STF promete a Bolsonaro 2023 ‘tranquilo’ em troca da desmobilização de manifestantes em quartéis e estradas

Se quiser contar com a boa vontade da corte depois de deixar o governo, o presidente da República deve parar de insuflar questionamentos sobre o resultado das urnas

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) enviaram diversos recados nos últimos dias a Jair Bolsonaro e seus aliados mais próximos, todos numa única direção: se quiser contar com a boa vontade da corte depois de deixar o governo, o presidente da República deve parar de insuflar questionamentos sobre o resultado das urnas e atuar para desmobilizar os manifestantes que estão aglomerados nas estradas e nas portas dos quartéis Brasil afora, pedindo intervenção militar“, escreve Malu Gaspar, no jornal O Globo.

Segundo o texto da jornalista, o portador da mensagem, na maior parte das vezes, foi o ministro Gilmar Mendes, decano da corte, que se reuniu com o presidente da República na terça-feira (22/11) para uma longa conversa, e também falou com ministros e pessoas da confiança de Bolsonaro, o que pode explicar a provável fala “acabou o jogo“, identificada via leitura labial, do vice-presidente Hamilton Mourão, no dia em que os governantes estiveram em Resende (RJ) para um evento na AMAN (Academia Militar das Aguhas Negras).

Gaspar conta que no encontro com o presidente, ocorrido na véspera da apresentação do relatório do PL que subsidiou uma ação pedindo a anulação de parte dos votos do segundo turno, Gilmar não colocou as coisas nesses termos, pelo contrário, disse que cumpre a Bolsonaro exercer suas funções constitucionais e que, ao invés de questionar o resultado das urnas, ele deveria estar dedicando seus últimos dias de mandato à organizar a oposição ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.

Gilmar ainda sondou o humor do presidente sobre a transição de governo e as manifestações. Na volta da conversa, relatou aos colegas de corte que Bolsonaro estava tranquilo, mas nem tinha interesse em discutir a questão do relatório e da ação do PL e tampouco demonstrou qualquer intenção de pedir que seus seguidores saíssem das ruas.

Em outra frente, o próprio Gilmar conversou com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com o ministro da Casa CivilCiro Nogueira, e com o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Jorge Oliveira, nomeado por Bolsonaro e amigo do presidente da República.

Nessas ocasiões, foi mais enfático, argumentando que o governo acabou e que o ideal seria que o presidente usasse os dias que restam para acabar com qualquer requisito de tumulto institucional antes de deixar o Planalto e, claro, demonstrar que merece um crédito de confiança do Supremo.

Ninguém falou da possibilidade de Jair Bolsonaro ou de seus filhos serem presos após o final do governo. Nem precisava. O medo que o presidente da República tem de ser punido pelo Supremo no âmbito do inquérito das fake news ou no das milícias digitais, é conhecido.

Por isso mesmo, é assunto constante das conversas de seus aliados com interlocutores de fora do governo. Quando falam com integrantes do STF, eles sempre argumentam que Bolsonaro se sente injustiçado pela corte para defendê-lo. Nesse contexto, preocupa os ministros a ideia sempre disseminada nos protestos de que o presidente da República está esperando as aglomerações populares “engrossarem” para agir.

A violência empregada em alguns locais, como no Mato Grosso, onde vários pontos da BR-163 foram bloqueados e ônibus queimados, também assusta. Tanto os ministros do Supremo como o círculo mais próximo de Lula temem que as manifestações continuem ocorrendo mesmo depois da posse do petista. Nesse caso, o novo governo já teria que começar desmobilizando protestos, cenário que o presidente eleito quer evitar.

Tanto Ciro como Jorge Oliveira e Valdemar se propuseram a ajudar, mas não se sabe até que ponto vão conseguir demover Bolsonaro de seu ânimo beligerante. O presidente do PL tem tentado também convencer o presidente a aproveitar os últimos dias do mandato para defender seu governo e fazer propaganda de seus feitos.

Se ele não fizer, quem vai fazer por ele?“, argumenta um correligionário. Não tiveram sucesso nem nisso. Difícil acreditar que venham a conseguir fazer com que o último ato de Bolsonaro seja o de desmobilizar os atos golpistas.

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              3 comentários em “STF promete a Bolsonaro 2023 ‘tranquilo’ em troca da desmobilização de manifestantes em quartéis e estradas”

              1. Justino inacio dos santos

                Até acho que devo poupar ele mas deveria obrigar ele tirar este infectos que se mobiliza a mando dele é dos Bolsominios mor.

                1. Maura Bezerra Vilar

                  O STF NA.O TEM QUE POUPAR NADA. TEM QUE METER ESSE NAzISTA MA CADEIA.
                  Nao poupararam Lula que merecia pois era inocente e foi o melhor Presidente que tivemos… Digo nao impediram a prisao dele de imediato…

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