OMS manda recados a Bolsonaro prevendo que sua doença o faça incentivar o uso da cloroquina e o fim do isolamento

08/07/2020 0 Por Redação Urbs Magna

UM Internacional Jamil Chade diz que Bolsonaro, ao admitir doença por covid-19, está preocupando a OMS (Organização Mundial de Saúde) que teme que o presidente brasileiro passe a manipular as informações no Brasil, como incentivo ao fim do isolamento, uso de cloroquina e minimização da gravidade da pandemia. A entidade disse temer que isso “seja, uma vez mais, usado politicamente e que informações sejam manipuladas” e praticamente mandou recados ao presidente.

Michael Ryan, diretor de operações da OMS, Jair Bolsonaro em vídeo em sua rede social tomando hidroxicloroquina, Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS

De acordo com o colunista do UOL, a doença do mandatário brasileiro levou a OMS a determinar que o fato seja usado “como uma oportunidade para se aproximar do país e mostrar solidariedade“. Bolsonaro tem fustigado a agência de Saúde por meses e agora temem que ele use sua condição, novamente, para “politizar o vírus” e que informações sejam manipuladas como no início da pandemia, o que atrasou o reconhecimento de sua gravidade quando orientou as decisões e pautou o governo.

A Organização teme que Bolsonaro incentive as pessoas a saírem do isolamento, que use a cloroquina como sensação falsa de segurança e que a gravidade da pandemia seja minimizada, o que já está acontecendo. O presidente postou um vídeo em sua rede social em que toma a hidroxicloroquina garantindo que o remédio é eficaz para o tratamento do coronavírus, além de promover a reabertura de todos estabelecimentos e de ter decretado o fim da utilização de máscaras em alguns locais fechados.

A OMS encerrou os testes com a hidroxicloroquina, depois de concluir que não houve uma diferença significativa nos pacientes que foram alvos do tratamento. Os testes avaliaram a redução da mortalidade.

Contrariando as recomendações da Organização, Bolsonaro tem repetido que confia no remédio e que sua reação é quase imediata: “Poucas horas depois já estava me sentindo bem. Reforço aqui o que médicos têm dito pelo Brasil todo, eu não sou médico, eu sou capitão do exército, a hidroxicloroquina, na fase inicial, a chance de sucesso chega a 100%“, disse.

Bolsonaro também vai na contramão da OMS ao dizer que o vírus “se dá melhor em climas mais frios“. Mas a diretora técnica da Organização diz que não há evidências científicas de que locais mais quentes tenham evitado o vírus.

Segundo Chade, parte da entidade pensa que a manipulação política da doença por Bolsonaro pode ampliar a crise no Brasil e aprofundar uma divisão na sociedade e trazer como resultado um número ainda maior de mortes.

No mesmo dia em que Bolsonaro sorria ao tomar remédio, 1,3 mil pessoas morriam da doença“, escreveu o colunista do UOL.

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, insistiu que a situação no Brasil não é boa e mandou um recado claro:

“Precisamos ser sérios. É importante entender a gravidade desse vírus. Nenhum país está imune, ou seguro, e nenhum indivíduo está a salvo”.


Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS

Sobre a doença de Bolsonaro, o diretor de operações da OMS disse:

“Acho que (isso) mostra a realidade desse vírus. Ninguém é especial nesse aspecto. Todos estamos potencialmente expostos ao vírus e o vírus não sabe se somos príncipes ou pobres. Somos todos vulneráveis. O que mostra é nossa vulnerabilidade coletiva a essa doença.


Michael Ryan, diretor de operações da OMS

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