Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

“Bolsonaro, golpista brasileiro, finalmente enfrenta vida atrás das grades”, diz The Guardian

    Clickable caption
    O ex-presidente
    O ex-presidente Jair Bolsonaro condenado pelo STF a 27 anos de prisão por crimes contra a democracia em foto utilizada pelo jornal inglês The Guardian / Imagem reprodução/The Guardian/Montagem


    Jornalão inglês mostra choque da prisão iminente do condenado e explica como ele foi derrotado pela Justiça por atentado à democracia e agora tenta última cartada com pedido de prisão domiciliar



    Brasília, 20 de novembro 2025

    O cerco judicial se fechou de forma definitiva sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A frase concisa do jornal britânico The Guardian ecoa a percepção de que a longa batalha legal chegou ao fim: “Ele lutou contra a lei e a lei venceu”.

    Dois meses após receber uma sentença de 27 anos por tentar “aniquilar” as instituições democráticas do Brasil — um desfecho judicial ligado diretamente aos eventos golpistas que culminaram em 8 de janeiro e no julgamento que o condenou por trama contra o Estado —, Bolsonaro tem sua prisão considerada iminente.

    O ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar na sua mansão enquanto aguarda o esgotamento dos recursos, vive dias de intensa especulação sobre seu destino final, com o horizonte apontando para a carceragem nos próximos dias.

    Medo de Papuda e o Pedido de Prisão Domiciliar Humanitária

    A principal tensão atual reside na escolha do local de detenção. A possibilidade de Bolsonaro ser enviado ao notório presídio de segurança máxima Papuda, em Brasília, mobilizou seus aliados.

    Quatro deles, incluindo o Senador Izalci Lucas do Partido Liberal (PL), visitaram o complexo esta semana, numa tentativa de dissuadir o Supremo Tribunal Federal (STF) de banir o ex-presidente para lá.

    Lucas expressou profunda preocupação com as condições carcerárias, citando a superlotação (chegando a “praticamente um metro quadrado por prisioneiro”) e a má qualidade da comida.

    Mais grave ainda, alegou que os problemas intestinais severos de Bolsonaro — resultado da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018 — tornariam a Papuda perigosa.

    “Sua situação [de saúde] é extremamente grave. Ele não vai aguentar se o levarem para Papuda… Seria horrível”, afirmou o senador.

    Em uma resposta direta a esse temor, a defesa de Bolsonaro protocolou, nas últimas horas, um pedido de prisão domiciliar humanitária ao STF, alegando um “quadro clínico grave” e “múltiplas comorbidades”, numa tentativa de reverter a iminente ordem de prisão.

    O Ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo julgamento do ex-presidente, analisará os argumentos.

    O Contraste: Do Luxo de Alvorada à Celas de Papudinha

    O debate sobre as condições de prisão do ex-presidente é permeado por uma ironia notada por críticos e pela imprensa internacional.

    Durante seus 40 anos de carreira política, Bolsonaro, um ex-paraquedista de extrema-direita, demonstrou pouca compaixão pela população carcerária brasileira.

    Citações como “Por que deveríamos dar uma vida boa a esses sujeitos?” ou “Se você não quer acabar lá, tudo o que você precisa fazer é não estuprar, sequestrar ou roubar” contrastam dramaticamente com a súbita preocupação de seus aliados.

    O Deputado Reimont Otoni do Partido dos Trabalhadores (PT), oponente político do ex-presidente, apontou a hipocrisia: “Só agora a extrema-direita – que sempre alegou que os direitos humanos não eram para criminosos – resolveu visitar um presídio para saber como são as condições de verdade”.

    No entanto, Otoni insiste que, embora Bolsonaro seja um “criminoso”, ele deve receber “tratamento digno – mas tratamento digno na prisão”.

    Apesar do temor da Papuda, o destino mais provável de Bolsonaro é um presídio vizinho reservado a policiais e outros presos “especiais” conhecido como Papudinha.

