“Não deixe eles me pegarem, me mate primeiro”, implorou estrela pop afegã ao noivo no caminho para o aeroporto

11/09/2021 0 Por Redação Urbs Magna
“Não deixe eles me pegarem, me mate primeiro”, implorou estrela pop afegã ao noivo no caminho para o aeroporto

Aryana Sayeed é uma cantora, compositora e personalidade da TV afegã, que canta principalmente em dari –  termo político usado para os vários dialetos da língua persa falada no Afeganistão, mas também tem muitas canções em pashto – língua iraniana oriental da família indo-européia, que é conhecida naliteratura persa como Afghani . A artista é uma das mais famosas no meio musical de seu país tendo atuado regularmente em concertos e festivais filantrópicos, dentro e fora do Afeganistão. Ela também teve papéis como apresentadora em programas musicais na TV. Na imagem ela é vista em sua performance no clip da música ‘Lanat’ | Imagem reprodução YouTube


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

Em Instambul, Aryana Sayeed, que esteve jurada de morte devido às suas músicas em defesa dos direitos das mulheres, conta como conseguiu escapar do fundamentalismo dos Talebans

A cantora popstar afegã Aryana Sayeed fugiu do Afeganistão e contou à AFP que deixou Cabul disfarçada, temendo que fosse reconhecida pelos fundamentalistas do Taleban, que a ameaçou por um bom período de tempo. Ela disse que, a caminho do aeroporto, pediu ao noivo para que a matasse, caso os extremistas conseguissem encontrá-la: “Não deixe eles me pegarem, me mate primeiro”.

A artista, que é a cantora mais popular do Afeganistão, com 1,4 milhão de seguidores no Instagram, enfureceu os religiosos e conservadores de seu país com canções que defendem direitos das mulheres e denunciam a violência.

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Ela conta que em 15 de agosto, horas depois que os Talebans tomaram Cabul, como visto no caos que foi narrado por mídias de todo o mundo, o avião em que ela embarcou não decolou e teve que pedir a ajuda de parentes antes de outra tentativa no dia seguinte.

Havia a aflição elevada que ver os insurgentes presentes em todos os lugares, armados com Kalashnikovs – o célebre fuzil de assalto AK-47, especialmente nos pontos que faziam ocontrole e principalmente no Hamid Karzai International Airport, que acabou ganhando fama internacional nos vídeos que viralizaram nas redes sociais onde se viram afegãos despencando de um avião militar dos EUA, durante tentativa de fuga.

O noivo de Aryana Sayeed, o empresário Hasib Sayed, teve que formar um comboio de dois automóveis, com eles separados, cada um dentro de um carro, de onde se falavam através de walkie-talkies – conhecido como transceptor de mão – um transceptor de rádio de dois pontos, de mão e portátil.

A artista disse que, durante o deslocamente, pediu que o noivo a matasse, caso o Taleban estivessem prestes a pegá-la: “Atire na minha cabeça. Não deixe que eles me peguem viva”, afirmou Sayeed acrescentando que ser alcançada pelos fundamentalistas era o que “mais temia, muito mais do que a morte”.

Sayed contou ainda que se vestiu de preto, e manteve o rosto escondido sob uma máscara e óculos. Colocou um sobrinho do noivo no colo para dar impessão de uma família normal e tentaram fazer com que ele memorizasse o que tinha que encenar, no caso de uma inspeção: “Se eles nos prenderem, sou sua mãe e meu nome é Fereshta. disse.

A tensão se deu quando eles chegaram nos portões do aeroporto de Cabul, pois os soldados recusaram-se a abrir caminho para eles, tendo dado preferência para cidadãos americanos. Mas depois que Hasib foi identificado por um dos intérpretes dos soldados, tudo foi explicado sobre a maior estrela afegã, cuja vida estava realmente ameaçada, e graças a ele, o casal deixou o Afeganistão.

Eles chegaram a Doha – capital do Catar, um país peninsular do Golfo Pérsico, e depois ao Kuwait – país árabe no Golfo Pérsico, a oeste de Cabul que dista em aproximadamente 3 mil quilômetros. Depois foram para os EUA, de onde se mudaram a nova casa em Istambul – a maior cidade da Turquia e a quarta maior do mundo, rivalizando com Londres como a mais populosa da Europa, com 15 067 724 habitantes.

A popstar diz que as mulheres do Afeganistão de hoje são mais educadas e mais informadas sobre seus direitos do que na época em que o Taleban dominou o país, entre 1996-2001: “As mulheres afegãs não são mais as de vinte anos atrás”, disse. “Com o Taleban, não tenho espaço porque eles querem minha vida, meu sangue”, afirmou sobre as ameaças que sofreu.

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