Subprocuradores tentam deter Aras sobre Lava Jato e PGR diz que ‘caixa de segredos’ já está com a Corregedoria e o CNMP

01/08/2020 0 Por Redação Urbs Magna

O PGR acusou os colegas de atuarem em favor do aparelhamento do MPF e de um anarcossindicalismo

Subprocuradores-gerais da República tentaram deter o procurador-geral da República, Augusto Aras, nesta sexta (31), em protestos durante sessão no Conselho Superior do Ministério Público Federal, órgão máximo de discussão e deliberação, contra as acusações sobre a Lava Jato, mas o PGR respondeu reafirmando tudo o que disse e acrescentou que a ‘caixa de segredos’ já está sob investigação da Corregedoria-Geral do Ministério Público Federal e do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

Aras reafirmou, irritado, todas as acusações, feitas em uma live para os advogados Prerrogativas em seu canal no YouTube, de que a Força-Tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba tem dados de 38 mil pessoas em um armazenamento maior do que o de todo o sistema único do MPF, com 350 Tb contra os 40 Tb do órgão, disse o PGR na ocasião.

O PGR também acusou seus colegas de lançarem fake news contra ele, encerrou a sessão abruptamente e foi o embora, conforme publicou Aguirre Talento dando detalhes sobre os diálogos ocorridos durante encontro em que os subprocuradores manifestaram-se contrários à exposição pública das divergências internas da Procuradoria e pediram que os assuntos sobre a Lava-Jato fossem tratados apenas pela Corregedoria, o que foi precedido pela leitura de uma carta aberta assinada por mais três conselheiros, que teria o seguinte texto:

“A fala de Vossa Excelência não constrói e em nada contribui para o que denominou de “correção de rumos”. Por isso, não se pode deixar de lamentar o resultado negativo para a Instituição como um todo, expressando, por que não dizer, nossa perplexidade, principalmente por se tratar de graves afirmações articuladas por seu Chefe, que a representa perante a sociedade e os demais órgãos de Estado

Dados relativos a investigações submetidos a cláusula de sigilo só podem ser compartilhados mediante autorização judicial, com devida motivação e se necessário para outras investigações, e que, portanto, a salvaguarda desse sigilo não se confunde com opacidade ou ‘caixa-preta’.

A independência funcional dos procuradores é um pilar estruturante da instituição e dados das investigações da Lava-Jato só podem ser compartilhados com decisões judiciais específicas sobre o motivo do acesso.

Talento transcreveu a reação de Augusto Aras, conforme disposta abaixo:

Não me dirigi em um evento acadêmico de forma se não pautado em fatos e provas. Fatos e provas que se encontram sob investigação da corregedora-geral do MPF e do Conselho Nacional do Ministério Público. Caberá a eles apurar a verdade, a extensão, a profundidade e os autores, e os coautores, e os partícipes, de tudo que declarei. Porque me acostumei a falar com provas, e tenho provas, e essas provas já estão depositadas perante os órgãos competentes.

Gostei muito de saber que o colega foi o porta-voz de alguns que fazem oposição sistemática a esse procurador-geral da República, de alguns que vivem a plantar fake news e que eu estou colecionando cada fake news com as respectivas respostas, para que ao final da gestão eu apresente cada fake news e cada resposta.

Por isso, rejeito seus conselhos e espero que os órgãos oficiais respondam a Vossa Excelência e aos seus liderados. No mais, fatos e provas estão entregues à Corregedoria do MPF e ao CNMP. Está encerrada a sessão.”

Segundo Talendo, Aras acusou os subprocuradores de atuarem em favor de um “aparelhamento” do MPF e de um “anarcossindicalismo” e afirmou que não tem “receio de desagradar” e que sua missão era “servir ao MPF com a dignidade do cargo”, além de anunciar que não deixaria “nenhuma irregularidade, ilicitude, aparelhamento sem resposta”.

Junte-se a 37.052 outros assinantes

Telegram: Acesse e SIGA NOSSO CANAL