Estratégia brasileira busca novos mercados e diversificação comercial frente às tensões com os EUA
Brasília, 07 de agosto de 2025
O Brasil está de olho em uma chance única para aumentar suas exportações de petróleo para a Índia, aproveitando as tensões comerciais criadas pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A Índia, que enfrenta uma sobretaxa de 50% sobre seus produtos nos EUA devido à compra de petróleo russo, importa cerca de 30% de sua demanda energética da Rússia, enquanto o Brasil contribui com apenas 1% desse mercado, segundo estimativas do governo brasileiro em 2024.
Com a possibilidade de a Índia reduzir suas compras russas, o Brasil enxerga espaço para crescer, especialmente porque o petróleo já é o segundo item mais exportado para Nova Délhi, informa a CNN Brasil.
O vice-presidente Geraldo Alckmin planeja discutir o tema em uma viagem oficial à capital indiana em outubro, buscando fortalecer laços comerciais.
Além do petróleo, o Brasil quer diversificar suas exportações para a Índia, hoje concentradas em óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto, que representam mais de 60% do total enviado.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta na expansão do agronegócio e na melhoria do acordo comercial entre o Mercosul e a Índia, que atualmente cobre apenas 14% das exportações brasileiras.
A estratégia inclui negociar a inclusão de novos produtos agrícolas e reduzir barreiras tarifárias, aproveitando o fato de a Índia ser o país mais populoso do mundo, com grande potencial de consumo devido à sua industrialização nas últimas décadas.
As tarifas de Trump contra a Índia e o Brasil, que somam 75% em sobretaxas, foram motivadas por questões geopolíticas, incluindo a dependência indiana de petróleo russo e desavenças político-ideológicas com Lula.
Nos EUA, Trump justificou a medida alegando que a Índia lucra com a revenda de petróleo russo, enquanto o Brasil enfrenta uma tarifa de 50% desde 1º de agosto, impactando setores como café, carne e aviação.
Apesar disso, o Brasil busca diálogo diplomático para evitar escaladas, com o Ministério da Agricultura e a Apex Brasil trabalhando na abertura de novos mercados.
A relação comercial com a Índia ganhou força após a visita do primeiro-ministro Narendra Modi a Brasília em julho, onde foram assinados acordos em segurança, energia e transformação digital.
Com essa ofensiva comercial, o Brasil pretende não só compensar perdas nos EUA, mas também consolidar a Índia como parceiro estratégico.
A expectativa é que, ao lado de países do Oriente Médio, o Brasil ocupe parte do espaço deixado pela Rússia no mercado indiano de petróleo, além de diversificar sua pauta exportadora.
O sucesso dessa estratégia dependerá de negociações ágeis e da capacidade de Alckmin e sua equipe em apresentar o Brasil como uma alternativa confiável no cenário global, enquanto Trump segue pressionando com sua política protecionista. f









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