Legado inexplorado do ícone da música ganha vida em exposição inovadora no Victoria and Albert Museum
Londres, 08 de setembro de 2025
Uma descoberta surpreendente veio à tona nos arquivos pessoais de David Bowie, revelando seu projeto final secreto: um musical ambientado na vibrante e caótica Londres do século 18, intitulado The Spectator.
As anotações, encontradas trancadas em seu escritório em Nova York após sua morte em 2016, estavam desconhecidas até mesmo para seus colaboradores mais próximos e foram recentemente doadas ao V&A Museum, segundo a BBC News do Reino Unido.
Esses documentos, que incluem post-its e um caderno, destacam o fascínio de Bowie pela arte, sátira, crime e figuras históricas da era, como o ladrão “Honest” Jack Sheppard e o “caçador de ladrões geral” Jonathan Wild.
O projeto reflete a ambição de longa data do artista de escrever para o teatro, como ele confidenciou em uma entrevista à BBC Radio 4 em 2002 com John Wilson: “Logo no começo, eu queria muito escrever para teatro“.
Inspirado no contraste entre a sociedade efervescente e os crimes notórios da época, o musical incorporava ideias como os tumultos de Gordon, ataques dos Mohocks a um personagem central e resumos de ensaios do periódico The Spectator (1711–1712), com Bowie pontuando textos e sugerindo subtramas potenciais.
Artistas como Joshua Reynolds e William Hogarth, além do político Robert Walpole, também aparecem nas notas como influências.
A curadora principal, Madeleine Haddon, enfatiza o impacto cultural: “Estou muito animado para ver o impacto que isso terá na próxima geração de músicos, artistas, designers e criadores de todos os tipos.”
Esses materiais serão exibidos no V&A East Storehouse, em Hackney Wick, que abre suas portas em 13 de setembro, ao lado de 90.000 outros artefatos do arquivo de Bowie, incluindo sua mesa de trabalho.
O local, parte do David Bowie Centre, permitirá acesso público por agendamento, promovendo uma imersão no processo criativo do ícone.
O historiador Prof Bob Harris, da University of Oxford, contextualiza o interesse de Bowie: “Londres, naquela época, era uma cidade tão emocionante, vibrante e diversa.” Ele aponta para a justaposição entre a alta sociedade e o submundo criminal, elementos que ecoam temas recorrentes na obra do músico, como vistos em sua turnê Station To Station de 1976.
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Haddon sugere que Bowie traçava paralelos entre o Iluminismo e contextos políticos modernos, especialmente em 2015, explorando o papel da arte na sátira e na transformação social.
Em uma matéria publicada no The Guardian no domingo (7/set), especialistas destacam como a doação impulsiona pesquisas acadêmicas sobre o legado teatral de Bowie, com planos para workshops interativos no museu.
O The New York Times observa que fãs e historiadores debatem se o projeto poderia ser adaptado para produção moderna, citando o potencial de The Spectator para abordar questões contemporâneas de desigualdade urbana.
Uma reportagem da revista Rolling Stone, do sábado (6/set), revela um áudio inédito de Bowie discutindo ideias teatrais, que foi descoberto junto às notas, adicionando camadas à narrativa.
A NME menciona parcerias com artistas atuais para recriar elementos do musical em performances ao vivo durante a inauguração, ampliando o alcance do arquivo para além de exibições estáticas.
Essa revelação não só ilumina aspectos inexplorados da genialidade de Bowie, mas também posiciona o V&A Museum como epicentro de inovação cultural, convidando o público a refletir sobre como o passado inspira o futuro da arte.







