Reviravolta política em Brasília marca resistência ao ultimato do União Brasil e reforça alianças para eleições de 2026 no cenário nacional
Brasília, 04 de outubro de 2025.
O ministro do Turismo, Celso Sabino, reverteu sua decisão de deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após receber forte respaldo de 46 dos 59 deputados da bancada do União Brasil na Câmara dos Deputados.
A notícia, confirmada na sexta-feira (4/out), chega como um alento em meio à tensão partidária que dominou as últimas semanas, destacando as fissuras no Centrão e as jogadas estratégicas para 2026.
Tudo começou no final de setembro, quando o União Brasil emitiu um ultimato drástico: filiados tinham 24 horas para abandonar cargos no Executivo federal, sob risco de expulsão por infidelidade.
Pressionado pela cúpula da legenda, liderada por Antonio Rueda, Sabino – eleito deputado federal pelo Pará – comunicou pessoalmente a Lula, em reunião no Palácio da Alvorada, sua saída iminente.
Ele até entregou uma carta de demissão em 26 de setembro, adiando o adeus para cumprir agendas, como a viagem ao Pará ao lado do presidente para inaugurar obras no Parque Linear da Nova Doca.
Na ocasião, Sabino não poupou elogios: “O seu governo é responsável pelo recorde de faturamento e pelo maior número de empresas criadas na atividade turística no Brasil”.
E prometeu lealdade: “Conte comigo onde quer que eu esteja para lhe apoiar e segurar sua mão”.
Mas o vento político mudou rápido. Nos bastidores, Sabino articulou com aliados na Câmara, ganhando o apoio maciço da bancada – um recado claro de que a base nem sempre engole as ordens da executiva.
“A tendência é que o ministro continue na Esplanada”, apurou o Estadão, apontando para uma disposição crescente do Centrão em se aproximar de Lula rumo às eleições de 2026, apesar das cúpulas partidárias flertarem com nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O g1 registrou que, mesmo com o ultimato, Sabino seguiu como ministro em agendas recentes, resistindo à pressão e adiando a exoneração com argumentos sobre compromissos inadiáveis, como os preparativos para a COP30 em Belém.
Essa reviravolta não é isolada. O União Brasil acelerou o desembarque em setembro após reportagens sobre supostas ligações de Rueda com investigações da Polícia Federal envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) – acusações negadas pela sigla, que apontou o dedo para o governo como autor de uma suposta retaliação.
O O Globo detalhou que Sabino, uma das poucas vozes pró-Lula no partido, chegou a cogitar filiação ao MDB para viabilizar sua permanência e candidatura ao Senado pelo Pará, mas as negociações emperraram.
Já a CartaCapital enfatizou a solidão inicial do ministro, que passou dias negociando em vão antes de ganhar o fôlego da bancada.
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Para o governo, a permanência de Sabino é um trunfo: ele comanda um ministério vital para eventos globais como a COP30, que colocará Belém nos holofotes mundiais, impulsionando o turismo paraense – reduto eleitoral do ministro.
Auxiliares de Lula veem nisso um sinal de que o Centrão pode se dividir, beneficiando o petista em 2026.
“Nada, nem partido político, nem cargo ou ambição pessoal, vai me afastar desse povo que eu amo”, declarou Sabino em Belém, ecoando sua fidelidade ao Presidente.
Essa história de lealdade versus pressão partidária expõe as engrenagens da política brasileira: um jogo de xadrez onde um apoio de 46 deputados vale mais que um ultimato de cúpula.
Com Lula multiplicando gestos públicos a Sabino, como convites para agendas no Pará, o episódio reforça que alianças se constroem na base, não só no topo.
Ponto para o ministro e para o Presidente.








Já diz o velho ditado( Não deitado), em time que está ganhando não se mexe….
Esse ministro tá fazendo um excelente trabalho. Seria uma pena ele sair agora.
Em time que está ganhando, não se mexe…Simples assim.
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