“Quem assiste à própria morte sem reagir não merece viver”, diz Noblat sobre os ‘Cúmplices da Pandemia’

28/02/2021 0 Por Redação Urbs Magna

O jornalista da Veja passa o domingo lançando o seu público a indagações, comuns à grande parte dos brasileiros conscientes, sobre o que pode representar o trágico momento vivido pelo país nesta pandemia, ao passo que os apoiadores de Bolsonaro, segundo o jornalista, parecem estar dispostos a “reelegê-lo apesar do seu comportamento assassino”

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) provoca aglomeração durante cerimônia de posse de ministros no Palácio do PlanaltoImagem: Divulgação/Júlio Nascimento

São tantas publicações, neste domingo (28), sobre a péssima administração da crise da Saúde em torno da pandemia de coronavírus aqui no Brasil que nas redes sociais alguns usuários já se perguntam se o mundo não teria ‘acabado’ e eles não ‘subiram’. O país está dividido não mais apenas politicamente. De um lado as pessoas estão chocadas com as notícias nada animadoras sobre a Covid-19 no Brasil. De outro, grande parte do povo parece preferir não entrar em uma eventual depressão por se ver limitado com uma doença duvidável preferindo viver e, com isso, não se importando com outra parte; com gente que acredita que algo precisa ser feito.

A Fiocruz, por exemplo, já apresentou estudo sobre a cepa de Manaus e afirmou que, via estudo realizado, aquele que se infecta com o vírus mutante o recebe em carga dez vezes maior que o anterior. Não somente jornalistas, mas gente de todas as categorias se sente em um beco sem saída. A economista Monica de Bolle também deu sua contribuição ao jornal O Globo sobre como o Brasil será visto após a pandemia, e também a Amazônia, afirmando que seremos tachados como o país que põe Humanidade em risco.

O jornalista Noblat parece um dos mais preocupados. Em seu perfil do Twitter, ele pergunta “o que Bolsonaro tem contra o povo que o elegeu e que parece capaz de reelegê-lo apesar do seu comportamento assassino? Por que deliberadamente tornou-se o apóstolo da morte? Afinal, por que toleramos o intolerável? Que tipo de povo é o brasileiro que compactua com tudo isso?”:

Mais cedo, o jornalista da Veja lançou enquete no Twitter perguntando “por que os brasileiros não reagem a tantas mortes provocadas pelo vírus e pela deliberada vontade do governo federal em não combatê-lo?” e disponibilizando as seguintes opções de resposta: “Porque são frouxos”; “Porque nada podem fazer” e “Porque acham que escapam”. Todas se equilibram, mas a segunda opção tem sido a menos votada.

No meio da tarde, Noblat lançou matéria na Veja com mais questionamentos: “O que pretende Jair Bolsonaro ao aconselhar os brasileiros a desprezarem o uso de máscaras contra a Covid? Por que defende que morram os que assumem de morrer desde que a economia seja salva? Por que cita como estudo de uma universidade alemã o que se trata de resultados de uma enquete feita nas redes sociais?”, escreve. E vêm mais em seguida:

“Por que mantém no comando do Ministério da Saúde um geral que nada entende do assunto e que se cercou de militares tão ignorantes quanto ele? Quando os governadores acenam com medidas rigorosas de isolamento, por que o Bolsonaro os combate com uma firmeza que nunca envia nenhum combate ao vírus?”, indaga. Mas não acaba por aí:

“Se não bastasse, por que ele sabota a compra de vacinas e repete que a eficácia delas é duvidosa e que jamais será imunizado?”

Os argumentos de Noblat são os mesmos de uma maioria da população que está amedrontada: “Já se passaram datas emblemáticas da pandemia como que marcaram as primeiras 50 mil mortes, 100 mil e 200 mil. Esperou-se pelo menos uma manifestação de tristeza dele. Não houve”.

“É impossível que ele não saiba que o uso de máscaras, o isolamento e a vacinação são receitas que deram certo nos demais países do mundo afetados pela doença. É impossível que não saiba que para salvar a economia é preciso salvar vidas também. Quanto mais o vírus aja sem ser barrado, mais a economia afunda”, argumenta antes de novas indagações:

“Então por que Bolsonaro escolheu associar-se à Covid na devastação que ela provoca no Brasil? O que o presidente da República tem contra o povo que o elegeu e que parece capaz de reelegê-lo apesar de seu comportamento assassino? Por que deliberadamente tornou-se o apóstolo da morte? Por que os demais poderes assistir a tudo sem esboçar uma forte reação? Afinal, por que toleramos o intolerável?

Que tipo de povo é o brasileiro que compactua inerte com tudo isso?”, pontua Noblat.

Pergunta semelhante foi feita para a Doutora em Epidemiologia, Ethel Maciel, por um repórter da mídia alemã DW. A própria Ethel compartilhou nas redes sociais a pergunta do jornalista: “Como os brasileiros, com esse número de mortes, não se revoltam; não se insurgem?” E a resposta da epidemiologista foi: “Eu não sei!”

No mesmo tom de indignação do repórter do DW, Ethel comentou na rede social que talvez devesse buscar ajuda de algum sociólogo para explicar a passividade do povo brasileiro:

Eu dei uma entrevista agora para o @dw_brasil e a pergunta que não soube responder. Talvez algum sociólogo posso me ajudar. O jornalista (da Alemanha) me pergunta: Como os brasileiros com esse número de morte não se revoltam? Não se insurgem? Minha resposta: -eu não sei…

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