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Temer enterra a Educação e jamais será superado como pior presidente do Brasil

Temer enterra a educação no Brasil

O tripé fundamental para garantir o futuro de qualquer nação está sendo desmontado pelo governo Michel Temer: educação, ciência e tecnologia e cultura.

Durante os governos Lula e Dilma, essas três áreas tiveram papel central nas políticas públicas, com alcance e investimentos superlativos. Infelizmente, em pouco mais de um ano do governo que assumiu o controle do país por um golpe parlamentar, tudo desmorona a olhos vistos.

Temer despreza a soberania nacional e abre mão de ações de longo prazo que permitam a superação de nosso atraso e das históricas injustiças sociais.

Para tratar deste tema, as bancadas do PT na Câmara e no Senado, a Fundação Perseu Abramo e a Escola Nacional de Formação Política do partido realizaram o Seminário Educação Pública, Desenvolvimento e Soberania Nacional, na segunda-feira (9), em Brasília.

O objetivo foi debater o legado das gestões petistas na educação, assim como os desafios para a área frente aos retrocessos impostos pelo governo Temer. O ex-presidente Lula encerrou o seminário.

Ao contrário do que entendem os que hoje estão no comando do Planalto, a área de educação é fundamental para o desenvolvimento de qualquer país, mas mesmo assim sofre visíveis retrocessos.

Nos nossos governos, o orçamento do MEC saltou de R$ 16 bilhões em 2002 para mais de R$ 100 bilhões em 2016. Os investimentos foram realizados de forma abrangente, da creche à pós-graduação.

O  Plano Nacional de Educação foi alçado à condição de instrumento de planejamento de Estado. O País passou a investir mais de 6% do PIB em educação.

Mas Temer, com cortes e vetos aos programas de educação, quer voltar ao passado. O Congresso deve analisá-los e esperamos que sejam derrubados.

Na educação básica, com os governos do PT, ampliamos o acesso à escola: de 0 a 3 anos passamos de 14% (2002) para mais de 30%. Na faixa de 4 e 5 anos, os percentuais avançaram de 67% (2002) para mais de 90%.

A percentagem de jovens que concluíram o ensino fundamental foi de 50% (2002) para 76% (2015).  Integram este esforço o ProInfância, o Brasil Carinhoso, os Programas Caminho da Escola e Mais Educação.

Foi resgatado o ensino técnico por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Mais de oito milhões de alunos em cursos técnicos em mais de 4.300 municípios foram atendidos.

Em 2002, o país tinha 16.505 cursos de graduação e 3,4 milhões de matrículas de educação superior. Em 2015, eram 32.878 cursos e 8,5 milhões de estudantes. Esse foi o período de maior expansão da educação universitária da história do Brasil.Com o Prouni, foram concedidas 2,4 milhões de bolsas, beneficiando mais de 1% da população.

Temer quer acabar com tudo. Recentemente, deixando clara a natureza autoritária do governo atual, foram extintos o Fórum Nacional de Educação e as conferências nacionais. Destruíram-se importantes espaços de diálogo e participação social no setor. Trata-se de apenas uma opção ideológica, para destruir a construção coletiva dos últimos anos. É um ataque a direitos fundamentais da sociedade.

A área de ciência e tecnologia está sendo atacada por Temer de forma tão tacanha que 22 cientistas do mundo, todos Prêmio Nobel da área, enviaram-lhe uma carta para denunciar o descalabro que é a destruição de um setor vital para o futuro do País.

Esquece o governo atual que foram as Universidades e Institutos de Pesquisa que  tornaram o Brasil um celeiro de alimentos. Foi graças a essas parcerias, junto com a Petrobras, que descobrimos o pré-sal.

Estabelecemos o regime de partilha para o pré-sal, para que 75% dos royalties fossem destinados à educação e a saúde, para o Brasil dar um salto em seu desenvolvimento. Mas até isto o governo golpista destrói, para entregar nosso petróleo às petrolíferas estrangeiras a preço de banana.

Hoje, pensa-se em até tirar Paulo Freire como patrono da nossa educação; isso é o mesmo que querer enterrar nossa educação! Cabe a todos os setores democráticos e progressistas reagir contra os atuais desmandos.

