Fissuras ocorrem no bloco conservador enquanto senador invoca fé, imitando o pai antes da eleição de 2018, despertando sarcasmos e debates sobre oportunismo
Brasília (DF) · 26 de janeiro de 2026
O apoio do espectro direitista à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República permanece nebuloso, conforme alertou Marcos Pereira, presidente dos Republicanos e expoente do Centrão. Ele delineou um panorama de fragmentação:
“Quando você diz que a direita fecha com o Bolsonaro, com o Flávio Bolsonaro, não está tudo certo ainda. O Caiado, o governador de Goiás, tem dito que vai ser candidato, o Romeu Zema, de Minas, tem dito que vai ser candidato, o Ratinho está sinalizando que pode ser candidato. Eu acho que ainda não está fechado; pelo contrário, está dividido”, disse, segundo o Metrópoles desta segunda-feira (26/jan).
O líder defendeu a avaliação de alternativas, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), sublinhando que Flávio Bolsonaro conta, por ora, apenas com o endosso público de sua agremiação, o Partido Liberal.
Essa incerteza ganha contornos mais agudos em meio a atritos recentes. Na semana anterior, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), questionou a sucessão de Jair Bolsonaro (PL) e criticou a ausência de apoio explícito do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), a Flávio.
Em retaliação, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) classificou Tarcísio como mero servidor público beneficiado pelo clã familiar, o que provocou uma réplica contundente de Pereira: “Achei uma fala extremamente deselegante e arrogante. Ele disse que Tarcísio é apenas um servidor público, e ele também é apenas um escrivão da Polícia Federal fugitivo, está foragido nos Estados Unidos”.
Apesar das tensões, Flávio busca atrair o Centrão para robustecer sua postulação, em um contexto onde divisões podem diluir o voto conservador.
Paralelamente, a recente peregrinação de Flávio Bolsonaro a Israel injetou um elemento simbólico e controverso à sua trajetória. Na quinta-feira (22/jan), o senador renovou seu batismo nas águas do Rio Jordão, acompanhado da esposa Fernanda Bolsonaro e de um pastor, em ato que ecoa a jornada de seu pai em 2016.
Flávio compartilhou nas redes: “Hoje renovei minha aliança com Deus, mergulhando no Rio Jordão, em Israel!”
A viagem, que inclui participação na Conferência Anual de Combate ao Antissemitismo em Jerusalém – com presença prevista de Benjamin Netanyahu –, prosseguiu com orações no Muro das Lamentações.
Contudo, o gesto gerou rebuliço entre críticos da esquerda, que o interpretam como manobra eleitoral para cortejar o eleitorado evangélico. O “microempreendedor, petista e sonhador que um dia o Brasil será grande”, conforme sua bio na plataforma de microblog X, afirmou que os Bolsonaros são “a família mais demagoga que existe“:
Em postagem no Facebook, o jornalista Enock Cavalcanti rotulou o episódio como “religião como ópio do povo”, acusando Flávio de encenar para “patriotários”.
Comentários alinhados, como “Simplesmente patético!” de usuários, e ironias sobre o destino familiar – aludindo à prisão de Jair Bolsonaro – amplificaram a polêmica.
Reportagem do ICL Notícias contextualiza que Flávio já se batizara no Jordão em 2016, e agora reitera: “Mais uma vez sigo os passos do meu pai, assim como espero que um dia minhas filhas sigam os meus e os da minha esposa. Para salvar o Brasil, não há caminho possível longe de Deus. Que Deus abençoe todos aqueles que estão caminhando com muito sacrifício pela libertação do nosso Brasil”
Essa fusão de fé e política, segundo analistas, visa pavimentar uma plataforma conservadora, mas expõe vulnerabilidades ante acusações de oportunismo.
Enquanto Tarcísio sinalizou, na sexta-feira (23/jan), disposição para “trabalhar muito em prol” de uma chapa com Flávio, sem pressões do ex-presidente, o quadro sugere uma direita em ebulição, com potenciais candidaturas paralelas ameaçando a unidade.
Essa dinâmica pode reconfigurar alianças rumo a 2026, onde o simbolismo religioso de Flávio tanto atrai quanto repele.

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