OMS confirma propagação aérea da covid-19, após estudo de 239 cientistas de 32 países

08/07/2020 0 Por Redação Urbs Magna

UM Internacional – (Reuters) A OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu nesta terça-feira (7) evidências de propagação do covid-19 pelo ar e confirmou que este é um dos modos de transmissão do coronavírus. Portanto, as pessoas também podem ser infectadas em ambientes com a presença do vírus na forma de aerossol.

Isso quer dizer que as gotículas expelidas por nariz e boca de um indivíduo que tenha a doença podem permanecer no ar, ao contrário das afirmações anteriores sobre a imediata queda ao chão dos perdigotos (gotículas contaminadas).

Estamos conversando sobre a possibilidade de transmissão aérea e aerossol como um dos modos de transmissão do COVID-19“, disse Maria Van Kerkhove, epidemiologista especialista em doenças infecciosas emergentes do Programa de Emergência em Saúde da OMS, durante uma entrevista coletiva.

Após a Organização solicitar aos países do mundo uma pesquisa sobre outras formas de disseminação do coronavírus, a revista Clinical Infectious Diseases publicou, na segunda-feira (6) uma carta aberta à agência de Genebra, com a descrição de 239 cientistas em 32 países de que as partículas flutuantes do vírus podem infectar as pessoas que as respiram.

Os cientistas que assinaram o documento solicitaram, após a constatação do novo perigo, que a OMS atualizasse suas recomendações e orientações para todo o planeta. Um deles, o químico da Universidade do Colorado, Jose Jimenez, que também endossou o manifesto, disse que todos queriam que a entidade de Saúde “reconhecesse as evidências” descobertas e a transmitisse para o mundo.

Jimenes afirmou, em entrevista por telefone à Agência de Notícias Reuters, que a carta dos cientistas alertando a Organização teve por finalidade debater cientificamente sobre a possibilidade desta triste descoberta e que eles perceberam a necessidade de ir a público porque a OMS se recusava a ouvi-los. Segundo o químico, houve forte preocupação com a revelação sobre a transmissão na forma de aerossóis por temor de que a notícia causasse pânico coletivo, mas o nível de prova apresentado pelos estudiosos foi muito alto.

O químico ainda afirmou que um de seus temores era que médicos se recusassem a ir trabalhar. Além disso, as pessoas poderiam passar a comprar mais máscaras de proteção respiratória e acabar com o estoque para países em desenvolvimento.

Outro motivo da insistência de Jimenez quanto ao comunidaco científico à OMS é que seu painel não possui representantes qualificados com a especialidade de transmissão de aerossóis.

Benedetta Allegranzi, outra líder técnica da OMS para prevenção e controle de infecções, disse que há evidências emergentes de transmissão aérea do coronavírus, mas que não é definitivo: “A possibilidade de transmissão aérea em ambientes públicos – especialmente em condições muito específicas, ambientes lotados, fechados e mal ventilados que foram descritos, não pode ser descartada. No entanto, as evidências precisam ser reunidas e interpretadas, e continuamos a apoiar isso.”

Agora, a avaliação de risco de transmissão da OMS pode afetar seus conselhos atuais sobre a manutenção de 1 metro de distanciamento físico. 

Van Kerkhove disse que a OMS publicará um resumo científico resumindo o estado do conhecimento sobre os modos de transmissão do vírus nos próximos dias e os governos que dependem da agência para políticas de orientação, também podem precisar ajustar as medidas de saúde a serem tomadas para a contenção da propagação do coronavírus.

É necessário um pacote abrangente de intervenções para interromper a transmissão. Isso inclui não apenas o distanciamento físico, mas também o uso de máscaras, quando apropriado, em certas situações, especificamente onde você não pode fazer o distanciamento físico e, especialmente, para os profissionais de saúde“.

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