Não podemos aceitar que Brasil regrida e se torne um país desimportante, mero produtor de matérias primas. Nosso povo tem capacidade de criação extraordinária e, com uma educação fortalecida e libertadora, poderemos nos transformar num país justo e desenvolvido. Não podemos retroceder.

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Filho de Lula teve sua casa revirada pela Polícia Tucana

O filho adotivo do ex-presidente Lula, Marcos Claudio Lula da Silva, foi alvo de uma operação da Polícia Tucana Civil de São Paulo, nesta terça-feira (10).

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, classificou a operação uma “violência” e uma “perseguição sem fim” à família Lula.

PERSEGUIÇÃO SEM FIM!
A operação policial na casa de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, a partir de uma suposta e falsa denúncia anônima, foi uma violência que tem de ser explicada por todas as autoridades envolvidas.

O simples fato de nada de ilícito ter sido encontrado na residência mostra que a medida foi abusiva e sem qualquer fundamento real. A perseguição a Lula e sua família não tem limites.

O PT esta solidário com Lula, com seu filho, nora e netos. O Brasil precisa enfrentar seriamente os repetidos abusos de autoridade.

GLEISI HOFFMANN
Presidenta nacional do PT

O Brasil jamais se livrará de Lula

“Não há muita gente disposta a se sacrificar pelo que é certo, e muito menos gente que irá proteger e respeitar a humanidade de outros. Para esses, tirando comida e água não é necessário dignidade para sobreviver.”

A frase é atribuida duvidosamente a Saitou Hajime, um samurai japonês que morreu aos 71 anos de idade em 1915 tendo sobrevivido a inúmeras guerras e se tornado muito popular por sua técnica favorita, a Gatotsu, apresentada em uma série fictícia da atualidade em mangá e anime.

Entretanto, essa mesma frase poderia definir o teor do que vai no pensamento coletivo cotidiano, em se tratando da política em nosso querido Brasil. E sou convicto ao afirmar que se saísse da boca de Lula seria fundida à sua própria imagem e sua autoria seria atribuída a ele, precursor do lulismo, durante uma campanha qualquer ou pelas muitas passagens de sua caravana.

Os resultados das pesquisas do Datafolha que revelaram sua ascensão não podem ser atribuídos somente aos pobres e às classes menos favorecidas. É impossível que nessa imensidão de país não haja sensatez onde há prosperidade. Reluto em aceitar que parte do povo brasileiro tenha perdido elementos valiosos de seu caráter ao serem orientados por políticos neoliberais. Os números dessa generalização só pode estar sendo muito bem orientados por interesses conhecidos por todos nós.

Eles sonham até em retirar as fotografias dos petistas da galeria oficial de todos os presidentes, localizado no Palácio do Planalto.  E o fariam se pudessem. Mas isso não resolveria. Antes, teriam que desintegrar a imagem do homem que mudou para sempre a História do Brasil. Pois Lula se tornou uma filosofia, exatamente como ele próprio afirmou esta semana: 

“O Lula não é o Lula. O Lula é uma ideia. O Lula é uma ideia assumida por milhões de pessoas. E eles não sabem que o Lula já renasceu em milhões de mulheres e homens.”

 

Vergonha de ser brasileiro – texto/poema

Vergonha de ser brasileiro atinge recorde de 47%, disse o Datafolha em jun/2017

Extraído das redes sociais, esta literatura revela a indignação e a força da resistência ao golpe 2016. Um achado valioso da representatividade do pensamento dos brasileiros que souberam identificar de imediato o que de fato estava acontecendo com a democracia e quais suas consequências na soberania nacional.

Vergonha

Eu tenho vergonha da vergonha que não sentem os ‘sem vergonha’, que apoiaram e apoiam o golpe.

Eu tenho vergonha daqueles que, assim como eu, descendem das etnias negra e indígena e, mesmo assim, apoiam a barbárie, a ditadura, em detrimento do respeito e do amor.

Eu tenho vergonha de comemorar a “abolição da escravatura” no dia 13 de MAIO, quando ela: A ESCRAVIDÃO caminha a passos largos e galopantes, livre e dissimulada.

Eu tenho vergonha dos que fingem não enxergar quando o que está em jogo é a barganha; o jeitinho ‘larápio’ e desonesto de ser ‘brasileiro’; de tirar proveito do que não lhes pertencem.

