Miguel Díaz-Canel afirmou à NBC News, em sua primeira entrevista a uma emissora americana desde 1959, que “renunciar não faz parte do nosso vocabulário”. O presidente de Cuba rejeitou pressões de Washington por mudança de regime e reafirmou a soberania da ilha em meio a negociações com o governo Trump. A declaração reacende o debate sobre autodeterminação e o legado da Revolução Cubana // Imagem reprodução |9.4.2026| NBC News
Havana (CU) · 10 de abril de 2026
Miguel Díaz-Canel reafirmou, em entrevista concedida à NBC News, que não renunciará ao cargo de presidente de Cuba mesmo sob pressão dos Estados Unidos.
A declaração ocorreu durante a primeira entrevista que um líder cubano concede a uma emissora americana desde 1959, transmitida parcialmente na quinta-feira (9/abr) pelo programa Meet the Press.
“Renunciar não faz parte do nosso vocabulário”, respondeu Miguel Díaz-Canel à jornalista Kristen Welker quando questionado se estaria disposto a deixar o poder para “salvar” a ilha.
O mandatário cubano enfatizou que os líderes de Cuba não são escolhidos por Washington e que o país goza de “Estado livre e soberano”.
De acordo com o portal oficial Cubadebate, a conversa reforça a disposição de Havana para diálogo “sem condições ou tentativas de intervenção”.
A agência Prensa Latina destacou a mesma frase como resposta direta às exigências recentes da administração Trump.
Já a AP News registrou o tom irritado do presidente ao comparar a pergunta com possíveis questionamentos a líderes americanos.
Retrospectiva deste caso
O episódio surge em meio a negociações bilaterais iniciadas recentemente entre Cuba e os Estados Unidos. No sábado (5/abr), Miguel Díaz-Canel recebeu congressistas democratas norte-americanos e criticou o impacto do bloqueio econômico.
A entrevista à NBC News acontece enquanto Washington intensifica cobranças por mudanças políticas, mas Havana mantém a linha de diálogo respeitando a autodeterminação do povo cubano.
Cuba e a Revolução
A atual postura de firmeza remete diretamente ao espírito da Revolução Cubana de 1º de janeiro de 1959, quando forças lideradas por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e outros derrubaram a ditadura de Fulgencio Batista.
A vitória popular instaurou um projeto de justiça social que priorizou educação, saúde e soberania nacional, enfrentando desde então o cerco econômico imposto pelos Estados Unidos.
Ao longo das décadas, Cuba resistiu a invasões, atentados e isolamento, transformando-se em símbolo de autodeterminação para povos que defendem o direito de escolher seu próprio caminho.
A soberania nacional e a democracia participativa construídas desde então continuam a guiar as posições do governo atual, que vê no bloqueio econômico uma tentativa de interferência externa.
A declaração de Miguel Díaz-Canel reafirma esse legado: líderes eleitos pelo povo cubano não se submetem a ditames estrangeiros, reforçando o compromisso com a independência e a justiça social conquistadas há mais de seis décadas.

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