Parlamentares recebem ameaças de morte antes do impeachment de Trump

25/01/2021 0 Por Redação Urbs Magna

A polícia dos EUA continua a realizar prisões de manifestantes da invasão do Capitólio que ainda insistem em promover a violência em redes sociais e em grupos de bate-papo, como resultado do rastro de ódio e mentiras espalhadas pelo ex-presidente americano

Manifestantes pró-Trump do lado de fora do Capitólio em 06/01/2021 | Foto: Tyler Merbler (Flickr)

A polícia dos EUA investiga ameaças a membros do Capitólio, relacionadas ao julgamento do impeachment do ex-presidente Donald Trump. De acordo com a agência de notícias Associated Press, ocorreram ameaças de morte a legisladores ou promessa de ataques do lado de fora do Congresso americano.

Preocupados com a possibilidade de manifestantes armados possam retornar ao Capitólio, os agentes de segurança insistem para que milhares de soldados da Guarda Nacional permaneçam em Washington durante o trâmite do processo até o julgamento.

A insurreição da multidão em 6 de janeiro levou as autoridades do país a repensar a segurança dentro e ao redor do Capitólio. Partidários de Trump foram convocados, pelo próprio, para se reunirem em Washington em protesto contra o resultado da eleição presidencial de 2020, na data em que as duas casas legislativas se reuniram para ratificar a vitória de Joe Biden.

O objetivo da invasão que teve como base a alegação falsa de Trump de que houve fraude nas votações era forçar que o então vice-presidente Mike Pence e o Congresso rejeitassem a vitória do democrata que foi eleito presidente.

A invasão durou boa parte da tarde e continuou até o começo da noite. Na madrugada, as forças policiais conseguiram recuperar o controle do Capitólio, que ficou bastante depredado. Cerca de cinco pessoas foram mortas (quatro manifestantes e um policial) e dezenas foram presas, sendo a maioria após incidente.

A postura do presidente Donald Trump foi duramente criticada por jornalistas, autoridades e políticos de ambos os lados do espectro político de todo o mundo.

Inicialmente vários especialistas qualificaram os acontecimentos como uma tentativa de golpe de estado (na modalidade autogolpe) perpetrada por Trump, culminância das suas tentativas fracassadas em reverter as derrotas eleitorais na justiça, tanto quanto nas falidas pressões sobre autoridades para fraudarem os resultados e, finalmente, para que seu vice-presidente o fizesse.

Tendo provocado cinco mortes, dezenas de feridos e centenas de presos e investigados, o episódio culminou em um segundo pedido de impeachment de Trump, primeiro presidente na história a ter dois processos do tipo.

AMEAÇAS DE MORTE

As ameaças rastreadas por agentes da lei, semelhante às interceptadas por investigadores antes da posse de Biden, variam em especificidade e credibilidade, disse o oficial, que havia sido informado sobre o assunto.

Postadas principalmente online e em grupos de bate-papo, as mensagens incluíram planos para atacar membros do Congresso durante seus deslocamentos de ida e vinda para o complexo do Capitólio durante o julgamento, de acordo com o oficial.

Autoridades começar a se prevenir contra a possibilidade de manifestantes armados retornarem à capital do país, quando se iniciar, a partir de 8 de fevereiro, o primeiro julgamento de impeachment de um ex-presidente americano.

Acredita-se que mais de 800 manifestantes conseguiram entrar o Capitólio na data da insurreição, quando ocorreram os atos de violência que pegou os policiais desprevenidos, apesar de advertências prévias.

Na ocasião, para os agentes de segurança do prédio, tudo não passaria de apenas uma manifestação com base na liberdade de expressão e não um tumulto com a dimensão do ocorrido que levou à morte de cinco pessoas, incluindo um policial que foi atingido na cabeça por um extintor de incêndio.

Embora grande parte do aparato de segurança em torno de Washington montado após o motim e antes da posse de Biden, com dezenas de postos de controle militares e centenas de policiais adicionais , não esteja mais instalado, cerca de 7.000 membros da Guarda Nacional permanecerão para ajudar aplicação da lei federal, disseram as autoridades.

Mais de 130 pessoas foram indiciadas por promotores federais por suas participações no motim. Nas últimas semanas, outros foram presos após postar ameaças contra membros do Congresso, incluindo um apoiador do Proud Boys – organização política neofascista de extrema-direita que admite apenas homens como membros e que promove e se envolve em violência política nos Estados Unidos e Canadá.

Segundo as autoridades, o tal apoiador, que é acusado de estocar facas de combate de estilo militar além de mais de mil munições de rifle em sua casa em Nova York, ameaçou enviar “três carros cheios de patriotas armados” para Washington, além de ter feitos ameaças contra o senador democrata Raphael Warnock, da Geórgia, que assumiu o cargo em 20 de janeiro de 2021 após vencer a republicana Kelly Loeffler no segundo turno da eleição especial do Senado dos Estados Unidos de 2020–21, em 5 de janeiro de 2021.

Outro homem do Texas foi preso esta semana por também participar do motim no Capitólio e por postar ameaças em que pedia o assassinato da democrata americana de ascendência porto-riquenha, Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida também como AOC,  do 14º Distrito de Nova Iorque.

AOC se utiliza de discursos em favor das minorias sociais e pró-imigração e se declara uma socialista democrática. Ela faz parte do grupo DSA (Democratic Socialists of America) do Partido Democrata, grupo que apoiou a pré-candidatura do senador Bernie Sanders na eleição presidencial nos Estados Unidos em 2016.

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