Arquivos vazados nos EUA trazem conversas cifradas sobre líderes brasileiros no auge das eleições, acirrando o debate sobre as conexões internacionais do financista condenado por crimes sexuais
Brasília, 13 de novembro 2025
A recente divulgação de um vasto conjunto de e-mails do falecido financista americano Jeffrey Epstein, acusado e condenado por crimes sexuais e tráfico de menores, reacendeu a discussão sobre suas conexões com figuras políticas de alto escalão global.
Entre os milhares de arquivos liberados por parlamentares nos Estados Unidos, surgiram menções que envolvem os nomes dos líderes brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, ambas datadas de setembro de 2018, período crucial das eleições presidenciais no Brasil.
📞 A Suposta Ligação de Lula e Chomsky
Um dos e-mails de Epstein relata uma suposta ligação com o renomado linguista e ativista americano Noam Chomsky, com o então ex-presidente Lula na linha, diretamente “da prisão”.
A mensagem, curta e em inglês, é datada de 21 de setembro de 2018, época em que Lula estava detido na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba após condenação sem provas pelo então juiz Sergio Moro.

O contexto remete à visita que Chomsky fez a Lula na prisão, um encontro de amplo conhecimento público na ocasião. No entanto, a Secretaria da Presidência da República negou a veracidade da informação. Em nota, a pasta afirmou que a “citada ligação telefônica nunca aconteceu”.
O Comentário sobre Bolsonaro e as Eleições
Em outra troca de mensagens, um interlocutor não identificado de Epstein faz uma referência ao pleito brasileiro, afirmando: “Diga a ele que meu cara vai vencer a eleição no primeiro turno”.
Logo em seguida, em uma mensagem separada, o próprio Epstein escreve a frase: “Bolsonara [sic] the real deal” (que pode ser traduzida como “Bolsonaro é o cara” ou “o negócio/assunto de verdade”), sugerindo apoio ou interesse na candidatura de Jair Bolsonaro, conforme mostra a Folha de S. Paulo.
🏛️ O Contexto da Divulgação e a Pressão Política nos EUA
A liberação desses documentos faz parte de uma intensa pressão política nos Estados Unidos, principalmente de membros do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes.
Enquanto os republicanos divulgam arquivos que citam Lula e Bolsonaro, a ala democrata tem liberado e-mails que sugerem uma relação mais próxima entre Epstein e o ex-presidente americano Donald Trump, levantando questões sobre o conhecimento de Trump sobre os abusos sexuais cometidos pelo financista.
O caso Epstein está intrinsicamente ligado à política americana, com acusações e teorias da conspiração sobre figuras como Trump, Bill Clinton e o Príncipe Andrew da Inglaterra, servindo frequentemente como arma em disputas partidárias, onde a menção a nomes de impacto global, como os líderes brasileiros, é usada para ampliar a repercussão e a relevância das divulgações.
🔍 O Histórico do Caso e a Relevância do Eixo EUA-Brasil
As menções a Lula e Bolsonaro em 2018 se inserem em um momento de polarização extrema no Brasil, com a eleição de Jair Bolsonaro. Este período também foi marcado por uma forte conexão entre a política brasileira e figuras americanas, notadamente Donald Trump, que expressou apoio a Bolsonaro.
Enquanto os e-mails de Epstein podem ser vagos ou não confirmados, eles se somam ao cenário mais amplo das relações internacionais e das teorias de influência global que cercam o caso.
A menção de Epstein sobre a política sul-americana, inclusive, inclui uma frase depreciativa sobre a região, dizendo: “Não sei por que [os países] são tão sujos, visto que há tantas empregadas domésticas” .
A inclusão dos líderes brasileiros nos “Arquivos Epstein” – independentemente da gravidade ou da veracidade das citações – garante que o escândalo de tráfico sexual e abuso de menores perpetrado por Epstein continue a ser uma pauta global, unindo o debate sobre moralidade e poder nos Estados Unidos a figuras centrais da política sul-americana.
É crucial entender que não há nenhuma informação, nos documentos divulgados de Jeffrey Epstein, que sugira ou comprove que ele queria “vender mulheres” para Luiz Inácio Lula da Silva ou Jair Bolsonaro.
As menções são muito mais sobre interesse político e conexões de terceiros do que qualquer envolvimento direto com os crimes sexuais pelos quais Epstein foi acusado e condenado.
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