTO), alinhado ao ex-presidente, que teria “entrado em pane e começado a gritar” durante a sessão.
URGENTE: servidora da CGU acabou de confirmar que o governo Bolsonaro foi avisado em 2021 sobre a roubalheira no INSS. O relator bolsonarista da CPMI entrou em pane com a resposta e começou a gritar. pic.twitter.com/dO3jyOkycH
— Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) September 4, 2025
Segundo a servidora, as denúncias sobre os descontos ilegais, que somaram cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, foram levadas ao conhecimento do governo Bolsonaro, mas nenhuma medida concreta foi tomada para coibir o esquema.
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A CPMI do INSS, instalada em 2025 para investigar o caso, tem exposto uma guerra de narrativas entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a oposição bolsonarista.
Enquanto a base governista aponta a omissão do governo anterior, parlamentares alinhados a Bolsonaro tentam desviar o foco, responsabilizando a gestão atual pelo aumento dos valores desviados em 2023 e 2024.
A Polícia Federal (PF), por meio da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, revelou que entidades associativas e sindicatos realizavam descontos automáticos sem autorização dos beneficiários, lesando milhões de aposentados.
De acordo com a CGU, o esquema já era conhecido desde 2019, mas ganhou proporções alarmantes durante o governo Bolsonaro, especialmente após mudanças legislativas que facilitaram o credenciamento de entidades fraudulentas.
Uma dessas mudanças foi a sanção da Lei 14.438/2022, que eliminou a exigência de revalidação anual das autorizações de desconto, criando um “terreno fértil para fraudes institucionalizadas”, conforme afirmou o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em audiência no Senado.
A defensora pública Patrícia Bettin Chaves, da Defensoria Pública da União (DPU), reforçou em depoimento que as irregularidades eram debatidas desde 2019 em um grupo de trabalho com participação da CGU, do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU), mas não houve ações efetivas na gestão anterior.
A revelação da servidora da CGU na CPMI intensificou as críticas à condução do caso no governo Bolsonaro. O deputado Alencar Santana (PT-SP) acusou o senador Izalci Lucas (PL-DF) de prevaricação, alegando que ele levou denúncias ao então presidente eleito em 2018, sem que investigações fossem iniciadas.
A sessão da CPMI foi marcada por tensões, com o relator Alfredo Gaspar reagindo de forma exaltada à confirmação da servidora.
Parlamentares governistas, como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), destacaram que o governo Lula agiu rapidamente ao suspender os descontos em março de 2025 e já devolveu mais de R$ 1 bilhão aos aposentados lesados, além de bloquear R$ 2,8 bilhões em ativos dos fraudadores.
A CPMI do INSS segue como palco de embates políticos, com a oposição tentando desviar as acusações para a gestão atual, enquanto o governo reforça que o esquema foi desmantelado em sua administração.
A comissão aprovou recentemente um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a prisão preventiva de 21 suspeitos envolvidos no esquema, intensificando as investigações.







