A carência que comanda: uma jornada pela fragilidade emocional e estratégias políticas de um deputado em crise | Por: ROBERTO REIS
Brasília, 06 de outubro 2025
Eduardo Bolsonaro nasceu sob holofote e coturno.
— Roberto Reis (@RobertoReis) October 6, 2025
Cresceu num ambiente onde a aprovação do pai valia mais que seu boletim, diploma ou realidade.
Essa é a verdade.
Não era sobre aprender, como qualquer criança.
Era sobre agradar o pai.
Dentro de casa, a régua era simples: quem… pic.twitter.com/0Vj4r7r8j6
Por: Roberto Reis
Eduardo Bolsonaro nasceu sob holofote e coturno
Cresceu em um ambiente onde a aprovação do pai valia mais que seu boletim, diploma ou realidade. Essa é a verdade. Não era sobre aprender, como qualquer criança. Era sobre agradar o pai. Dentro de casa, a régua era simples: quem fala alto manda; quem quer carinho obedece. Eduardo aprendeu cedo essa fórmula de sobrevivência emocional: sempre caçou elogio, como quem caça ar. E quando o elogio não vem de casa, ele busca fora. Ele tem uma dependência emocional fortíssima por aprovação.
Avança para a vida pública
Deputado por São Paulo, voto de avalanche, recorde, peito estufado. Sua melhor fase. E o resto você conhece: cada microfone virava uma armadilha que ele mesmo armava.
Sempre, sempre na busca de aprovação
Propõe o que não cabe na Constituição, promete o que o governo nunca poderia fazer, canta vitória antes da batalha no YouTube e serve munição para a imprensa com o zelo de um garçom atencioso. São cortes de vídeos (soldado e um cabo), fotos do pai conversando com ele ao telefone.
O pai, para evitar incêndio, sempre tentou apagar o filho em público
Foi assim mais de uma vez. Quando não desautorizava, esfriava pelo menos. O entorno do Jair não me deixa mentir. E quando Messias não o esfriava, manda calar mesmo, era o jeito! É o “garoto” tratado como “garoto” mesmo já adulto, ao vivo e em rede nacional. Mas há um problema nisso. Isso humilha. Isso marca. Isso cria um buraco enorme no Eduardo.
Vem a fase do deslumbramento diplomático
O sonho de Washington. O quase embaixador. A ideia nasce mimada e morre ridicularizada. O Senado mexe a sobrancelha, o corpo diplomático enruga a testa, o país inteiro percebe o óbvio: faltava lastro, sobrava sobrenome. Recuo com gosto de derrota e uma culpa injusta direcionada ao pai. O carimbo de nepotismo cola e não sai com água e sabão, mas deixa uma cicatriz enorme. Mais um lembrete de que, sem o pai segurando na mão, o mundo é hostil para o Eduardo.
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Depois, a síndrome do porrete
A fala do AI-5, aquela bravata que uniu contra ele quem nunca concorda em nada. Porta fechada, dedo em riste, nota de repúdio de todo lado. E de novo o roteiro doméstico: o pai manda esquecer, o filho recua, pede desculpa atravessada, tenta recontar a frase como se fosse mal entendida. Não foi. O país entendeu. E guardou de novo.
Em seguida, a geopolítica de meme
Cutuca a China em plena pandemia, arruma confusão com quem vende o remédio, assusta até aliado militar. Apaga postagem, finge que não foi nada, paga o preço em silêncio. O jogo institucional vai seguindo, e Eduardo vai perdendo dentro de casa: perde espaço, perde confiança, perde paciência e, em certa forma, o direito de falar em nome do pai. Vira o que sempre foi e não aceitava ser: UM RUÍDO CARO.
Chega o pós-derrota presidencial
O movimento radical precisa de voz de novo, Eduardo quer ser a voz por iniciativa própria. O país vira campo minado, as instituições reagem, o filho radicaliza mais. No meio do caos, a família trinca. Vazamentos expõem o teatro íntimo: o pai chama de imaturo, vagão, o filho explode, xinga, ameaça tudo, todos, aliados. O pai não consegue mais ensinar lição. É o drama doméstico no palco do Jornal Nacional. Quem olha de fora enxerga um menino pedindo atenção, com granada na mão.
E aí vem o pior capítulo americano
Licença do mandato, malas prontas, fuga para o conforto ideológico da Flórida. Missão autoproclamada: salvar o pai atacando o Brasil. Procura republicano, procura foto, procura manchete, mas, na verdade, procura o de sempre: APROVAÇÃO. Tenta importar sanção, tenta humilhar ministro, tenta forçar país estrangeiro a torcer o nosso braço. Um deputado eleito trabalhando contra seu próprio país. Vejam que coisa surpreendente, ninguém aprova isso aqui dentro. É a prova química de que a carência virou projeto. “Se o Brasil não me aplaude, que me aplaudam lá fora”.
Se a família me corta, eu arranjo outra.
E A OUTRA FAMÍLIA SE CHAMA PAULO FIGUEIREDO
Entra em cena o gordinho baixinho. O único que nunca diz não para o Eduardo. O único que chama de gênio quando o mundo ri. O único que dá palco, roteiro e claque. O amiguinho imaginário que elogia a cada novo vídeo no YouTube.
