Onze partidos vão ao TSE para a Corte obrigar Bolsonaro a explicar ataques contra as urnas

31/07/2021 0 Por Redação Urbs Magna
Onze partidos vão ao TSE para a Corte obrigar Bolsonaro a explicar ataques contra as urnas

O documento protocolado tem como signatários PT, Solidariedade, MDB, PDT, PSDB, PSOL, REDE, Cidadania, PV, PSTU e PCdoB, que pedem a apresentação de documentos e provas que justifiquem sua fala contra o sistema eleitoral. O presidente voltou a dizer neste sábado que não aceitará “fraude” nas eleições de 2022 caso não seja aprovado o projeto de voto impresso do governo

Após o ataque mais fervoroso do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral, 11 partidos protocolaram uma requisição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste sábado (31/07), cobrando que o mandatário preste esclarecimentos e provas sobre as acusações de supostas fraudes declaradas durante a live da última quinta-feira (29). O documento foi enviado ao corregedor-geral eleitoral do Tribunal, o ministro Luís Felipe Salomão. Assinam o pedido o Partido dos Trabalhadores, Solidariedade, MDB, PDT, PSDB, PSOL, REDE, Cidadania, PV, PSTU e PCdoB.

“O conteúdo, conforme divulgado pelo presidente, seria a efetiva demonstração de inconsistências identificadas nas eleições de 2014 e 2018, que provariam que o processo eleitoral brasileiro não atende aos critérios de segurança esperados, sendo passível de fraudes, o que embasaria a sua tese de implementação voto impresso auditável. O que se observou, contudo, em um primeiro momento, foi um ato estritamente político, com críticas expressas a partidos de oposição, deputados e senadores que se manifestam de maneira contrária aos interesses do Presidente Jair Bolsonaro, seguido de inúmeras ofensas ao Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, cuja atuação foi colocada sob suspeita por “estranhamente” convencer um grande número de pessoas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas”, diz um trecho do requerimento.

O documento pede que “sejam prestadas explicações sobre as acusações sobre fraude no sistema de votação eletrônica e apuração de votos propagadas durante a transmissão ao vivo promovida no dia 29/07/2021 e sejam apresentados documentos e supostas provas das ilações amplamente divulgadas na transmissão”.

Por fim, aponta que a sequência do pronunciamento do chefe do Executivo “tinha como objetivo destacar os referidos indícios”, mas se revelou uma “esdrúxula e vexatória exposição de vídeos amadores, sem qualquer menção a métodos de pesquisa e alguns, inclusive, originários de compartilhamentos em redes sociais. O ato configurou um verdadeiro constrangimento às Instituições Democráticas e ao Estado de Direito, reiteradamente atacados pelo presidente”, destacaram as siglas.

No último dia 29, o presidente promoveu uma live na qual prometeu apresentar provas de que as eleições de 2018 foram fraudadas. Contudo, durante o evento, ele comentou que “não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas”. Exibiu o que chamou de indícios com pouca comprovação de veracidade, e usou o espaço para levantar dúvidas sobre o atual sistema de votação brasileiro.

Ele foi rebatido pelo Tribunal Superior Eleitoral emitiu nota alertando que o chefe do Executivo propagou notícias falsas em sua live.

Apesar de aconselhado pelo núcleo do governo e aliados a estancar os ataques ao sistema eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer neste sábado (31/07) que não aceitará “fraude” nas eleições de 2022 caso não seja aprovado o projeto de voto impresso do governo. A declaração ocorreu após motociata na cidade de Presidente Prudente, em São Paulo.

Em um palanque, o presidente alegou que “democracia só existe com eleições limpas”. “Quando se fala em democracia, ela só existe quando existem também eleições limpas. Não é como um ou outro quer. É da forma que o povo deseja. Nós queremos eleições, nós queremos votar, mas não aceitaremos uma farsa como querem nos impor. Pode ter certeza: o soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde. Jamais temerei alguns homens aqui no Brasil que querem impor a sua vontade. A vontade do Brasil é a vontade de Deus. E a vontade aqui na terra é a vontade de cada um de vocês”, bradou em transmissão em suas redes sociais”.

“Não vamos perder essa oportunidade. Nós queremos democracia, liberdade e eleições, mas repito: eleições democráticas, com voto democrático, com contagem pública dos votos. Não aceitaremos uma farsa em qualquer eleição que seja”, acrescentou. Em 25 anos de existência, a urna nunca registrou fraude.

Na chegada, o mandatário participou de uma motociata acompanhado por apoiadores. As imagens foram publicadas em suas redes sociais. Ao som de “mito”, sem máscara e em meio à aglomeração, o chefe do Executivo cumprimentou apoiadores com apertos de mãos e tirou selfies. O país registra 555 mil brasileiros mortos pela doença.

A passagem de Bolsonaro pela região previa ainda uma churrascada com expectativa de 2.000 pessoas no centro de exposições local. No entanto, a pedido do Ministério Público, o evento foi cancelado pela Justiça, que afirmou que ele apenas poderia ocorrer caso estive inserido nos eventos-teste anunciados pelo governo.

Horas depois, em cerimônia do credenciamento do Hospital de Esperança junto ao Sistema Único de Saúde, Bolsonaro repetiu que a população “precisa ter certeza” de que o voto realmente vai para o candidato escolhido.

“O que eu mais quero, mais tenho feito é jogar dentro das quatro linhas da nossa Constituição. E a alma da democracia é o voto de cada um de vocês. E vocês tem que ter a certeza de que em aqueles que vocês votaram o voto foi exatamente para aquela pessoa. Não abrimos mão de eleições democráticas, limpas e confiáveis o ano que vem, tudo se aperfeiçoa, tudo tem que ser modernizado. Apenas esse sistema continua praticamente idêntico daquele existente no seu nascedouro nos anos 90. Não consigo entender por quê alguns usando o poder da força querem impor que nós não tenhamos realmente uma contagem pública de votos e uma votação auditável”, disparou.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas também participaram do evento. Às 14 horas, Bolsonaro deverá se encontrar com prefeitos de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. A previsão é que ele retorne à Brasília no meio da tarde.

Correio Braziliense

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