Ministro do Turismo enfrenta pressão partidária, mas aposta no apoio do presidente para se manter no cargo e viabilizar ambições eleitorais em 2026
Brasília, 03 de setembro de 2025
O ministro do Turismo, Celso Sabino, comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua intenção de permanecer no governo, mesmo diante de um ultimato do União Brasil, que exigiu sua saída da gestão petista em até 30 dias.
A decisão do partido, formalizada em conjunto com o PP, reflete uma tentativa de romper com o governo Lula e se alinhar a uma agenda de oposição, mirando possíveis alianças com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para as eleições de 2026.
Apesar disso, Sabino busca apoio do Planalto para manter sua posição e fortalecer suas pretensões eleitorais no Pará, onde planeja concorrer ao Senado, conforme mostra O Globo.
Durante um almoço no Palácio da Alvorada, Lula reforçou a importância de lealdade e defesa do governo por parte dos ministros do União Brasil, sinalizando apoio a Sabino.
O ministro, que tem focado sua agenda em eventos como a preparação para a COP 30 em Belém, argumenta que sua permanência é essencial para cumprir compromissos, como a entrega de infraestrutura turística para o evento climático.
Em recente visita à cidade, Sabino garantiu que “ninguém ficará sem quarto” para a conferência, destacando a ampliação de leitos com novos hotéis e navios de cruzeiro.
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A pressão do União Brasil sobre Sabino se intensificou após críticas do presidente Lula ao líder do partido, Antonio Rueda, que respondeu afirmando que “na democracia, o convívio institucional não se mede por afinidades pessoais”.
A decisão do partido também é influenciada por governadores como Ronaldo Caiado (Goiás) e Mauro Mendes (Mato Grosso), que cobram maior independência do governo petista.
No entanto, aliados de Lula avaliam que o ultimato é um “blefe” para agradar setores bolsonaristas, e acreditam que Sabino e o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), resistirão à pressão, contando com o apoio do presidente para suas candidaturas regionais.
Sabino continua negociando com o Planalto e o União Brasil para encontrar uma solução que evite sua expulsão do partido.
A decisão do União Brasil e do PP foi precipitada pelas cobranças de Lula por maior defesa do governo, o que gerou desconforto entre as cúpulas partidárias.
A articulação do Planalto, liderada pela ministra Gleisi Hoffmann, tem minimizado a crise, exigindo fidelidade dos ministros que optarem por permanecer.
A situação de Sabino também reflete disputas internas no Centrão. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, pressiona para assumir o Ministério do Turismo, indicando o deputado Pedro Paulo (RJ), enquanto Lula sinaliza preferência por manter Sabino na pasta.
A permanência de outros indicados do União Brasil, como Waldez Góes (Integração Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações), apadrinhados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não deve ser afetada, já que não são filiados ao partido.