Assistam “Paulo Figueiredo Show e me digam se estou mentindo”. Enquanto a família critica, Paulo elogia. Enquanto a imprensa bate, Paulo afaga. Enquanto os aliados pedem prudência, Paulo sopra “vai, está brilhando meu príncipe”. É o primeiro a transformar fiasco em estratégia, derrota em astúcia, isolamento em martírio. Eduardo, faminto de validação, encontra enfim um banquete. E se senta aliviado. Daqui para frente, tudo fica transparente até para cego. Palavras do partido, de amigos, da opinião pública e da própria família.
Eduardo não decide seu drama, reproduz Paulo e suas ideias de neto de Ditador
Não lidera, ecoa. Não manda, obedece. O léxico, a tática, a pauta, o tom, a birra, a ameaça ensaiada, tudo vem de uma usina só. O deputado vira um legítimo avatar de Paulo Figueiredo e todo mundo percebe.
A esposa percebe, o Jair percebe
Mas ambos estão “presos” e com opinião isolada, cada um a sua maneira. Paulo escreve. Eduardo assina. A dupla atravessa a fronteira do aceitável com alegria de debutantes. O elogio funciona como anestesia e como vício do Eduardo. É nítido como Figueiredo age como dopamina política do Dudu. Cada aplauso de Paulo desliga o superego e acelera o id. Quando o pai chama de imaturo, dói. Quando Paulo chama de herói, sara instantaneamente.
Você quer as razões profundas?
Elas não são tão misteriosas. Psicologia básica: quem apanha de quem ama corre desesperadamente para quem afaga. Dependência de reforço positivo. Criança não guardada vira adulto carente. Some a isso isolamento social, perda de prestígio, investigações, e um entorno que só entrega bronca. O cérebro busca alívio. Alguém oferece elogio industrial em cápsulas diárias no YouTube e nas Redes Sociais. Pronto. Cadeado fechado. A chave fica com quem faz carinho. Sociologia elementar: quando a tribo expulsa, o exilado gruda no primeiro pajé que promete retorno em glória. Paulo vende glória, mesmo que o Eduardo saiba que é ilusória, ele se alivia nisso. Vende missão, vende redenção, vende palco em inglês e selfie com figurão na Casa Branca. É um vício incontrolável. O pacote vem com narrativa para engolir qualquer absurdo: se der certo, foram estratégicos; se der errado, foram perseguidos e injustiçados. Não tem derrota, tem prova de fidelidade entre ambos. É música para ouvidos carentes. E há a mecânica do poder, sempre impiedosa. O pai envelhece, o espaço rareia, os caciques querem ordem, a base quer pragmatismo. O príncipe precisa de reino e… não tem. Paulo oferece um “reino” paralelo, mesmo que virtual, feito de estúdio, recortes de vídeo e promessas do norte.
O custo é simples: obediência
E Eduardo paga com prazer
O resultado prático é grotesco e óbvio: um parlamentar brasileiro fazendo lobby contra o próprio país enquanto se vende como guardião da pátria. Mas o mandato vai acabar, a elegibilidade e o dinheiro também. O retrato é este. Sem filtro: o fim chegará e nem Figueiredo, com toda a sua astúcia, conseguirá disfarçar.
Veja bem, todos já perceberam
Até quem finge que não viu (como o Valdemar da Costa Neto, o Tarcísio, os outros governadores que buscam apoio de Bolsonaro, o Flávio e o próprio Jair: Eduardo não manda em nada nessa empreitada). PAULO SIM, faz o que quer.
Quem opera tudo é o Paulo
O filho virou um instrumento porque precisava de dono. O elogio foi o laço, a carência foi o nó. Quando alguém perguntar por que ele obedece tanto, a resposta é indecente de tão simples: porque ali, pela primeira vez, ele é amado. De verdade ou por conveniência, ali ele encontrou o amor que sempre buscou. E por isso entrega tudo. Família, país, reputação, futuro. Entrega rindo, delirando.
A tragédia é íntima, mas a farsa é pública
Só há uma maneira de Eduardo se libertar dessa prisão que não é jurídica: olhar de novo com total prioridade para a esposa e os filhos. Eles amam Eduardo de verdade. Dá tempo de consertar? Não sei. Mas essa é a ÚNICA direção possível. Só um amor genuíno sobrepõe um amor de interesses. Paulo é um sequestrador psicológico que entendeu bem a fraqueza do Eduardo. Se libertar de Figueiredo é um bom começo. Buscar aprovação em quem lhe oferece de graça, genuinamente, sem pedir nada em troca. O Brasil assistirá mais alguns capítulos sobre isso. Será que teremos alguma reviravolta? Vejamos.
Este é o texto completo e fiel da postagem de Roberto Reis, exatamente como foi publicado.








Desculpem, o escritor “romancista” é Roberto Reis e não Paulo Figueiredo.
É um romance, uma novela, um folhetim dantesco? Resta saber qual é o papel do Paulo Figueiredo no trio amoroso.
Eduardo ficará com a esposa? 🤔. Ele conseguirá se safar da prisão e ficar com o amante? O romancista conseguirá fazê-lo subir a rampa, já que só falta chamá-lo de herói não compreendido?
Vejamos os próximos capítulos desse drama meloso e grudento.
Paulo Figueiredo faz palestras para empresários e demais direitistas e também escreve para “O antagonista”, entre outros jornaizinhos suspeitos. 🤨
Muito boa análise! Desejo que o Paulo Figueiredo roa até os ossos dele.😁😁😁
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