“Não fui eu que saí, foi o MDB -PR que acabou”, diz Requião, que já recebeu convite do PT

31/07/2021 0 Por Redação Urbs Magna
“Não fui eu que saí, foi o MDB -PR que acabou”, diz Requião, que já recebeu convite do PT

Após mais de 40 anos no partido, o ex-governador do Paraná afirmou que gravará um vídeo sobre a história da legenda no Estado, explicando os motivos que o levaram a afirmar, neste sábado, “Estou fora!”

Segunda vou gravar um vídeo sobre o MDB do Paraná e sua história”, afirmou Roberto Requião em seu prefil no Twitter. “Por ora só digo o seguinte: não fui eu que sai ,foi o MDB-PR que acabou“, disse em uma de suas últimas mensagens na rede social, onde assegurou que foram encerrados mais de 40 anos sob a legenda naquele Estado. Mais cedo, Requião escreveu: “Que pobreza, que vergonha, que indignidade ,o partido que eu fundei foi tomado pelo ratinho e pelo Bolsonaro”. “Sou sério,estou fora!” A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi Hoffmann manifestou-se nas redes sociais abrindo as portas do PT ao ex-governador.

Requião, você combateu e combate a boa luta. Esses do MDB q te venceram hoje não têm compromisso com o povo, mas com os próprios interesses. Fique certo q não te faltará trincheira para ser candidato ao governo do Paraná. Estamos juntos”, escreveu a deputada.

O presidente do PT do Paraná, deputado estadual Arilson Chiorato, seguiu o mesmo caminho. “Requião é defensor dos mais necessitados, do Estado progressista, da função social das empresas públicas e da luta por justiça social. Existem outros partidos que defendem verdadeiramente isso. Espaço partidário não lhe faltará para disputar o governo do Paraná”.

Requião já havia sido formalmente sondado pelo PSB para disputar o governo do estado pela sigla que, recentemente, filiou Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro e Flávio Dino, no Maranhão. No Paraná, no entanto, há um obstáculo a essa filiação. Mais da metade da bancada de deputados estaduais do PSB é formada por ex-parlamentares do MDB, que deixaram o partido por atrito com Requião. Agora, o ex-governador tem a sinalização do PT, além de já ter conversado com lideranças do PDT.

Antes de anunciar sua saída, Roberto Requião gravou um vídeo explicando os motivos que o levaram, mais tarde, a desistir da legenda:

Roberto Requião estava no partido desde 1980.

No ano de 1982, Roberno iniciou sua vida pública como deputado estadual no Paraná. Em 1985, foi eleito prefeito de Curitiba, tendo derrota Jaime Lerner e sendo o primeiro prefeito eleito após a ditadura militar. Em 1991 sucedeu Álvaro Dias no governo do estado. Em 1994, foi eleito senador pelo Paraná, com mais de dois milhões de votos. Em 2002, foi novamente eleito governador do Paraná, derrotando Álvaro Dias no segundo turno e em 2006 foi reeleito, derrotando Osmar Dias no segundo turno. Em 2010 se elegeu senador pelo Paraná, com 2.691.557 milhões de votos, onde se manteve até 2018, quando se candidatou à reeleição no Senado Federal, mas ficou em terceiro lugar.

O deputado estadual Anibelli Neto, foi eleito, neste sábado, presidente estadual do MDB do Paraná. A chapa encabeçada por Anibelli derrotou a chapa do ex-governador Roberto Requião, elegendo 76% dos delegados do diretório estadual do partido. Com a derrota, Requião anunciou que sairá do MDB, legenda da qual é fundador, tem a ficha de filiação número 01 e a qual está vinculado desde 1981. A chapa de Anibelli tinha o apoio de praticamente toda a bancada de deputados federais e estaduais do partido, à exceção do deputado estadual Requião Filho.

Na campanha pelo voto dos delegados, Requião afirmou que sua chapa defendia a candidatura própria do partido ao governo do Estado, tendo o próprio ex-governador como candidato, enquanto a chapa liderada por Anibelli estaria inclinada a apoiar o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD). À coluna, Anibelli negou tal aproximação no momento, citando que a convenção deste sábado visa a organização partidária e que a convenção para definir candidaturas e alianças só ocorre em um ano.

Nesta tarde, Anibelli foi à sede do partido, onde fez seu primeiro pronunciamento como presidente eleito. “Eu queria agradecer muito o prestígio, a confiança. É um momento único da minha vida, ganhar a eleição do MDB do Paraná. Disputar democraticamente com alguém que tenho um respeito muito grande, o ex-governador Roberto Requião. Quero agradecer cada delegado e delegada e dizer que nosso compromisso continua sendo o de fazer uma chapa competitiva de deputados estaduais e federais, rodar o estado após a pandemia, fazendo encontros regionais, e convoco toda a militância para estar conosco, neste novo momento do MDB”, disse. Anibelli não comentou o anúncio de Requião, mas disse estar aberto à conciliação com os delegados eleitos pela chapa do ex-governador e com todos seus apoiadores. “O MDB é de todos, os que votaram em nós e os que não votaram em nós, é assim que se faz partido. Estamos prontos para acolher quem esteve do outro lado nesta convenção. É com o MDB unido que os adversários têm medo da gente”, afirmou.

Antes mesmo da convenção, Requião já havia sido sondado por algumas legendas para liderar um bloco estadual de oposição ao governador. Assim que Requião definir seu futuro, o deputado Requião Filho deverá seguir o mesmo caminho, aguardando, no entanto, a janela de troca de partidos para detentores de mandato eletivo.

Com Gazeta do Povo (PR)

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