“Para cada 10% a mais de votos no capitão, 12% a mais óbitos por Covid”, diz Haddad

24/10/2020 0 Por Redação Urbs Magna

“O germe do bolsonarismo tem efeitos difusos, colocando em risco toda a população e o tecido social”

Em sua coluna de todo sábado na Folha de São Paulo, o ex-presidenciável e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad argumenta sobre vacinação e Bolsa Família, e também sobre a correlaçao entre o bolsonarismo e a pandemia. Segundo o petista, em 2019, o Brasil não bateu meta de nenhuma vacina. No mesmo texto, Haddad diz que “para cada 10% a mais de votos no capitão, 12% a mais óbitos por Covid” e que “o germe do bolsonarismo tem efeitos difusos, colocando em risco toda a população e o tecido social”.

O ex-prefeito da capital de São Paulo lembra que “os programas de transferência de renda começaram como experimentos locais e se nacionalizaram, sobretudo a partir de 2001, com a criação dos programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás“. Leia a íntegra:

Todos sabemos o papel que cumpriu o senador Suplicy nessa história. Agora mesmo, a Câmara de São Paulo aprovou projeto da nossa gestão —da qual Suplicy foi secretário de Direitos Humanos— que institui a renda básica de cidadania na cidade.

Isso não tira o mérito do governo FHC. A grande façanha de Lula, contudo, não foi apenas a de unificar programas pulverizados, criados de última hora. A unificação no Bolsa Família veio acompanhada de duas outras providências: a universalização dos benefícios a todas as famílias situadas abaixo da linha de pobreza —vetada em 2001 (lei 10.172)— e a generalização das condicionalidades (frequência escolar e vacinação).

A exigência dessas contrapartidas sempre foi um dilema filosófico: cortar benefícios de famílias pobres não parecia sensato; desprezar o direito subjetivo das crianças à saúde e à educação tampouco. Nossos governos passaram então a acompanhar as condicionalidades como guia para ação de suporte complementar.

O tema da vacinação, por exemplo, nunca foi tratado na chave da obrigatoriedade, mas na chave da disponibilidade e da promoção. Um Estado que informa e garante direitos teria um retorno natural das famílias.

Foi o que aconteceu. O Brasil já contava com um dos melhores sistemas de vacinação do mundo. Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) atingiu seu apogeu em 2010. De lá para cá, o Ministério da Saúde identificou sinais de perda de adesão.

Levando em consideração os indicadores oficiais sobre cumprimento das condicionalidades do Bolsa Família, o problema não está localizado entre seus beneficiários: 99,5% das 5,5 milhões de crianças do programa estão com a vacinação em dia.

A despeito desse legado, em 2019, sob um governo negacionista, o Brasil não bateu meta de nenhuma vacina no PNI. O que terá havido? Comportamentos análogos sugerem uma hipótese.

Estudo recente da UFRJ aponta correlação entre bolsonarismo e pandemia: comparando-se municípios, para cada 10% a mais de votos no capitão, 12% a mais óbitos por Covid.

Embora inspire e afete imediatamente uma minoria, o germe do bolsonarismo tem efeitos difusos, colocando em risco toda a população e o tecido social. Os números da pandemia e da vacinação são apenas dois exemplos dos graves crimes que vêm sendo cometidos contra a nação. Não faltam cúmplices.

Fernando Haddad

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