Eu tenho vergonha de precisar brigar pelo que me pertence, pelo que é justo e óbvio. Vergonha da segregação, da herança colonial maldita e torpe.

Eu tenho vergonha da misoginia, do machismo, dos que se corrompem. Vergonha de todos os ‘ismos’ do ‘semvergonhismo’.

Tenho vergonha dos que não cumprem com a palavra quando esta os impõem, impulsionam à pratica da alteridade, do respeito, da justiça, o reconhecimento do valor do outro.

Eu tenho vergonha dos que subestimam à minha inteligência, mas ainda mais vergonha dos que subestimam à inteligência dos ‘iletrados’. Pois, estes sim, são suas principais vítimas. Dormem em berços de espinhos e perigam não acordar.

Eu tenho vergonha da TV que finge homenagear ( no 13 de maio) a GENTE de pele negra, quando esta mesma TV é a protagonista e disseminadora de toda forma de discriminação e preconceitos. Não me queira manipular, eu tenho vergonha. Não me queira subestimar, me cegar. Eu sou fermentação e ebulição de vergonha, a pressa da vergonha, a precipitação.

Eu tenho vergonha dos que não se prestam a abraçar uma causa para corrigir injustiças, porque tal correção implicaria em prejuízos materiais, prejuízo ao status enganoso, falso, digno apenas de piedade.

Eu tenho vergonha dos que partirão e deixarão suas ‘posses’ (que lhes agrega esse tal poder), posses que são frutos de exploração humana e que certamente promoverão guerras aos que lhes herdam o vermelho sangue ‘azul’.

Eu jamais terei vergonha do sangue vermelho que brota dos meus olhos em forma de lágrimas pelos que se doaram, que morreram para que eu hoje soubesse utilizar uma caneta desesperadamente e dizer que tenho vergonha dos que mentem para si mesmos. Mas sinceramente, eu teria muito mais vergonha de não honrar à minha gente, essa gente.

Tenho, sobretudo orgulho e gratidão por queles que abriram horizontes e estradas de esperança por onde ainda posso caminhar, ainda que, solitária ou de braços dados, e ainda que a escravidão se faça notar.

A data 13 de maio comemora a libertação dos escravos. Mas após mais de um século da tentativa de “abolição” desse mal, a escravidão continua.

Lúcia Costa.

O Golpe mais sujo, espúrio e nojento que a democracia brasileira já sofreu

Esse é apenas um resumo. A história completa deve ser contada com todas as suas nuances, incluindo a Condução Coercitiva ilegal do ex-presidente Lula, as ações coordenadas de Gilmar Mendes com a PGR, as escutas ilegais de Moro e muito mais.

Nunca pensei que um substituto de uma Presidenta afastada, mas ainda não impedida pudesse formar um novo governo e impor novo projeto para a Nação. Isso é condenar antes de julgar. É desrespeitar os mais de 54 milhões de brasileiros que votaram neste projeto. E o STF não fez nada porque é partícipe urdidor deste golpe brutal à democracia e à esperança de um País mais justo.

Imagine o presidente de qualquer país viajar a serviço da nação. O vice assume interinamente e anula todos atos do presidente eleito, exonera ministros e nomeia outros. Extingue ministérios, orgãos criados por lei etc. Seria este o caso do Brasil. Tudo isso é puro jogo de cena. O povo está como naqueles filmes de vampiro em que a mocinha corre, corre e sente-se alviada quando encontra um guarda. Mas o guarda a abraça e lhe morde o pescoço, chupando-lhe o sangue. Foi golpe mezzzsmo. Chibata nas costas do povo.

