‘Sufocando’ a misoginia, Bolsonaro diz que governo está “equilibrado”, uma vez que cada uma das 2 únicas mulheres equivale a “10 homens”.

09/03/2019 0 Por Redação Urbs Magna

Bolsonaro diz que cada uma das duas ministras vale por dez homens – Em discurso no Dia da Mulher, presidente cita Bíblia e afirma que ‘mulher sábia edifica o lar’

O presidente Jair Bolsonaro utilizou nesta sexta-feira (8) discurso em evento do Dia Internacional da Mulher para minimizar a presença pequena de ministras na atual configuração da Esplanada dos Ministérios.

Em evento com funcionárias do Palácio do Planalto, ele disse que o primeiro escalão do governo está “equilibrado”, uma vez que cada uma das duas únicas mulheres equivale a “dez homens”. Ao todo, a equipe ministerial é formada por 22 pastas. As duas ministras são Damares Alves, da Mulher, e Tereza Cristina, da Agricultura.

“Pela primeira vez, o número de ministros e ministras está equilibrado. Nós temos 22 ministérios: 20 homens e 2 mulheres. Cada uma dessas mulheres que estão aqui equivalem a dez homens. A garra dessas duas transmite energia para os demais”, disse.

A procuradora-geral Raquel Dodge, a ministra Damares Alves e o presidente Jair Bolsonaro em cerimônia em Brasília
A procuradora-geral Raquel Dodge, a ministra Damares Alves e o presidente Jair Bolsonaro em cerimônia em Brasília – Adriano Machado/Reuters

No discurso, o presidente ignorou os altos índices de violência contra a mulher e a desigualdade salarial entre os dois gêneros. Hoje, mulheres em cargos de chefiam chegam a ganhar um terço do vencimento pago a homens, como mostrou pesquisa do IBGE.

Na homenagem, Bolsonaro fez referência à passagem bíblica que diz que a mulher nasceu da costela do homem, e citou trecho da obra segundo o qual a “mulher sábia edifica o lar”.
“Para quem é cristão, da costela do homem veio uma mulher e, a partir desse momento, pela graça de Deus, vieram todos os homens”, disse.

Ele destacou ainda o papel da mulher na harmonia familiar. Para ele, a família é a “cela da sociedade” e, quando unida, “edifica uma nação”.

“Vocês são quem conduzem o destino na nação. Não existe um homem que possa fazer uma política séria se não tiver junto de si uma mulher com os mesmos princípios”, afirmou.

Em um contraponto ao presidente, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que também discursou na solenidade e citou as diferenças salariais e a violência contra a mulher. Para ela, é preciso desenvolver políticas públicas para que o ciclo de agressão se rompa.

“Os homens e mulheres são iguais em direito e em obrigações, o que é previsto na Constituição Federal”, disse. “São necessárias políticas que habilitem as mulheres a obterem melhores empregos e rendas”, acrescentou.

Em uma breve fala, a ministra Damares Alves, também presente no evento, cometeu uma gafe. Ela comemorou por ser a primeira vez que o país tem um ministério da Mulher.

“É o primeiro Dia da Mulher do novo Brasil”, disse. “E a primeira vez no Brasil que nós temos um ministério da Mulher”, acrescentou.

Em 2015, contudo, a então presidente Dilma Rousseff unificou Direitos Humanos com a Secretaria de Política para Mulheres, criando o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

Dino Barsa para o Et Urbs Magna via Folha de SP

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