The Intercept: Brasil piora no ranking de corrupção há 5 anos, a idade da Lava Jato; Ouça, Bolsonaro, ouça para não ser jantado

02/02/2020 0 Por Redação Urbs Magna


Publicado por ET URBS MAGNA


Vejam que coisa curiosa: o Brasil vem piorando há cinco anos no ranking mundial de percepção da corrupção. É a mesma idade da Lava Jato



Assista ao vídeo e leia, a seguir, a matéria transcrita do The Intercept Brasil:

Há meia década, nós, brasileiros, achamos – a cada ano mais – que “nunca se roubou tanto” neste país.

Mas vejam: isso é um ranking de percepção de corrupção, não da corrupção efetiva.

É um ranking sobre o sentimento da população em relação à roubalheira.

E o que potencializa essa percepção?

Cinco anos de notícias diárias sobre o “combate à corrupção” com certeza sim.

E quem alimenta a imprensa com esse ciclo eterno? Sobretudo a Lava Jato.

Então, quanto mais Lava Jato tivemos, mais as pessoas foram achando o país corrupto.

Quem se beneficiou disso?

A Lava Jato, ora, que só cresceu, concentrou poder e cometeu arbitrariedades disfarçadas de heroísmo.

Quanto mais operações da Lava Jato, mais notícias.

Quanto mais notícias, mais as pessoas foram achando que o país piorava em relação à corrupção.

Qual remédio foi vendido para aplacar essa percepção crescente de que somos um país de ladrões?

Mais Lava Jato. (e por favor, isso nada tem a ver com o combate à corrupção em si, mas com os métodos e a transformação da função pública em circo).

No dia seguinte à divulgação da pesquisa, Sergio Moro:

“Indicadores da Transparência Internacional mostram como é difícil mudar a percepção sobre corrupção. Nota no Brasil não melhorou nos últimos anos apesar dos avanços da Lava Jato e de 2019.Isso significa que precisamos fazer muito mais, inclusive no Congresso”.

Viram o remédio do Sergio?

Mais Lava Jato, e os abusos de poder que ainda finge não terem existido.

Essa panaceia – como se os remédios anti-corrupção fossem sozinhos salvar o Brasil – criou a armadilha perfeita para destruir a confiança em toda a classe política e se buscar a saída fora dela: MPF e Judiciário com seu lavajatismo, aventureiros como Bolsonaro e (agora) Huck com sua anti-política.

Estamos bolsonarotemáticos, mas quem é o grande candidato da extrema-direita hoje?

Ele, Moro.

Talvez Bolsonaro já tenha se convencido que sua única chance é tirar Moro do palco imediatamente, antes que seja engolido. 

Isso aqui, por exemplo, deu no JN essa semana. Nem notícia é.

E o miliciano que Moro tirou da lista de procurados planejava matar promotora

Como Moro fora do governo, ele perde seu principal microfone.

Seguirá a ter repercussão, mas dependerá muito mais de besteiras ditas no Twitter do que de coletivas oficiais cheias de repórteres. O séquito de jornalistas que passam o dia atrás da agenda do ministro minguará, e serão três anos sem esse enorme palanque que é o Ministério da Justiça. Um longo caminho até 2022.

A história mostra que não existem ministros indemissíveis.

Ouça, Bolsonaro, ouça.

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