1 – Julgamento do mensalão marcado para agosto de 2012 com ampla cobertura da grande mídia. Detalhe, em outubro haveriam eleições municipais. Mera coincidência certamente.
2 – A 1 mês das eleições de 2014 disparam a operação Lava Jato que investiga desvio de dinheiro na PETROBRAS. Atingindo duramente o PT, partido da presidenta e candidata a reeleição. Outra possível mera coincidencia,
3 – Dilma se reelege numa disputa apertada, onde a a grande mídia dava como certa a eleição de candidato da oposição Aécio Neves.
4 – O PSDB pede recontagem dos votos.
5 – A Veja aponta caminhos pra deposição da presidenta a saber dois : cassação via TSE (as contas já estavam aprovadas), ou por fraudes fiscais.
6 – Eduardo Cunha se elege presidente da câmara do deputados e se torna o principal inimigo de Dilma,
7 – O TCU que havia aprovado as contas do governo com ressalvas, e uma decisão inédia resolve reprovar as contas, utilizando como argumento os decretos suplementares, conhecidos como pedaladas, praticados por todos os governos anteriores, e governadores do país.
8 – O TSE resolve reabrir o processo de exame das contas de campanha, outrora aprovadas, em mais uma decisão inédita.
9 – A Lava Jato dispara uma operação por semana, e Vaza seletivamente sempre coisas que dizem respeito ao partido dos trabalhadores. Muitas delas jamais comprovadas.
10 – As agências de risco internacional, com alto grau de credibilidade como a S&P (????) começam rebaixar o os títulos do tesouro nacional.
11 – Intoxicadas por um bombardeio diáriio midiático, grande parte da população se revolta, e começam as mobilizações populares, dando horigem aos chamados COXINHAS.
12 – Operação Lava Jato prossegue, e Aécio Neves é citado 1500 vezes. Curiosamente não se abre uma única investigação contra o tucano.
13 – Surgem as contas de Cunha na Suiça.
14 – Conselho de ética da camara instaura processo de cassação do presidente da camara, que de posse de uns 5000 pedidos de impeachment dos mais diversos, ameaça a presidenta Dilma para os deputados do partido dos trabalhadores deem seus votos contrários a sua cassação.
15 – O PT declara que votará pela cassação. Eduardo Cunha aceita um dos 5000 pedidos de impeachment.
16 – Os grandes meios de comunicação dão uma cobertura ampla e hostil ao partido dos trabalhadores, ao mesmo tempo que atacam a crise economica, não abordando temas como a crise internacional, queda no preço das commodities, parlamento travado pelo presidenta da camara gangistes, preferindo sugerir que toda a culpa pela críse é de Dilma.
17 – Em meio convulsão social, é realizada a votação de abertura de um processo de impeachment mais vergonhoso da história da humanidade.
18 – O impeachment é admitido na camara dos deputados, o vice, que se mexeu mais do que dançarino de samba nos ultimos nove meses assume como presidente, e monta um ministério composto por pessoas investigas na lava jato, e integrandes da oposição derrotada nas urnas.
19 – Em 15 dias o governo interino comete uma série de trapalhadas histórica, e é chamado de Golpista. Acionada por deputados do PP, a ministra Rosa Weber intima a presidenta afastada a explicar o uso do termo GOLPE.
20 – Na semana de 23 de maior, surgem uma série de gravaçoes, com o ex presidente da transpetro, ex senador pelo PSDB, com integrantes do governo interino que explicam à ministra Rosa Weber, o por que do impeachment ser reconhecido internacionalmente como GOLPE.

 A fonte desta matéria é uma
coletânea de comentários de
internautas nas páginas que
noticiaram a intervenção ilegal
no governo de Dilma Rousseff

 

Lula e PT: inocentes e vítimas de cilada

Nos tempos áureos do “tucanato”  nosso país viveu um quadro de desemprego incomum que somou 11 milhões de brasileiros. Fome e miséria com inflação na casa 12,5%, juros de 45% ao ano com o sr. Armínio Fraga no comando do Banco Central e um salário de miséria que só dava para comprar 1,5 cesta básica. Além disso, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deixou o país pendurado até o pescoço com dívidas contraídas junto ao Fundo Monetário Internacional e a população à deriva durante 8 anos sem aumento salarial. Sem falar do problema do apagão. Sem falar da corrupção que ele jogou pra debaixo do tapete cujos esquemas foram montados desde Golbery, Ustra e Cia.

Mas Lula, ao assumir a presidência, pagou toda a dívida do FMI,  fez o país atingir a menor taxa de desemprego da história (5%), o salário mínimo teve uma recuperação do seu poder de compra em 72%, com um reajuste anual de 50 reais. Sem esquecer, que o governo Lula/Dilma tirou 36 milhões da linha da pobreza, tirou o Brasil do mapa da fome, segundo a ONU ( hoje copiado em muitos países ), e inseriu sete milhões de jovens na universidade. Por isso, Lula é sempre lembrado pelo povo e é bem cotado em pesquisa de opinião, para desespero da direita reacionária, fascista e golpista que não sabe mais o que fazer para desconstruir o Lula antes de 2018. Uma coisa é certa: como candidato a presidente ele ganhará graças a todo o legado supracitado.

