Por R$ 200 mil, Moro emitiu parecer contra a Vale S.A. e favorável a bilionário israelense investigado

O magnata do diamante, Beny Steinmetz, na chegada para um julgamento no qual foi réu em Genebra, em foto de Fabrice Coffrini (AFP), o ex-juiz Sergio Moro e a fachada com o logo da Vale SA | Sobreposição de imagens


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

No texto, o ex-juiz acusa executivos da mineradora brasileira de terem prestado “informações falsas e ocultado fraudulentamente do mercado e de seus acionistas as reais condições do negócio celebrado”

Parecer emitido por Moro contrário aos interesses da mineradora brasileira Vale S.A., favorável ao empresário bilionário israelense investigado por corrupção, Beny Steinmetz, pivô de um litígio internacional com a empresa brasileira, rendeu ao ex-juiz cerca de R$ 200 mil, informa a Folha de S. Paulo, em publicação da tarde desta quinta-feira (27/1). Moro acusa executivos da mineradora brasileira de terem prestado “informações falsas e ocultado fraudulentamente do mercado e de seus acionistas as reais condições do negócio celebrado” com a empresa do bilionário “acerca dos direitos de exploração sobre Simandou [mina em Guiné] e sobre os motivos da rescisão posterior”.

O trabalho de Moro veio a público dias após ele encerrar quarentena de seis meses cumprida por sua participação como ministro da Justiça no governo Bolsonaro.

Passados alguns meses, o ex-juiz, que hoje é investigado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), foi contratado pela Alvarez & Marsal, uma consultoria de gerenciamento de recuperação e melhoria de desempenho de grandes empresas de alto perfil, como a Odebrecht e outras empresas falidas pela Lava Jato.

Steinmetz ingressou com ação bilionária buscando provar que a mineradora sabia dos riscos em um contrato de exploração de minério de ferro na mina de Simandou, na República da Guiné, na África Ocidental, quando celebrou o acordo com a BSGR, uma multinacional de exploração de recursos naturais na área de gás, metal, mineração e energia, para criar uma joint venture que foi batizada de VGB.

Após um ano da tratativa, o presidente eleito na Guiné, Alpha Condé, que assumiu em 21 de dezembro de 2010 e permaneceu no cargo até 5 de setembro de 2021, iniciou uma investigação nas concessões minerárias no país que teria detectado que Steinmetz pagou propina em 2008 para o ditador Lansana Conté, um militar que presidiu o país após um golpe de estado por 24 anos, tendo governado de 1984 até a sua morte em 22 de dezembro do ano referido acima.

Alpha Condé mudou o código de mineração do país, impôs novas exigências logísticas que impactavam fortemente no orçamento da operação e, por fim, em 2014, revogou os direitos minerários da VGB, com a justificativa de que a concessão foi obtida no governo anterior ao dele graças à prática de corrupção.

A Vale S.A. acusou o bilionário de corrupto, rompeu o negócio e garantiu que não teria se associado a ele no projeto africano se desconfiasse de qualquer ato ilegal.

Já Beny afirmou que os direitos de exploração da mina foram obtidos sem quaisquer atos de corrupção, mas também alegou que, quando a Vale S.A. se associou a ele, os dirigentes da mineradora brasileira desconfiavam, sim, de que havia ilegalidades na obtenção da licença para extrair o minério de ferro, mas preferiram fechar os olhos e seguir com o acordo.

Morreu a joint venture. Mas sua morte deu à luz uma das disputas empresariais mais cinematográficas de todos os tempos. A Vale S.A. abandonou o arranjo empresarial, a VGB, sem a extração de um grama de ferro sequer da mina e, com um passivo judicial de bilhões de dólares, buscou reparação por ter sido enganada pelo israelense, que é alvo de investigação por corrupção e lavagem de dinheiro em Israel, Suíça, Estados Unidos e na própria Guiné.

Comente

3 comentários em “Por R$ 200 mil, Moro emitiu parecer contra a Vale S.A. e favorável a bilionário israelense investigado”

Comente

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.