Filho do condenado enfrenta julgamento por pressões internacionais contra a Justiça do Brasil buscando livrar o pai da sentença por crimes contra a democracia
Brasília, 14 de novembro 2025
A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta sexta-feira (14/nov) para aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu pelo crime de coação no curso do processo.
Acusado de articular sanções econômicas nos Estados Unidos junto ao governo de Donald Trump para intimidar ministros do STF durante o julgamento da suposta trama golpista de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), o parlamentar enfrenta agora um processo que pode redefinir limites entre diplomacia e interferência judicial.
Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes destacou em seu voto que as ações de Eduardo visavam criar um ambiente de intimidação sobre as autoridades responsáveis pelo veredito que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e outros delitos graves.

A denúncia, movida pela PGR, baseia-se em evidências como mensagens extraídas do celular de Jair Bolsonaro e declarações públicas de Eduardo, que, desde março exilado nos EUA sob alegação de perseguição política, admitiu publicamente pressionar por tarifas de 50% sobre exportações brasileiras e aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades nacionais.
Ministros como Flávio Dino e Cristiano Zanin acompanharam o relator, consolidando o placar de 3 a 0 em plenário virtual que se estende até 25 de novembro, aguardando apenas o voto de Cármen Lúcia.
A defesa, representada pela Defensoria Pública da União (DPU), argumenta que se trata de liberdade de expressão em articulações políticas legítimas, sem poder real de impor sanções – mas o STF vê indícios suficientes de autoria e materialidade para prosseguir com instrução probatória, ouvindo testemunhas e colhendo provas.
Essa decisão inédita expõe as fissuras no tecido democrático brasileiro, onde influências externas colidem com a soberania judicial, e pode pavimentar precedentes para casos de interferência transnacional.
Com Eduardo Bolsonaro respondendo à revelia nos EUA, o caso ganha contornos globais, questionando até onde vão as lealdades familiares em meio a accountability institucional.
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