Os coxinhas ficarão reduzidos às suas insignificâncias, sendo analfabetos políticos funcionais como sempre foram, sem fórum de discussão política,  sendo teleguiados pela mídia tendenciosa e por esses corruptos da corrente de  militares homofóbicos, preconceituosos… e de civis de caráter assassino. Hoje presenciamos a ação da maior quadrilha já registrada na história brasileira, com os maiores esquemas de corrupção de que se tem notícia.

Mas não se iludam, golpistas. Não vai ficar pedra sobre pedra.

Revelado o nome do golpe que instituiu o entreguista TEMER: “PLANO ATLANTA”

Jornal russo desvenda o golpe 2016 que destituiu Dilma Rousseff e revela a perseguição sofrida por LULA e o Partido dos Trabalhadores: “Eles são mesmo o alvo do sistema governamental vivido hoje no Brasil.

Tudo foi parte de uma conspiração internacional para derrubar os presidentes progressistas do continente com uso da mídia e do Judiciário, conforme Aécio Neves quase revelou em 2014

“Como não podemos ganhar desses comunistas pela via eleitoral, compartilho com vocês isto aqui.” Com essas palavras agressivas um ex-presidente sul-americano iniciava a explicação de um plano conspiratório a outros ex-presidentes latino-americanos, em uma suíte do hotel Marriot, em Atlanta (EUA), no final de novembro de 2012.

A primeira etapa da conspiração seria iniciar uma campanha de desprestígio através dos meios de comunicação contra os presidentes progressistas e de esquerda da região para minar sua liderança. A pressão midiática levaria à segunda etapa: a instauração de processos judiciais para interromper o mandato dos governantes. O Plano Atlanta resultaria nos chamados “golpes suaves” – “encobertos de julgamentos políticos precedidos por escândalos de corrupção, ou campanhas dirigidas a ventilar supostos comportamentos questionáveis da vida íntima dos líderes progressistas; incluindo, se fosse necessário, familiares, amigos ou pessoas próximas”.

Quem conta é Manolo Pichardo, deputado dominicano e atual presidente da Conferência Permanente de Partidos Políticos da América Latina e Caribe (COPPAL), em um artigo publicado em março de 2016 no jornal Listín Diario, da República Dominicana, intitulado “El Plan Atlanta”, denominação que ele deu à trama continental. Em entrevista ao jornal russo Pravda, o político diz que presenciou a conversa “por acaso”. Não era o tipo de reunião que o agradava. Pichardo, dirigente do Partido da Libertação Dominicana, de centro-esquerda, estava acostumado a participar de encontros do Foro de São Paulo ou da própria COPPAL, mesmo antes de assumir sua presidência. Graças à amizade com um ex-presidente da América Central, ele começou a frequentar fóruns organizados pela direita e centro-direita latino-americana, com a presença de lideranças a nível mundial e suporte de instituições como Global Peace Foundation, Conferencia Liderazgo Uruguay, Instituto Patria Soñada e Fundación Esquipulas.

O primeiro que participou foi realizado em 2011, em Brasília. Os debatedores, segundo ele, proclamavam “discursos servis” aos Estados Unidos e acusavam os governos latino-americanos de agirem com desconfiança injustificada em relação a Washington. Além disso, “louvava-se a liberdade dos mercados e a diminuição do Estado”. As palavras de Pichardo no encontro, criticando a desigualdade social e se referindo à crise estrutural do capitalismo, iam de encontro ao discurso dos outros participantes. “Lembro-me muito pouco do encontro de 2011 em Brasília, posso dizer que ali estava reunida a liderança continental que corresponde, em sua maioria, aos interesses dos setores conservadores do nosso continente, incluindo ex-presidentes. Eu, por exemplo, expus em uma mesa com dois ex-presidentes da região: um extremamente conservador e um social cristão de centro, de ideias moderadas”, recorda.

