The Guardian: ‘Bolsonaro é um perigo e sua saída seria bem-vinda para o Brasil e todo o planeta’

07/04/2021 0 Por Redação Urbs Magna

Uma das principais mídias do Reino Unido, o jornal publicou Editorial apontando o “presidente de extrema direita” como o responsável pela crise na Saúde do Brasil, por dar “rédea solta à Covid-19 e à destruição da Amazônia”

“A perspectiva do extremista de direita Jair Bolsonaro se tornar presidente do Brasil sempre foi assustadora. Era um homem com histórico de denegrir mulheres, gays e minorias, que elogiava o autoritarismo e a tortura. O pesadelo se revelou ainda pior na realidade. Ele não apenas usou uma lei de segurança nacional da época da ditadura para perseguir os críticos e supervisionou o aumento do desmatamento na Amazônia em 12 anos , mas também permitiu que o coronavírus se alastrasse sem controle, atacando o isolamento, as máscaras e as vacinas”, escrevem os redatores em editorial do site britânico de notícias/mídia The Guardian – pertencente ao Guardian Media Group, e que já chegou a ter 2,8 milhões de leitores em um único dia.

Como resultado do perfil de Bolsonaro na presidência do Brasil, o jornal o responsabiliza pelos mais de 60 mil brasileiros mortos por covid-19 apenas em março. “A disseminação da variante P1 mais contagiosa está colocando em perigo outros países”, diz o texto.

O Guardian cita um tuíte do ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper, no dia 24 último, afirmando que “Bolsonaro conseguiu transformar o Brasil em um gigantesco buraco do inferno”.

Na ocasião, Samper disse também que “se Dante morasse em São Paulo e voltasse a escrever sobre o Inferno, seria considerado um escritor de boas maneiras. Bastaria a ele contar a tragédia que se vê todos os dias pela Covid”.

As pesquisas de popularidade realizadas no Brasil mostrando que 59% dos eleitores já rejeitam o presidente brasileiro, apontando para uma iminente queda em 2022, também foram mencionadas pelo jornal. “Bolsonaro parece estar se preparando para um resultado desfavorável nas eleições do próximo ano”. 

Neste momento crítico da pandemia no Brasil, que atingiu novo recorde de número de óbitos/dia por covid-19 (4.195) em prenúncio de um abril trágico, os passos de Bolsonaro estão sendo bem observados em todo o mundo.

Neste sentido, o Guardian relembrou que, na semana passada, Bolsonaro causou uma crise na ala militar do governo ao demitir o ministro da Defesa por ter criticado suas tentativas de usar as forças armadas como ferramenta política pessoal. “Os comandantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea também foram demitidos, supostamente quando estavam prestes a renunciar”, afirma o editorial.

E como não poderia ser deixado de fora, Lula aparece como “o gatilho imediato para as demissões” feitas por Bolsonaro. Um “retorno bombástico” escreveram os redatores antes de relembrar que o ex-presidente teve todas as suas condenações anuladas “abrindo a porta para ele concorrer novamente no ano que vem”. 

“Os ataques injuriosos de Lula ao presidente são amplamente vistos como o prenúncio de uma nova candidatura ao poder de um político carismático que continua muito popular em alguns setores”, diz o The Guardian, que alerta para a possibilidade de Bolsonaro “se agarrar ao poder pelo uso da força”, tendo Donald Trump como inspiração.

“As Forças Armadas já anularam a vontade do povo: o Brasil foi uma ditadura militar de 1964 a 1985”, diz o The Guardian iniciando uma análise das pretensões de Bolsonaro. “Quando a multidão invadiu o Capitólio dos EUA em 6 de janeiro, seu filho [Eduardo Bolsonaro] se opôs não ao ataque, mas à ineficiência”, destacam os redatores, apontando que a fala do terceiro filho do presidente brasileiro se deu conforme a seguir:

“Foi um movimento desorganizado. É uma pena. Se eles tivessem sido organizados, os invasores teriam se apoderado do Capitólio e feito demandas pré-estabelecidas. Eles teriam poder de fogo suficiente para garantir que nenhum deles morresse e para poder matar todos os policiais ou os congressistas que eles tanto desprezam”.

“Embora a saída dos chefes das forças armadas possa sugerir resistência a um plano de golpe, também permite ao presidente instalar aqueles que ele julga mais obedientes”, especula o jornal que afirma que “os oficiais mais jovens sempre foram mais entusiasmados com Bolsonaro”. E neste sentido, o Guardian reproduz o alerta dado pela oposição ao governo que “pressionam pelo impeachment” dizendo que há uma “tentativa de golpe” que pode já estar “em andamento”.

Por fim, o The Guardian diz que “existe algum motivo para esperança”, pois os “ataques violentos do presidente e seus comparsas não conseguiram conter” a mídia, nem “intimidar os tribunais”, tampouco “silenciar os críticos da sociedade civil”. Os redatores do editorial creem que o “trato desastroso” de Bolsonaro com a covid-19 “parece estar causando dúvidas na elite econômica que anteriormente o abraçava”. 

O “retorno de Lula é suficiente para concentrar mentes da direita em encontrar um candidato alternativo, menos extremista do que Bolsonaro”, diz o TG. 

“Pode ser irritante ver aqueles que ajudaram sua ascensão se posicionarem como os guardiões da democracia, ao invés de seus próprios interesses. Mas sua saída seria bem-vinda, pelo bem do Brasil e do planeta”.

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