O caos Trump x Biden: “Palhaço, mentiroso, racista, fantoche de Putin, você vai calar a boca?”

30/09/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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Os momentos tensos do encontro dos presidenciáveis americanos

Joe Biden, democrata, e Donald Trump, republicano, se encontraram para seu primeiro debate noite desta terça (29).

A pouco mais de um mês das eleições americanas, a rede de TV Fox News transmitiu um verdadeiro caos para o mundo.

O jornalista Chris Wallace passou maus momentos tentando amenizar as ofensivas que cada candidato lançava ao outro no palco da Fox tendo que gritar algumas vezes: “Eu sou o moderador desse debate”.

Trump falava até no tempo de seu rival e cortava as falas de Wallace. Biden fez ofensas ao presidente dos EUA: “palhaço”, “mentiroso”, “racista” e “fantoche de Putin”. “Você vai calar a boca?”

Segundo o UOL, a CBS News divulgou pesquisa, após o debate, apontando que 48% do povo americano crê na vitória de Biden e 41% na de Trump. 69% se irritaram e não entenderem nada. Além disso, o desempenho de Trump na pandemia é mal avaliado pelo eleitorado em geral.

Biden acusou Trump: “Ele não está preocupado com você. Ele foi totalmente irresponsável com distanciamento social e máscara”.

As florestas tropicais do Brasil estão sendo destruídas. Mais carbono é absorvido naquela floresta do que é emitido pelos Estados Unidos. Vou garantir que vários países se juntem e digam (ao Brasil): ‘Aqui estão US$ 20 bilhões, parem de destruir a floresta. E se vocês (Brasil) não pararem, então vocês sofrerão significativas consequências econômicas‘”, afirmou Biden.

Trump afirmou: “A China comeu seu almoço, Joe. Não é à toa que seu filho vai (à China) e tira bilhões de dólares. Tira bilhões de dólares para administrar (negócios). Ele faz milhões de dólares“.

Biden reagiu: “Aqui está o acordo. Você quer falar sobre família e ética? Eu não quero fazer isso. (Sobre) sua família, podemos conversar a noite toda“.

Trump se defendeu dizendo que seus parentes “perderam uma fortuna” para ajudá-lo na administração do país.

Mais adiante, foi a vez de Biden citar outro de seus filhos, Beau, como um exemplo de herói americano por ter servido o Exército na guerra do Iraque. Biden queria fustigar Trump, acusado de ter chamado veteranos de guerra feridos ou soldados americanos mortos de otários e perdedores. Em resposta, Trump acusou Hunter Biden de ter sido expulso das Forças Armadas por uso de cocaína. Biden reconheceu que o filho sofreu com dependência química. “Meu filho, como muita gente, como muita gente que está em casa, teve problemas com drogas. Ele superou isso. Ele consertou. Ele trabalhou nisso. E estou orgulhoso dele”, disse Biden.

O tema da violência policial contra negros, dos protestos por justiça racial e dos atos de violência associados a eles também foram tema do debate. Nos últimos meses, os americanos assistiram a cenas de confronto entre manifestantes Black Lives Matter e militantes da extrema direita e supremacistas brancos. Em Kenosha, um supremacista branco matou duas pessoas há algumas semanas. E em Portland, uma carreata de apoiadores de Trump distribuiu ataques de spray de pimenta e tiros de arma de paintball contra manifestantes pelos direitos dos negros. “Eu diria que quase tudo que vejo (de violência) vem da esquerda, não da direita”, disse Trump, que se recusou a condenar amplamente os movimentos de supremacistas brancos.

Biden chamou Trump de “racista” e negou que seja a favor da retirada de financiamento dos departamentos de polícia, como quer parte do movimento Black Lives Matter.

O presidente americano voltou a denunciar que considera estar em curso uma fraude eleitoral e se recusou mais uma vez a se comprometer com os resultados do pleito, como já havia feito em duas ocasiões diferentes nos últimos dias. “Exorto meus apoiadores a irem às urnas e fiscalizarem com muito cuidado. Espero que seja uma eleição justa, se for uma eleição justa estou 100% dentro. Mas se eu vir dezenas de milhares devotos sendo manipulados, não posso concordar com isso”. Trump tem atacado sistematicamente o sistema de votos por correio, embora não haja evidências de que esse sistema, já usado há décadas no país, seja mais inseguro do que o voto pessoalmente.

Durante o debate, Trump disse que os resultados levarão meses para sair e que os americanos terão que confiar na Suprema Corte para ter uma resposta definitiva sobre quem será o presidente do país nos próximos quatro anos. No último fim de semana, o presidente indicou a juíza conservadora Amy Barrett para o colegiado de nove magistrados que formam a mais alta instância do Judiciário americano. Se Barrett for aprovada pelo Senado antes das eleições, como parece provável, ela pode ser o fiel da balança a garantir um novo mandato a Trump.

Por ser um evento ao vivo, em que o candidato se vê sozinho diante de milhões de espectadores e de perguntas espinhosas, no mundo dos profissionais das campanhas políticas, os debates são conhecidos como eventos com alto potencial destruidor e baixa capacidade de melhorar a posição de um candidato, especialmente se ele for o líder nas pesquisas eleitorais. Exatamente por isso, para Trump, o debate era uma oportunidade fundamental: em média cerca de sete pontos atrás nas sondagens nacionais, ele tinha a chance desmontar a figura de conciliador e unificador que Biden tem tentado construir para si nos últimos meses e ganhar alguns dos eleitores indecisos na disputa.

Até para evitar que o democrata pudesse se recusar a comparecer ao debate, onde em tese teria muito mais a perder, Trump passou meses sugerindo que Biden estava senil ou com perda de capacidade cognitiva devido aos 77 anos. E nos últimos meses, diante de boas apresentações de Biden, o presidente afirmou que pediria teste antidrogas para o rival, para saber se seu desempenho não estava sendo impulsionado por algum aditivo. A estratégia, no entanto, pode ter tido um lado negativo para o próprio Trump. Ao tratar o rival como mentalmente incapaz, o presidente estabeleceu parâmetros muito baixos de sucesso para Biden, que não é conhecido por ser um grande debatedor. Embora parecesse meio perdido e lento, o democrata não cometeu gafes nem disse coisas incoerentes, o básico para qualquer candidato. Sua performance, no entanto, pode ter superado as expectativas negativas que Trump alimentou no eleitorado.

Além disso, a agressividade e a verborragia de Trump eram esperadas, embora não no grau mostrado essa noite. Em 2016, ele já havia usado o mesmo ferramental contra a então candidata democrata Hillary Clinton, com sucesso. Mas naquele momento ele era um empresário se aventurando na política e apontando para as falhas que via no sistema político. Dessa vez, tendo que defender sua administração e convencer os eleitores de que o atual presidente segue sendo a solução para seus problemas cotidianos, Trump pode não ter tido sucesso na mensagem.

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