Na ‘TIME 100’, Bolsonaro é culpado pelas mortes por Covid: “Teimoso e Cético”

23/09/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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O presidente aparece entre os cem maiores influenciadores de 2020 ao lado do youtuber Felipe Neto, que disse depois: “Torno-me o 11º [brasileiro selecionado pela revista] junto a ‘3 troços‘”, referindo-se a Bolsonaro

Felipe Neto e Jair Bolsonaro são apontados pela Revista ‘Time’ como personalidades de 2020. A publicação foi feita nesta terça-feira (22) como ‘The 100 Most Influential People of 2020 (As 100 pessoas mais influentes de 2020). Neto está representado na categoria Ícones e o presidente do Brasil na categoria Líderes. Ambos são desafetos mútuos devido às críticas incisivas do youtuber que, por conta disso, recentemente sofreu uma campanha de difamação e ameaças na internet.

“Nunca imaginei que chegaria tão longe. Quando comecei a gravar vídeos, dez anos atrás e nos fundos da casa da minha mãe no Engenho Novo, eu só queria desbravar algo novo e me divertir”, conta Felipe Neto que tem texto de autoria do deputado federal David Miranda (PSol-RJ).

Imagem reprodução da ‘Time’ online

Leia a tradução do texto de David Miranda:

TIME (Icons) – FELIPE NETO –Com 39 milhões de assinantes no YouTube e 12 milhões de seguidores no Twitter, Felipe Neto, 32, é o influenciador digital mais importante no Brasil, possivelmente no mundo.

O domínio online de Neto não é novo. Uma década atrás, da humilde casa de sua família no Rio de Janeiro, ele começou a criar conteúdo para o YouTube e rapidamente encontrou fama, um público jovem enorme e leal e patrocínios lucrativos. O que mudou – radicalmente – é a forma como Neto usa sua plataforma. Sua notoriedade inicial foi gerada pela tarifa padrão para adolescentes online: videogames, celebridades e meninas. Mas com a eleição de 2018 do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro e o fortalecimento de seu movimento protofascista, Neto, arriscando sua marca e segurança, redirecionou sua popularidade para se tornar um dos oponentes mais eficazes de Bolsonaro.

Neto encontra Bolsonaro nas próprias plataformas de mídia social em que o presidente navegou habilmente para divulgar informações falsas e ganhar seguidores durante sua eleição. Em maio, o vídeo de Neto denunciando outros influenciadores que permanecem em silêncio sobre o autoritarismo de Bolsonaro foi visto por milhões. Em julho, ele detalhou como Bolsonaro tem sido o líder mais destrutivo do mundo na pandemia COVID-19 em um vídeo para o New York Times. A família Bolsonaro frequentemente responde a ele nas redes sociais, às vezes excluindo suas postagens.

O primeiro grande envolvimento de Neto na política, em 2016, foi um protesto equivocado contra o Partido dos Trabalhadores de centro-esquerda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sua trajetória reflete uma verdade vital, que eu, como congressista socialista, enfatizo à esquerda: devemos abraçar e nutrir a capacidade dos humanos de crescer e evoluir, em vez de descartá-los por transgressões passadas.

Quando Felipe Neto fala, milhões ouvem. E sua voz agora justa e politizada ressoa poderosamente em um país cuja democracia está em perigo”.

Miranda é um deputado brasileiro representando o Rio de Janeiro

Após a divulgação da lista, Neto postou em seu perfil social do Twitter: ‘Fui eleito pela TIME uma das 100 personalidades mais influentes do mundo. Apenas 10 brasileiros entraram pra lista até hj. Torno-me o 11º, junto a Lula, Dilma, Jorge P. Lemann, Joaquim Barbosa, Neymar, Medina, Graça Foster e 3 troços’

Sobre Bolsonaro, é seu segundo ano consecutivo na seleção da revista, que cita o grande número de mortes brasileiras nesta pandemia de Covid-19. Além disso, também há menção à pior recessão econômica dos últimos 40 anos.

Para a Time, Bolsonaro é teimoso e cético sobre a doença e faz do desmatamento das florestas sua marca registrada. Além disso, sua popularidade também é citada em 37% de aprovação o que é justificadno no texto pelo pagamento do auxílio emergencial, bem como por seus fiéis apoiadores que quase são definidos na publicação como fanáticos. Leia a tradução a seguir?

TIME (Leaders) – BOLSONARO – A história do ano no Brasil pode ser contada em números: 137.000 vidas perdidas para o coronavírus. A pior recessão em 40 anos. Pelo menos cinco ministros demitidos ou demitidos do Gabinete. Mais de 29.000 incêndios na floresta amazônica somente em agosto. Um presidente cujo ceticismo teimoso sobre a pandemia e indiferença à espoliação ambiental elevou todos esses números.

No entanto, o número que realmente importa é 37 – a porcentagem da sociedade brasileira que aprovou JairBolsonaro em uma pesquisa no final de agosto, a maior pontuação desde que ele assumiu o cargo no início do ano passado. Apesar de uma tempestade de denúncias de corrupção e de um dos maiores índices de mortes de COVID-19 no mundo, o agitador de direita continua popular entre uma grande parte dos brasileiros. O índice de aprovação do Bolsonaro se deve em parte aos pagamentos mensais de ajuda de emergência feitos aos mais pobres do país durante a pandemia. Mas também reflete os seguidores fervorosos, quase cultos, que ele comanda. Para sua base, ele simplesmente não pode errar. É o resto do Brasil, e do mundo, que sobra para contabilizar os custos.

Stewart é o editor internacional da TIME

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