Protestos no estado de SP nesta sexta (14) denunciam sucateamento e militarização do INSS

14/02/2020 0 Por Redação Urbs Magna
Protestos no estado de SP nesta sexta (14) denunciam sucateamento e militarização do INSS

Mobilizações cobraram melhorias no atendimento e serviços prestados à população


CUT-SP – Quase 2 milhões de pessoas que solicitaram benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o país aguardam na fila por uma resposta. Enquanto isso, ao invés de promover concursos e convocar quem já foi aprovado, o governo Bolsonaro propõe contratar militares da reserva para realizar o atendimento que demanda mão de obra especializada.

Contra este desmonte, a CUT, sindicatos de diferentes categorias e movimentos sociais realizaram protestos em todo Brasil nesta sexta-feira (14), denunciando cortes orçamentários, má gestão e falta de investimento público.

Grande parte das pessoas que aguardam para ter acesso aos seus direitos espera há mais tempo do que o prazo máximo determinado pelo instituto, que é de 45 dias.

No estado de São Paulo, pelo menos 250 mil pessoas aguardam na fila por seus benefícios há mais de um mês e meio.

Roberto Parizotti/CUT Brasil
Juventude também ocupou as ruas da capital paulista nesta sexta-feira (14)

“Fomos às ruas para alertar a população que a culpa das filas no INSS não é dos servidores do órgão, mas da política de governo de Bolsonaro e de [Paulo] Guedes que apostam no sucateamento dos serviços públicos para avançar com as privatizações. Mas estamos unidos com as centrais sindicais, movimentos sociais e o conjunto da classe trabalhadora para combater essa política de desmonte do Estado brasileiro”, afirma o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo.

Além da capital paulista, que realizou sua manifestação em frente à agência do INSS, no centro de São Paulo, com caminhada até a Superintendência do órgão, no Viaduto Santa Ifigênia, outros protestos ocorreram nas cidades de CampinasItapevaJundiaíLimeiraOsascoPresidente PrudenteSantosSanto AndréSão Bernardo do Campo e Sorocaba.

Prejuízo na pele

Em diálogo com a população em frente à agência do INSS em Santo André (SP), o secretário de Comunicação da CUT São Paulo, Belmiro Moreira, também presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, explicou que enquanto o governo sucateia, impõe dificuldades para o acesso aos serviços públicos e deixa de contratar servidores, a população sente na pele o resultado dessa política.

“O objetivo do governo é retirar os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras que dedicaram anos de sua vida para chegarem no momento mais importante, que é o da aposentadoria, ficarem em enormes filas. Assim também tem acontecido com as pessoas que sofreram algum acidente no local de trabalho. Há alguns anos, tínhamos um governo que implementava políticas de fortalecimento aos servidores e ao INSS, que agora estão sendo destruídas pelas políticas do governo Bolsonaro”, disse.

Dino Santos/CC
Secretário de Comunicação da CUT-SP, Belmiro Moreira (ao microfone) fala em frente à agência do INSS em Santo André (SP)

A história da trabalhadora Marisa Galvão comprova isso. Ela teve um acidente de trabalho que causou lesão em sua coluna. Foi até um posto do INSS na cidade de Presidente Prudente (SP) solicitar o afastamento. Porém, devido ao novo modelo de gestão, mesmo após horas de espera, não conseguiu sequer marcar a perícia. 

“Foram duas horas na fila para marcar a perícia, mas agendaram para o dia 19. Antes, bastava ligar para o 135 e marcar. É um descaso total com o ser humano. Vou trazer o documento, mas não tem nada certo, foi o que eu ouvi”, relatou nesta sexta-feira (14) enquanto saía da agência do INSS.

Foguinho/Imprensa SMetal
Mulheres nas ruas da cidade de Sorocaba

A situação não foi muito diferente para Isabela (que preferiu não dizer o sobrenome para preservar a identidade), que luta para conquistar uma aposentadoria por invalidez ao seu pai, que é paciente oncológico. 

“Tivemos a informação de que seria algo razoavelmente fácil, mas alegaram que está faltando uma documentação que não foi informada para trazermos quando fizemos o agendamento. Estou há 20 dias tentando resolver isso, mas disseram que devo ir atrás do que está faltando para tentar a aprovação da médica”, lastimou. 

A estimativa é que dos 2 milhões de pessoas que aguardam atendimento, 108 mil são mulheres que esperam para obter a licença-maternidade.

“Eu sou mãe e sei o quanto necessitamos de recursos financeiros nos primeiros meses de vida do bebê. A mãe vai receber, quando o filho já estiver crescido? O governo está muito equivocado e precisaria pensar um pouco mais na população e não só em economizar”, criticou Isabela.

*Colaboraram sindicatos e subsedes da CUT São Paulo

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