|
O conceito do direito de ser esquecido começou a ser discutido pela União Europeia (UE) a partir de 2011 até os últimos anos. Finalmente, no dia 13 de maio deste ano, a Corte Européia de Justiça o transformou em lei. O conceito resulta da vontade de um indivíduo para determinar o desenvolvimento de sua vida de forma autônoma, sem ser perpetuamente ou periodicamente estigmatizado como conseqüência de uma ação específica realizada no passado. A partir deste pensamento, todos os usuários têm o direito de pedir à empresa americana Google que remova de seu mecanismo de busca resultados que apresentem informações pessoais desatualizadas ou imprecisas. O processo foi motivado pelo caso de um cidadão espanhol que recorreu à Justiça para apagar resultados de buscas online por seu nome. Mario Costeja González solicitou a remoção de um link para um artigo digitalizado de 1998, em La Vanguardia, sobre o leilão de sua casa, o qual encerrou-se após a quitação de sua dívida posteriormente. Inicialmente, ele tentou remover o artigo reclamando à Agência de Proteção de Dados espanhola, que rejeitou o pedido alegando que era lícito e preciso, mas aceitou uma queixa contra o Google e pediu ao Google para remover os resultados. O tribunal decidiu, no caso Costeja. que os motores de busca são responsáveis pelo conteúdo para o qual apontam e, assim, a Google foi obrigada a cumprir as leis de privacidade de dados da UE. Somente no dia 30 de maio deste ano, o motor de busca mais popular recebeu 12.000 pedidos de retirada de dados pessoais. Segundo a corte, o Google e outras ferramentas de busca têm o controle sobre informações privadas dos indivíduos, uma vez que compilam e apresentam links relacionados à pessoa de forma sistemática. A corte também considerou que, de acordo com a legislação européia, indivíduos têm o direito de controlar seus dados pessoais, especialmente se não forem figuras públicas. |
|
Portanto, se quiserem que informações irrelevantes ou equivocadas sobre si mesmos sejam “esquecidas” por mecanismos de busca, os usuários têm o direito de solicitar a exclusão dos links. A decisão surpreendeu a comunidade, pois o advogado-geral da Corte Europeia de Justiça havia argumentado, em 2013, que a Google não seria responsabilizada pelas informações dos sites que apenas aparecem nos resultados das suas buscas. A empresa comentou que não deveria ser forçada a desempenhar o papel da censura. Há uma discussão sobre a viabilidade da elevação do direito a ser esquecido para o status de direito humano devido à imprecisão do conceito. Existem preocupações sobre seu impacto sobre o direito à liberdade de expressão, de sua interação com o direito à privacidade , e se a criação de um direito a ser esquecido diminuiria a qualidade da internet por meio de censura e uma reescrita da história. Em 1995, a União Européia adotou a Diretiva Européia de Protecção de Dados para regular o tratamento de dados pessoais por empresas internacionais atuantes na região, que é agora considerado um componente de direitos humanos. Mas o direito de ser esquecido, apesar de reconhecido na lei francesa em 2010, ainda não foi aceito como um direito humano universal. Ele é diferente do direito à privacidade, pois este constitui informação que não é de conhecimento público, ao passo que o primeiro envolve a remoção de informação que foi conhecida publicamente. Existem muitos destes casos, como por exemplo o de Wolfgang Werlé que foi condenado pelo assassinato de Walter Sedlmayr na Alemanha. Seus advogados enviaram uma carta ao Wikimedia Foudation em 27 de outubro de 2009 solicitando que o nome do assassino fosse removido do idioma inglês do site Wikipedia, citando uma decisão do Tribunal Constitucional Federal de 1973 que permite a supressão do nome de um criminoso em publicações a partir de sua liberação da prisão. O Wikimedia tem sua base nos Estados Unidos, país que possui uma Constuituição protetora da liberdade de expressão e de imprensa. Por isso, há opositores ao reconhecimento do direito de ser esquecido argumentando que tudo viraria uma grande censura. As principais críticas derivam da idéia de que o direito a ser esquecido seria restringir o direito de liberdade de expressão.
|
|
|
|
|