    As celas de Papudinha são significativamente mais confortáveis do que as da prisão principal, ainda que sejam “um mundo de distância” do luxo do Palácio da Alvorada, projetado por Oscar Niemeyer, onde o ex-presidente residia.

    Segundo informações veiculadas pelo jornal Estado de São Paulo, a cela que Bolsonaro poderia ocupar na Papudinha mede cerca de 24 metros quadrados (o tamanho de duas vagas de estacionamento), e conta com um banheiro de 12 metros quadrados e uma varanda de 12 metros quadrados, com permissão para ter televisão e até frigobar, se doados pela família.

    A Contagem Regressiva e o Legado para a Democracia

    Enquanto o ex-ministro da Comunicação Fábio Wajngarten lamentou na Folha de São Paulo o “brutal” final da carreira política “impecável” de Bolsonaro e o classificou como “a maior injustiça política de sua história”, milhões de brasileiros que acreditam na responsabilização do ex-presidente veem o momento como necessário.

    O Deputado Reimont Otoni sintetizou a visão de seus pares: a prisão do ex-presidente é um momento triste, mas “uma afirmação da democracia brasileira” e das leis do país. “A mensagem para o Brasil, e para o mundo, é que o crime não compensa”, concluiu Otoni.

    A condenação de 27 anos, por sua tentativa de desestabilizar o resultado eleitoral e a transição de poder para Luiz Inácio Lula da Silva, é vista por juristas como uma vitória do sistema de justiça sobre a impunidade política.

    O desenrolar dos próximos dias, sob a decisão final do Ministro Alexandre de Moraes, definirá o local de reclusão, mas a certeza para muitos é a de que a lei, de fato, triunfou.

    Leia a íntegra da matéria do The Guardian, a seguir:

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    Choque na Prisão: Bolsonaro, golpista brasileiro, finalmente enfrenta vida atrás das grades

    Os apoiadores de extrema-direita do ex-presidente descobriram um novo interesse nas condições prisionais à medida que o encarceramento se aproxima.

    Tom Phillips Rio de Janeiro Qui, 20 Nov 2025 10:30 GMT
    Ele lutou contra a lei e a lei venceu.


    Dois meses após receber uma sentença de 27 anos por tentar “aniquilar” as instituições democráticas do Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro finalmente parece estar a caminho da prisão.

    O golpista condenado – que tem vivido em prisão domiciliar em sua mansão enquanto uma série de procedimentos legais e recursos se desenrolam – é amplamente esperado que seja encarcerado nos próximos dias, em meio a crescentes especulações de que será enviado a uma notória prisão de segurança máxima.

    Durante a carreira política de quatro décadas de Bolsonaro, o ex-paraquedista de extrema-direita mostrou pouca compaixão pela população carcerária do Brasil.

    “Por que deveríamos dar uma vida boa a esses sujeitos?” ele ponderou certa vez. “Eles que se fodam, ponto final. É o que eu penso.”

    Em outra ocasião, Bolsonaro proclamou: “Se você não quer acabar lá, tudo que tem que fazer é não estuprar, sequestrar ou roubar.”

    Mas a perspectiva de o próprio Bolsonaro acabar na prisão de segurança máxima da Papuda em Brasília chocou seus aliados, quatro dos quais visitaram o complexo esta semana em uma aparente tentativa de dissuadir o Supremo Tribunal Federal de bani-lo para lá.

    Izalci Lucas, senador do Partido Liberal (PL) de Bolsonaro que fazia parte desse quarteto, disse esperar que o político de 70 anos fosse preso nos próximos 10 dias e temia que seu destino pudesse ser a Papuda.

