Quase todo o desmatamento da Amazônia no MT nos últimos 12 anos foi ilegal

04/12/2020 0 Por Redação Urbs Magna

88% da derrubada de floresta amazônica no estado de Mato Grosso não tinha autorização

A análise foi feita pela ONG ICV (Instituto Centro de Vida) com base nos dados do PRODES (Coordenação-Geral de Observação da Terra) – projeto que realiza o monitoramento por satélites do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmatamento na região, que são usadas pelo governo brasileiro para o estabelecimento de políticas públicas.

As taxas anuais são estimadas a partir dos incrementos de desmatamento identificados em cada imagem de satélite que cobre a Amazônia Legal. A primeira apresentação dos dados é realizada para dezembro de cada ano, na forma de estimativa, e os dados consolidados são apresentados no primeiro semestre do ano seguinte.

Coincidententemete, de agosto de 2019 a julho de 2020, também 88% do desmate na floresta em Mato Grosso foi ilegal, segundo os dados do Prodes mais recentes analisados pelo ICV, conforme reportagem de Phillippe Watanabe na Folha.

O Mato Grosso foi o segundo estado com maior desmatamento da Amazônia registrado de 2019 a 2020. Os mais 1.767 km² destruídos no estado só perdem para os 5.192 km² derrubados no Pará. Ao todo, na Amazônia, foram devastados 11.088 km² de floresta no período.

A análise do ICV também aponta que mais da metade (54%) do desmatamento ilegal registrado em Mato Grosso ocorreu em propriedades particulares, o que possibilita rastrear os autores. Outros 31% ocorreram em áreas não cadastradas.

Fica clara também a concentração de desmatamentos de proporções consideráveis. Segundo o ICV, mais de 40% da destruição foi de mais de 50 hectares. A análise aponta também um único desmatamento contínuo de 5.320 hectares no município de União do Sul.

E como já apontado em diferentes estudos, o desmatamento no estado se concentrou em grandes (mais de 1.500 hectares) e médias (de 400 a 1.500 hectares) propriedades rurais. Respectivamente, o desmate nessas unidades correspondeu a 63% e 25% do total.

A análise do ICV mostra também que menos de 2.000 imóveis rurais concentram toda a área de Amazônia destruída do estado.

Ao mesmo tempo em que o desmate cresceu pouco mais de 3% em relação ao ano anterior no estado, as multas e os embargos registrados pelo órgão ambiental estadual também tiveram aumentos expressivos (em nível federal a situação é diferente).

“Porém, para que o embargo surta efeito, é fundamental que atores de todos os níveis da cadeia de fornecimento de soja e pecuária, como instituições financeiras, frigoríficos, comercializadores de grãos, exportadores, varejistas e instituições financeiras utilizem essa base de dados como referência em suas operações”, afirma o ICV, na análise.

Reportagem recente da Folha de São Paulo mostrou como gigantes da pecuária, como JBS, Marfrig e Minerva, estão conectadas com desmatamento na Amazônia, mais especificamente no Pará.

A pecuária é um dos principais atores envolvidos no desmatamento da floresta. A soja também ameaçava o bioma, ciclo que foi interrompido (ao mesmo tempo em que a produção do grão aumentou) a partir da moratória da soja, acordo a partir do qual ficou proibida a comercialização do produto que tivesse origem em áreas com desmatamento.

A expansão de áreas de plantio do grão já ameaça o cerrado, outro bioma que tem apresentado números elevados de desmatamento.

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