Moro é chamado de “canalha” por Juliano Medeiros que também disse que a elite o usou e jogou fora

26/10/2020 1 Por Redação Urbs Magna

Ex-juiz disse que a corrupção dificultou a governabilidade, mas o presidente do PSOL discordou dizendo que foi o golpismo, a ganância e o ódio

Entenda:

De acordo com o Conjur, em evento promovido nesta segunda-feira (26/10) pela Associação Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst), o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, afirmou que o país precisa de uma nova Constituinte.

Pegando carona no plebiscito do Chile, que definiu a necessidade de redigir uma nova Constituição para o país, o deputado afirmou que a Carta Maior brasileira tornou o país “ingovernável”.

“Eu pessoalmente defendo nova assembleia nacional constituinte, acho que devemos fazer um plebiscito, como fez o Chile, para que possamos refazer a Carta Magna e escrever muitas vezes nela a palavra deveres, porque a nossa carta só tem direitos e é preciso que o cidadão tenha deveres com a Nação”, afirmou, segundo o jornal Valor Econômico.

“A nossa Constituição, a Constituição cidadã, o presidente [José] Sarney já dizia quando a sancionou, que tornaria o país ingovernável, e o dia chegou. Temos um sistema ingovernável, estamos há seis anos com déficit fiscal primário, ou seja, arrecadamos menos do que gastamos, não temos capacidade mais de aumentar a carga tributária, porque o contribuinte não suporta mais do que 35% da carga tributária, e não demos conta de entregar todos os direitos que a Constituição decidiu em favor de nossos cidadãos”, disse Barros.

O Conjur afirma que a declaração de Barros motivou manifestações de repúdio por parte da comunidade jurídica e política. 

Lenio Streck, advogado e jurista, considerou a ideia absurda.

“A ideia de uma Assembleia Nacional Constituinte é um haraquiri institucional. Uma estultice epistêmica, se me permitem um sarcasmo. É inconstitucional. Aliás, tão inconstitucional que o porteiro do STF declararia inconstitucional. Fico pensando a bancada da bala colocando a pena de morte e a carreira de carrasco na nova Constituição. Minha curiosidade é se haveria prova prática, se me permitem mais um sarcasmo.”

Pelo Twitter, o ministro do Tribunal de Contas da União Bruno Dantas criticou, de forma genérica, o oportunismo de autoridades que propõem nova constituinte após a aprovação do plebiscito chileno. 

“Tenho visto gente no Brasil tentando pegar carona no plebiscito chileno para reabrir o debate sobre uma nova Constituição por aqui. Estudar um pouco de história e entender a transição democrática deles e a nossa seria útil. Só para começar.”

Ao Estadão, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que nasceu no Chile durante o exílio de seu pai perseguido pela ditadura, também rejeitou a comparação com o Chile.

“A situação do Chile é completamente diferente da do Brasil. Aqui, o marco final do nosso processo de redemocratização foi a aprovação da nossa Constituição em 1988. No Chile, deixaram esta ferida aberta até hoje”, afirmou.

O juiz e ex-presidente da Ajufe, Fernando Mendes, também se manifestou pelo Twitter:

“Quem defende a necessidade de uma nova Constituição em razão do plebiscito que ocorreu no Chile precisa estudar um pouco de história. Tudo o que não precisamos é de uma nova Constituição.”

Até o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro afirmou que o problema do país não é a Constituição.

“O que dificultou a governabilidade do Brasil nos últimos anos foi a corrupção desenfreada e a irresponsabilidade fiscal, não a Constituição de 1988 nem a Justiça ou o MP”, declarou, em resposta a outro trecho da fala de Barros, em que o parlamentar afirmava que o poder dos órgãos fiscalizadores ficou muito maior que os demais.

Foi então que Juliano Medeiros chamou Sergio Moro de canalha:

“O que dificultou foi o golpismo, a ganância e o ódio da elite brasileira aos pobres. A mesma elite que te usou e jogou fora, como costuma fazer com canalhas como você”.

Veja:

Telegram: Acesse e SIGA NOSSO CANAL

Comente com o Face ou utilize a outra seção abaixo. Os comentários são de responsabilidade do autor e não têm vínculo com a publicação. Mantenha um bom nível de discussão, do contrário reservamo-nos o direito de banir seus perfis.