“Ranço da Faria Lima com Lula e PT já diminuiu 90%”, disse empresário que almoçou com o ex-presidente

“O PT tem feito um bom trabalho de convencimento”, diz João Camargo, do grupo Esfera. “Há o esforço [de LULA] mostrar para o establishment que está com boas intenções”

João Camargo – presidente do grupo Esfera, organização que entre seus quase 50 associados tem grandes empresas, como Bradesco, BTG Pactual, XP Investimentos, Cosan, MRV Engenharia, Multiplan, Hapvida e Mercado Bitcoin, disse à BBC News Brasil que o ex-presidente Lula (PT) e o PT conseguiram diminuir em “90%” o ranço que a Faria Lima nutria por eles.

LULA, ao que tudo indica, vencerá essa eleição presidencial já no primeiro turno, no início de outubro.

Eu não estou dizendo que essa parte Faria Lima, empresário, dono de laboratório farmacêutico, fintechs, os bancos, vão votar no PT. Mas hoje, aquele ranço, aquela desconfiança, já diminuiu, na minha opinião, 90%. Isso eu posso te atestar que realmente diminuiu“, afirmou Camargo atribuindo a mudança a dois fatores: o esforço de Lula em dialogar com a elite econômica e ao gesto de escolher o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente em sua chapa. 

O PT tem feito um bom trabalho de convencimento. O esforço do Lula é claríssimo. Há o esforço dele de mostrar para o establishment que ele realmente está com boas intenções, não tem ódio, continua esse Lula de 2002. Lula assegurou para a gente que não existe governo Lula, existe governo Lula e Alckmin. Disse que apesar de José Alencar ter sido um vice-presidente bom, ele realmente pegou um vice completo, um vice que entende de cofre, de despesa. Foi candidato a presidente da República duas vezes, se aplicou muito em estudar o que o Pérsio Arida fez de planejamento econômico. Ele está muito satisfeito“, prosseguiu.

No primeiro encontro há 30 dias, falava que gostou, mas os outros repudiavam. Hoje em dia, ‘tá bom, tá bom'”, disse ainda, de acordo com transcrição feita pelos editores que fizeram uma boa síntese no portal progressista de notícias Brasil 247.

Sobre Alckmin, Camargo disse: “eu acho que ele vai ocupar um dos principais ministérios do Lula. No que eu senti no jantar, da proximidade dele com o Lula, é uma proximidade muito grande. O Lula faz questão de realçá-lo, a cada três frases, de pronunciar o nome do Geraldo“.

Ministério da Economia de LULA

Camargo disse que um nome que pode ser escolhido para comandar o Ministério da Economia de Lula, “na bolsa de apostas, falam muito de Wellington Dias, Alexandre Padilha, Rui Costa, Geraldo Alckmin. Todo mundo vê esses nomes de bom grado. Eu acho que a gente está bem servido“.

Bolsonaro

Mas Camargo advertiu sobre Bolsonaro dizendo que o presidente não pode ser subestimado: “Bolsonaro é um grande player, forte, está com a máquina, aprovou esse estado de emergência, vai gastar aí uns R$ 50 bilhões, vai apelar para o conservadorismo. O agro é muito forte. Então, ainda tem essa disputa, muita água vai passar embaixo da ponte”.

Camargo, por fim, disse que entre os empresários não há medo de um eventual golpe por parte de Bolsonaro em caso de derrota nas urnas:

Não existe nenhum espaço para golpe, nenhum espaço. Eu tenho conversado com vários ministros do Supremo. A gente tem conversado com alguns ministros militares, ou alguns generais, com o Pacheco, com o Lira, o próprio Ciro (Nogueira). Não existe um espaço no Brasil para golpe“.

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