O outro evento ao qual compareceu foi o que originou a Missão Presidencial Latino-americana (MPL), conferência realizada entre 28 de novembro e 1º de dezembro de 2012 no hotel Marriot, na cidade de Atlanta, que reuniu ex-mandatários de diversos países e líderes de diferentes setores da América Latina e dos EUA. No final da conferência, foi lançada a Declaração de Atlanta, carta de compromisso assinada pelos ex-presidentes que participaram da 1ª Cúpula da MPL. A Cúpula buscou dar “impulso a uma nova era de relações internacionais entre os Estados Unidos e a América Latina”, segundo o comunicado emitido à imprensa em 30 de novembro daquele ano. No mesmo documento, são citados como participantes da 1ª Cúpula da MPL alguns ex-presidentes de países da América Central e do Sul.

O ex-presidente brasileiro José Sarney não participou da Cúpula, mas comunicou seu apoio. Na Declaração de Atlanta os membros da MPL defendem o “estreitamente de laços” entre América Latina e EUA, “fortalecendo o comércio, os investimentos, o intercâmbio de experiências e tecnologia a longo prazo”. A reunião privada em que foi exposto o Plano Atlanta ocorreu antes da assinatura da Declaração. Pichardo resolveu, anos depois, revelar o conteúdo da conspiração ao denunciá-la em fóruns internacionais e meios de comunicação latino-americanos. “De fato, nunca pensei que falaria sobre esse tema”, aponta.

“A ideia de fazê-lo surge depois de conversar com alguns amigos e companheiros do meu partido que me convenceram que, pela gravidade do que havia sido revelado, era necessário denunciá-lo. Eu insistia que isso colocaria em apuros os que me convidaram, mas me insistiam que o pior que podia acontecer era o dano à região, a ruptura da ordem democrática e o retrocesso em matéria da institucionalidade que permitiu conquistas econômicas e sociais”, completa o ex-presidente do Parlamento Centro-americano (PARLACEN).

Envolvimento da mídia e de um juiz brasileiros Para conseguir implementar o Plano Atlanta, o ex-presidente sul-americano que explicou a trama a seus pares afirmou contar com a ajuda dos meios de comunicação, inclusive mencionando veículos brasileiros. Entretanto, perguntado pela reportagem, Pichardo diz não se lembrar exatamente quais foram citados. Em seu artigo de 2016, o político dominicano afirma que também se mencionou “alguns nomes de indivíduos ligados às instituições judiciais da região comprometidos com a conspiração”.

Segundo o Pravda, ele revelou que um dos juízes citados é brasileiro, mas também não lembra seu nome. “Recordo que inclusive falou-se de um juiz com o qual se podia contar para a execução da trama. Mas não posso me lembrar de nomes, pois cheguei àquela reunião por acaso”, explica. Em seu artigo, Pichardo questiona se as quedas dos presidentes de Honduras, em 2009, e do Paraguai, em 2012, teriam servido de laboratório para futuras ações do Plano Atlanta em países de maior peso na América Latina. “Foram Manuel Zelaya e Fernando Lugo tubos de ensaio para chegar ao resto, aos [presidentes ou ex-presidentes] de países com maior peso econômico da região, até alcançar a ‘joia da coroa’, que é, sem discussão, Lula Da Silva, o líder mais influente.

Ele conta ao Pravda que, “conhecidos os detalhes da urdidura revelada ou concebida em Atlanta, é fácil deduzir que o que ocorre no Brasil e [em] outras partes da região, onde se persegue ou se destitui líderes progressistas no governo, é sua execução”. Segundo ele, tal operação conquistou êxito após os ensaios que foram os golpes em Honduras, com presença militar, e depois no Paraguai, mais aperfeiçoado, por “vias institucionais”. “Me parece que o empenho em [desestabilizar o] Brasil tem a ver com o peso de sua economia e sua influência na região e no mundo, não podemos esquecer que o gigante sul-americano é parte do BRICS, um esquema de cooperação que surge como expressão da perda de hegemonia ocidental e Lula, sem dúvida, construiu uma liderança que tem influenciado na região, uma liderança que promoveu esquemas de integração regionais que vão dando sentido à latino-americanidade, que, mais que um sentimento de pátria, é um projeto de independência que nos empurra para uma agenda própria que nos distancia de ser o quintal dos Estados Unidos. Lula, portanto, é um alvo.”

Fonte: Eduardo Vasco, PRAVDA.RU

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