    Lucas alegou que os graves problemas intestinais de Bolsonaro – resultado de um ataque a faca quase fatal durante a campanha presidencial de 2018 – significavam que seria perigoso manter o ex-presidente lá. “A situação [de saúde] dele é extremamente grave. Ele não vai aguentar se o levarem para a Papuda… Seria horrível”, disse o senador, que também se preocupou com as celas superlotadas e a qualidade das refeições prisionais.

    Ao visitar a Papuda, Lucas lembrou-se de ter visto celas com 40 presos: “Isso é praticamente um metro quadrado por preso.”

    “Conversamos com os presos e eles reclamam, claro, da comida horrível”, acrescentou o senador.

    Lucas não é a única voz a se manifestar antes da antecipada detenção do ex-presidente.

    Escrevendo no jornal Folha de São Paulo, outro aliado, o ex-ministro das Comunicações Fábio Wajngarten, lamentou o “brutal” final da “impecável” carreira política de Bolsonaro e alegou que o Brasil estava prestes a testemunhar “a maior injustiça política de sua história”.

    “É uma injustiça que corrói o coração de milhões de brasileiros”, escreveu Wajngarten.

    Isso pode ser verdade, dado o considerável apoio que Bolsonaro mantém na direita brasileira. Mas seu esperado encarceramento também aqueceu os corações de milhões de outros que acreditam que ele deveria ser preso por tramar para impedir que Luiz Inácio Lula da Silva assumisse o poder – e até mesmo conspirar para que ele fosse assassinado.

    Reimont Otoni, deputado do Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula, disse: “Ninguém quer que Bolsonaro seja colocado em um calabouço. Ninguém quer que Bolsonaro seja colocado em confinamento solitário. Ninguém quer que Bolsonaro não seja alimentado ou que tenha que dormir no chão. Queremos que ele receba tratamento digno – mas tratamento digno na prisão. Ele não pode continuar sendo seu próprio carcereiro por toda a vida.”

    Otoni ficou impressionado com a forma como os aliados de Bolsonaro, que passaram anos celebrando o tratamento rigoroso dado aos presos, de repente acordaram para seus direitos. “Só agora a extrema-direita – que sempre alegou que os direitos humanos não eram para criminosos – decidiu visitar uma prisão para descobrir como são realmente as condições”, disse ele.

    “Bolsonaro é um criminoso”, Otoni insistiu, mas isso não significava que ele merecesse “tratamento humilhante, degradante”.

    Apesar da especulação de que Bolsonaro poderia ser enviado para a Papuda, que atualmente abriga cerca de 14.000 detentos, seu destino mais provável parece ser uma penitenciária próxima para policiais e outros presos “especiais” conhecida como Papudinha (Pequena Papuda).

    Suas celas são muito mais confortáveis do que as da prisão principal, embora ainda a um mundo de distância do luxo que Bolsonaro desfrutou enquanto ocupava o espetacular palácio presidencial projetado por Oscar Niemeyer, o Alvorada, a cerca de 19 quilômetros de distância.

    De acordo com o jornal Estado de São Paulo, a cela que Bolsonaro poderia esperar ocupar na Papudinha mede cerca de 24 metros quadrados – aproximadamente o tamanho de duas vagas de estacionamento – e possui um banheiro de 12 metros quadrados com chuveiro e uma varanda de 12 metros quadrados. “Bolsonaro teria permissão para ter uma televisão e até um frigobar em seu quarto, desde que fossem doados por sua família”, noticiou o jornal.

    O senador Lucas condenou o plano de rumor de enviar o ex-presidente para a Papuda como “uma forma de vingança” por parte de Alexandre de Moraes, o juiz do Supremo Tribunal Federal que supervisionou o julgamento do golpe de Bolsonaro e decidirá seu destino nos próximos dias.

    Otoni descreveu a prisão de um ex-presidente como um momento triste – mas necessário que representava “uma afirmação da democracia brasileira” e das leis do país.

    “A mensagem para o Brasil, e para o mundo, é que o crime não compensa”, disse Otoni.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    🗣️💬

    Discover more from

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading