Fluxo de capital estrangeiro e desemprego na mínima histórica impulsionam a Bolsa de Valores B3 – Entenda os fatores que movimentaram o mercado de ações e câmbio em Brasília e São Paulo
Brasília, 29 de novembro 2025
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão na sexta-feira (28/nov) em um novo recorde histórico, impulsionado pelo otimismo global e por indicadores internos robustos.
O índice subiu +0,45% e fechou aos 159.072,13 pontos, atingindo sua máxima histórica de fechamento. Durante o pregão, o índice chegou a cravar uma máxima intradia inédita de 159.470,81 pontos, conforme mostrou o InfoMoney.
A alta consolidou o mês de novembro com uma valorização acumulada de +6,37%, segundo o portal Agência Brasil, sendo o melhor desempenho mensal do índice em 15 meses, desde ago/2024.
No acumulado do ano de 2025, o avanço é de 32,25%.
Fatores de Impulso e Análise Setorial
O avanço ocorreu apesar da liquidez reduzida, consequência do pregão encurtado em Wall Street devido ao feriado prolongado de Ação de Graças nos Estados Unidos.
Os principais catalisadores do dia e do mês foram:
- Corte de Juros nos EUA: O mercado elevou as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) realize um novo corte na taxa de juros em dez/2025.
- Fluxo de Capital: Forte fluxo de capital estrangeiro para países emergentes, refletindo o otimismo.
- Mercado de Trabalho: A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em out/2025, o menor nível desde o início da pesquisa em 2012.
Setorialmente, a alta foi sustentada pelos chamados “pesos-pesados”:
Bancos e Exportadores:
Ações de bancos, mineradoras e demais exportadores de commodities sustentaram o índice.
Destaque para o Itaú (ITUB4), que avançou após anunciar a distribuição de R$ 23,4 bilhões em proventos.
O BTG Pactual (BPAC11) também registrou fortes ganhos.
- Vale (VALE3):
A mineradora subiu com a atenção dos investidores voltada para o pagamento de R$ 3,58 por ação em dividendos (ou R$ 15,3 bilhões em proventos), apesar do desempenho de baixa do minério de ferro na China.
Na contramão do mercado, a Petrobras (PETR3 e PETR4) liderou as perdas do dia, com as ações recuando, após a divulgação do Plano de Negócios 2026-2030.
O plano frustrou parte do mercado, pois:
- Redução de Investimento:
Revisou para baixo a previsão de investimentos (Capex) para US$ 109 bilhões.
A FUP (Federação Única dos Petroleiros) criticou a queda, classificando-a como uma redução de 17,3% no investimento real e motivo de preocupação para a sociedade brasileira.
A CEO da Petrobras explicou que a redução de investimentos na Margem Equatorial (de US$ 3 bilhões para US$ 2,5 bilhões) foi devido a novos patamares de preços do petróleo. - Dividendos Extraordinários:
O plano não previu a distribuição de dividendos extraordinários, que antes poderiam somar até US$ 10 bilhões, segundo o Money Times.
No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou em queda de -0,31% a R$ 5,335, com retração de -0,82% em nov/2025 e de -13,67% no acumulado de 2025.
O “Ano da Colheita” e os Resultados do Governo
O momento de recordes históricos do Ibovespa e o desemprego na mínima histórica (5,4%), divulgados, alinham-se ao discurso recorrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Desde o ano passado, o Presidente tem afirmado enfaticamente, em diversos discursos e entrevistas que 2025 seria “o ano da colheita”.
A premissa é que, após os dois primeiros anos de mandato dedicados ao “plantio” e à “reconstrução” do país após Bolsonaro, este seria o período para o Governo Federal entregar os resultados concretos das políticas implementadas, como o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Em dez/2024, o presidente declarou: “Nós já plantamos. Agora, em 2025, é ano da colheita. Vamos começar a colher o que plantamos. É um compromisso de honra meu”, conforme divulgou o Planalto.
A confiança no crescimento foi reforçada em março, quando o presidente celebrou o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2024 e reiterou a frase.
O resultado histórico da Bolsa e do emprego em novembro sugere uma convergência entre as expectativas políticas e os resultados econômicos, solidificando a narrativa de que o país começa a “colher os frutos” de um ciclo de recuperação iniciado em 2023.
E 2026 promete.

RECEBA NOSSAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS EM SEU E-MAIL







