Perseguição bolsonarista: professora de sociologia é denunciada em universidade ao incluir Paulo Freire

01/02/2019 2 Por Redação Urbs Magna

Rosana Pinheiro Machado, do departamento de Sociologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), revelou que essa já é a segunda denúncia que um estudante faz à ouvidoria da instituição por citar Freire em seus textos; “Está insuportável pra mim”

A patrulha do ‘Escola Sem Partido’, movimento direitista que visa coibir a liberdade de ensino e o estímulo ao pensamento crítico em escolas e universidades, não só segue a todo o vapor como foi intensificada neste primeiro mês de governo de Jair Bolsonaro. Nesta quarta-feira (30), a professora do departamento de Sociologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Rosana Pinheiro Machado, revelou que está sendo alvo de uma denúncia de um aluno por citar Paulo Freire, uma das maiores referências do mundo na área de educação, em textos publicados na internet. Machado é colunista doThe Intercept Brasil.

De acordo com a professora, essa é a segunda denúncia que é alvo na ouvidoria da UFSM pelo mesmo motivo. “Recebi hoje uma denúncia da ouvidoria da UFSM de uma pessoa que dizia que era um absurdo ter uma professora que escrevia sobre Paulo Freire num jornal. Um e-mail completamente louco e sem sentido. É a segunda denuncia que respondo em seis meses. Está insuportável para mim”, escreveu a docente pelo Twitter.

Recebi hoje uma denúncia da ouvidoria da UFSM de uma pessoa que dizia que era um absurdo ter uma professora que escrevia sobre Paulo Freire num jornal. Um e-mail completamente louco e sem sentido. É a segunda denuncia que respondo em seis meses. Está insuportável para mim.

— Rosana Pinheiro-Machado (@_pinheira) 31 de janeiro de 2019

À reportagem, a assessoria de imprensa da Universidade confirmou que é padrão da ouvidoria informar o denunciado quando há alguma reclamação – conforme aconteceu com Machado – mas informou que somente a própria ouvidoria poderia esclarecer se a denúncia contra a professora foi acatada e qual o procedimento seria adotado, mas o setor, no momento do contato, já havia encerrado as atividades. Fórum aguarda um posicionamento oficial.

Além de essa não ser a primeira denúncia que Machado é alvo, a professora revelou também, pelo Twitter, que já teve a própria integridade física ameaçada, sugerindo o risco que ainda corre. “Eu já fui duas vezes dar aula com guarda universitária (não na UFSM). Se voltar ao Brasil foi uma aposta arriscada, cada vez mais se torna uma escolha impossível”, postou.

Pelo Facebook, a professora ainda refletiu: “O que me preocupa nas universidades brasileiras é o tipo de preparação que as ouvidorias têm que ter a partir de agora”.

Et Urbs Magna via Twitter / Revista Fórum

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