Políticos e artistas constavam em base de dados do MS como Lula ‘pingaiada’, ‘petista sfda’ e outros nomes

02/12/2020 2 Por Redação Urbs Magna

Segundo o Estadão, o Ministério da Saúde diz que conteúdo ofensivo já foi corrigido, mas não explica quem teria adulterado os registros

A base de dados com informações pessoais de mais de 200 milhões de brasileiros e que ficou exposta por uma falha de segurança em um sistema do Ministério da Saúde sofreu adulterações para a inclusão de termos ofensivos nos registros de políticos de esquerda e artistas.

Ao consultar registros de personalidades públicas, o jornal encontrou conteúdo ofensivo ou sarcástico nos cadastros de pelo menos cinco personalidades brasileiras.

Nesses registros, a maioria dos dados, como CPF, nome, telefone e endereço, estão corretos, mas alguns campos foram preenchidos com apelidos ou ofensas, diz a reportagem de Fabiana Cambricoli no jornal O Estado de São Paulo.

Há dois registros no nome da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em um deles, o campo ‘nome social’ foi preenchido com o xingamento “motherfucker”. No outro, o nome social aparece como “Vai Bolsonaro”.

No registro da ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB), embora os dados pessoais estejam corretos, o nome social aparece como “petista” e o nome do pai foi adulterado para “Luis Inacio Pingaiada da Silva”.

A apresentadora Xuxa Meneghel também sofreu ataques. No registro atribuído a ela, o nome do seu pai (Luis Floriano Meneghel) foi adulterado para “Luiz Floriano Bolsonaro” e o campo ‘nome social’ foi preenchido com o termo “petista sfda” (pela linguagem usada na internet, a interpretação mais provável seria “petista safada”).

No registro do apresentador global Luciano Huck, embora alguns dados pessoais estejam corretos, o nome social foi preenchido com o termo “nareba”.

Questionado sobre a adulteração dos cadastros, o Ministério da Saúde afirmou que “o conteúdo ofensivo identificado já foi corrigido” e que “ações de segurança estão sendo tomadas para impedir novos incidentes, assim como ações administrativas para apurar o ocorrido”.

A pasta não respondeu, porém, quem teria sido o responsável pela inclusão dos termos ofensivos nas bases.

A empresa de tecnologia Zello (antiga MBA Mobi), contratada pelo ministério para desenvolver o sistema que continha falhas de segurança, também foi questionada, mas disse que não se pronunciaria.

A reportagem também procurou os políticos e artistas vítimas das ofensas nas bases de dados.

A assessoria da ex-presidente Dilma afirmou que “essa violação é apenas um dos muitos casos de quebra de normas e violações na área de segurança da informação”.

Disse ainda que “não surpreende que isso ocorra no governo que monitora jornalistas e influenciadores digitais, mas não protege seus próprios dados”.

Já a ex-deputada Manuela D’Ávila disse ao Estadão que o Brasil está “sob o comando de um  governo absolutamente incapaz”, que “não protege dados dos cidadãos e cidadãs e não esclarece a autoria de adulterações e ofensas”.

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