Parasita que devora tecidos vivos, comum em gado, avança do México e América Central, gerando alerta entre autoridades de saúde pública – SAIBA MAIS
Brasília, 24 de agosto de 2025
Em um desenvolvimento alarmante, as autoridades de saúde de Maryland, nos Estados Unidos, confirmaram o primeiro caso humano de infestação pela bicheira-do-Novo-Mundo (Cochliomyia hominivorax), um parasita conhecido por atacar gado e, em raros casos, humanos.
A praga, que se alimenta de tecidos vivos, tem gerado preocupação devido à sua rápida disseminação para o norte, vinda de regiões da América Central e do México, onde surtos recentes já afetaram a pecuária e causaram perdas econômicas significativas.
O QUE É A BICHEIRA-DO-NOVO-MUNDO?
A bicheira-do-Novo-Mundo é causada por larvas da mosca Cochliomyia hominivorax, que depositam seus ovos em feridas abertas ou orifícios naturais de animais de sangue quente, como gado, cavalos e, em casos excepcionais, humanos.
Após a eclosão, as larvas penetram os tecidos vivos, causando “miíase traumática”, uma condição dolorosa que pode levar à destruição de tecidos e, sem tratamento, à morte.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a praga foi erradicada nos EUA na década de 1960 por meio da técnica do inseto estéril (SIT), mas sua reintrodução tem preocupado autoridades devido ao potencial de devastação da indústria pecuária.
PRIMEIRO CASO HUMANO EM MARYLAND
O caso em Maryland marca a primeira infecção humana confirmada nos EUA em décadas. Embora os detalhes do paciente não tenham sido divulgados para proteger sua privacidade, as autoridades de saúde informaram que o indivíduo provavelmente contraiu o parasita por meio de uma ferida exposta.
“A situação é preocupante, mas estamos monitorando de perto e implementando medidas para conter a disseminação”, afirmou um porta-voz do Departamento de Saúde de Maryland.
O paciente está recebendo tratamento com antiparasitários, como a Ivermectina, e intervenções cirúrgicas para remover as larvas.
AVANÇO DA PRAGA E MEDIDAS DE CONTROLE
A bicheira-do-Novo-Mundo reapareceu na América Central em 2023, com surtos registrados em países como Panamá, Costa Rica e Honduras.
A praga migrou para o norte, alcançando o México, o que levou os EUA a suspenderem importações de gado mexicano em maio de 2025, conforme anunciado pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins.
A medida gerou tensões com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que acusou os EUA de “exagerarem a ameaça”.
Para combater a praga, o USDA anunciou um investimento de até US$ 750 milhões para construir uma instalação em Edinburg, Texas, capaz de produzir 300 milhões de moscas macho estéreis por semana.
Essas moscas, liberadas no ambiente, acasalam com fêmeas selvagens, reduzindo a reprodução da praga.
Além disso, US$ 100 milhões foram destinados ao desenvolvimento de tecnologias de controle e patrulhamento de fronteiras para identificar animais infectados.
IMPACTO ECONÔMICO E RISCOS À SAÚDE PÚBLICA
A reintrodução da bicheira-do-Novo-Mundo ameaça a indústria pecuária dos EUA, que sofreu perdas estimadas em US$ 20 milhões anuais antes de sua erradicação na década de 1960.
Um surto em larga escala poderia custar bilhões, devido ao aumento do rebanho e da mobilidade comercial do gado, segundo Ethan Lane, vice-presidente da Associação Nacional dos Criadores de Gado de Corte dos EUA (NCBA).
“Não é uma questão de se a bicheira chegará, mas quando”, alertou Lane.
Casos humanos, embora raros, são particularmente preocupantes. Em 2024, duas pessoas morreram na Costa Rica devido à infestação.
A bicheira é distinta do berne (Dermatobia hominis), comum no Brasil, pois ataca tecidos vivos em feridas abertas, enquanto o berne infesta tecidos íntegros, formando nódulos.
OBSERVAÇÕES E CONTEXTO ATUAL
Pesquisas recentes indicam que o aquecimento global pode estar contribuindo para a disseminação da praga, ao criar condições favoráveis para a proliferação das moscas em regiões antes menos afetadas.
Além disso, falhas na liberação de moscas estéreis no Panamá em 2022 permitiram o avanço da praga para o norte. No Brasil, a bicheira permanece endêmica, especialmente em áreas rurais, onde é controlada com tratamentos químicos e manejo adequado de feridas em animais.
As autoridades recomendam que pecuaristas e o público em geral mantenham a higiene, tratem feridas imediatamente e evitem o contato com animais infectados. “A prevenção é a melhor defesa contra esse parasita”, destacou Jodeyr Costa, zootecnista da Boehringer Ingelheim.
O primeiro caso humano de bicheira-do-Novo-Mundo em Maryland acende um alerta sobre os riscos dessa praga devastadora.
Com surtos se espalhando a partir da América Central, os EUA intensificam esforços para proteger sua pecuária e população.
A colaboração internacional e investimentos em tecnologia serão cruciais para conter a ameaça e evitar um impacto econômico e sanitário de grandes proporções.







