“Não está numa classe de primário”, diz Jaques Wagner a Ernesto Araújo

24/09/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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Afirmação do senador foi direcionada ao Ministro após sua explicação, no plenário da Comissão de Relações Exteriores, sobre real motivo da visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ao Brasil e a países fronteiriços com a Venezuela

O senador Jaques Wagner não se convenceu com as explicações do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ao plenário da Comissão de Relações Exteriores sobre a visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, à Roraima, na fronteira com a Venezuela. “Não está numa classe de primário”, disse Wagner a Araújo após sua explicação sobre real motivo da visita de Pompeo ao Brasil e a países fronteiriços com a Venezuela.

“Ao ministro, que me permita a franqueza, não está numa classe de primário com muitos ingênuos. Tentar nos convencer que a visita de Mike Pompeo, por incrível que pareça, apenas em países fronteiriços com a Venezuela não tem a ver com as eleições marcada para 6 de dezembro na Venezuela e com as eleições americanas”, disse Wagner.


O senador exigiu que o chanceler apresentasse os documentos sobre a preparação da visita e de quem partiu o convite.

“Eu quero saber é se houve troca de documentos pela secretaria técnica, encabeçada pelo embaixador Pedro Miguel, e se houve uma preparação para a visita. Quais os termos tratados? Uma visita é tratada com muito tempo, então para mim está muito claro o objetivo”, disse o senador.


Ao destacar que não tem “nenhuma simpatia nem pelo atual nem pelo ex-presidente da Venezuela, mas repulsa à tentativa de uma nação que se pretende tutorar a democracia internacional”, Wagner cobrou que o chanceler brasileiro mostre as tratativas para a visita, como é da praxe internacional.

Ao rebater as declarações de Ernesto Araújo, que manifestou preocupação com o narcotráfico na Venezuela, o senador contra-atacou:

“Melhor seria que se preocupasse com o narcotráfico no Brasil, que vitimiza tanta gente, inclusive, a Vereadora Marielle Franco, que o crime feito pelas milícias até hoje não foi esclarecido”, cobrou.

O senador insistiu ainda em saber os rumos traçados pelo atual governo para mudar a sua política externa brasileira.

“O que eu gostaria de saber é quais foram os ganhos até agora, em dois anos de governo, e pelo amor de Deus, não digam que é a COVID que atrapalhou pois antes dela, vocês já tinham 15 meses de governo. O que foi de benefício que V.Exa e o seu governo ideológico trouxe para o Brasil? Eu, pessoalmente, não conheço nada”, frisou o senador.

Wagner alertou para a degradação da imagem brasileira no exterior.

“No meu governo, o presidente era extremamente elogiado e desejado por muitos povos. Enquanto que não me parece que aconteça o mesmo com o seu presidente, e até, eventualmente, com V. Exa, de acordo com a imprensa internacional”.

O senador cobrou ainda os prejuízos à indústria alcooleira.

“Quero saber qual a explicação que V.Exa tem para sangrar a indústria alcooleira brasileira, inclusive do Nordeste, de oferecer 150 mil litros graciosos com menos 20% de taxa de importação, para os EUA como reciprocidade a restrição ao aço brasileiro, responsável por 80% da pauta brasileira no caso dos aços os semiacabados. Então V.Exa recebe um tapa no aço, e retribuiu oferecendo 150 milhões de litros a um grupo que tem muita gente empregada aqui e que, na verdade, dependem desse emprego?”, questionou o senador.


“Não consigo entender a política de V.Exa., já que V.Exa diz tanto ser defensor do Brasil. Nós temos tido é muitas reprimendas. Muito puxão de orelha dos investidores internacionais, inclusive em Davos, para dizer que desse jeito não vamos investir no Brasil, com as bravatas ditas por alguns do governo”, acentuou.

Wagner encerrou sua fala questionando o chanceler sobre a escolha urgente do novo representante do escritório de Representação do Brasil na Palestina.

Sou judeu e defendo a coexistência pacífica pacífica do Estado Palestino com o Estado de Israel. E não me parece que é o caminho que está tomando a diplomacia brasileira, ao dizer que vai instalar a embaixada brasileira em Jerusalém, numa clara afronta ao povo Palestino”, concluiu, ao insistir em saber sobre qual será a política do governo Brasileiro para o Oriente Médio.

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