O mundo ouvirá Bolsonaro, líder indígena do Brasil e o Papa, na cúpula do clima de Biden

21/04/2021 0 Por Redação Urbs Magna

Depois que o presidente brasileiro discursar sobre sua política ambiental, Sinéia do Vale, da etnia Wapichana, terá voz no mesmo encontro que também contará com a presença do Pontífice e representantes de países

A Casa Branca divulgou, nesta quarta (21), o programa da Cúpula do Clima de Joe Biden, em que estão previstos alguns dos principais líderes mundiais para a discussão de ações para o enfrentamento à crise global das mudanças climáticas. Depois que Bolsonaro, que é pressionado pelo mundo inteiro a explicar qual a novidade que tem para sua desastrosa política ambiental e enumerar os compromissos que disse ter, ao presidente americano, com a agenda, será a vez de Sinéia do Vale, da etnia Wapichana, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, que representará o Conselho Indígena de Roraima. O Papa Francisco, que em 2015 publicou uma encíclica sobre o tema ambiental, deverá fazer um pronunciamento no início da tarde. Bill Gates, fundador da Microsoft, também participará do evento, bem como Xi Jinping, Vladimir Putin, Boris Johnson, Emmanuel Macron e Angela Merkel.

Todo o planeta estará observando Bolsonaro, que recentemente anunciou mudanças em sua política ambiental. Ele enviou uma carta a Joe Biden afirmando que há um compromisso para o fim do desmatamento ilegal na Amazônia até 2030, mas para isso precisaria contar com uma ajuda financeira significativa por parte dos países ricos.

Biden recebeu, nos últimos dias, inúmeras cartas alertando sobre os riscos de se negociar com Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, nas quais seus remetentes temem que ele acabe aceitando um eventual compromisso assumido por Bolsonaro sem que sejam dadas garantias de como as metas serão atingidas. Em uma entrevista de Sinéia em 2020 à revista A Coletiva, a líder indígena afirmou que “o Ministério do Meio Ambiente está totalmente parado, o comitê gestor e câmara técnica não estão mais funcionando“.

Bolsonaro deverá fortalecer o combate ao desmatamento e renovar os compromissos assumidos há seis anos no âmbito do Acordo de Paris, mas por serem insuficientes eles incluem a eliminação do desmatamento ilegal até 2030 e a possibilidade de antecipar de 2060 para 2050 a neutralização do carbono.

A sessão virtual de abertura será às 9h de quinta-feira (horário do Brasil), comandada pelo presidente Joe Biden e por sua vice, Kamala Harris. A cúpula é o carro-chefe das reivindicações de uma liderança inédita americana na questão climática, após quatro anos de reveses durante o mandato do ex-presidente Donald Trump. Intitulada “Aumentando nossas ambições climáticas”, a sessão inaugural reforça o objetivo americano de limitar o aquecimento global a 1,5oC em relação aos níveis pré-industriais, considerado o máximo antes de mudanças cataclísmicas. Isso, no entanto, demandará que o planeta atinja a neutralidade do carbono até 2050. Com o prazo em mente, Biden busca convencer os países a anunciarem revisões ambiciosas das metas de redução de emissões assumidas em 2015, no âmbito do Acordo de Paris. O objetivo é que sejam apresentadas até a COP-26, conferência ambiental da ONU que acontecerá em novembro em Glasgow, na Escócia. Representantes de 26 países e da União Europeia, além do secretário-geral da ONU, António Guterres, discursarão virtualmente na abertura, muitos deles anunciando seus compromissos renovados.

Ainda na quinta haverá uma sessão sobre investimentos em soluções climáticas e energia limpa, reforçando a necessidade de aumentar o financiamento climático e os esforços para fortalecer os investimentos em países pobres e de renda média. Outros debates focarão nos desafios de adaptação às mudanças climáticas, especialmente nos países mais vulneráveis, e nos impactos da emergência ambiental em assuntos de segurança nacional. O primeiro dia do evento terminará com uma sessão sobre soluções naturais para reduzir a emissão de gases poluentes, como a redução do desmatamento e a preservação da vida marinha. A programação de sexta será focada no papel das inovações tecnológicas na busca pela neutralidade do carbono e na construção de economias verdes, destacando as oportunidades econômicas e a necessidade de maiores investimentos públicos e privados. A sessão reunirá autoridades como os premieres Benjamin Netanyahu, de Israel, Mette Frederiksen, da Dinamarca, e Erna Solberg, da Noruega. Entre os oradores do segundo dia estão Bill Gates e o também bilionário Michael Bloomberg, ex-presidenciável e enviado especial da ONU para Ambições e Soluções Climáticas.

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